Pode parecer brincadeira mas, nunca, em qualquer situação, uma frase soa tão verdadeira quanto a velha “o que vale é a intenção” quando se trata de crianças com 1 ano e alguns meses ou até menos.

Adultos gostam de festa. Acredito que ninguém aí vai me contrariar nesta, certo? Então, o que fazemos quando nossos pimpolhos completam 1 aninho de vida? Estouramos o cartão de crédito e fazemos uma festa sensacional com direito, inclusive, à presentinhos para os pequenos convidados (“os amiguinhos do Júnior”) e para seus digníssimos pais (“só uma lembrancinha”). Até aí, nada demais.

Cada um sabe onde o sapato aperta, e o ponto deste texto não é este (dinheiro e como gastá-lo). Fica bem longe disso pra falar a verdade…

Neste domingo, Logan foi a uma festinha de aniversário. O aniversariante em questão estava completando um ano de vida. Festa bonita, tudo arrumadinho, todos muito simpáticos; nada de anormal. Tudo simples e, por isso mesmo, bom. Nada como a simplicidade.

Num determinado momento, começaram a distribuir lembrancinhas para os convidados-mirins: saquinhos plásticos opacos com alguns dos personagens da Disney estampados. Dentro deles, é claro, um bonequinho do Mickey — daqueles que os bebês adoram morder quando as gengivas estão coçando.

Confesso que fiquei admirado. Eu não teria pensado nisso. Fico imaginando os pais indo à loja, escolhendo os brinquedos, tentando decidir qual será a melhor opção e qual a melhor relação custo-benefício. E as dúvidas que não devem ter passado por suas cabeças? “Será que as crianças vão gostar?”. “Ai meu Deus! E se um deles começar a chorar por causa do brinquedo? Já imaginou o fiasco?”. “Tem certeza que esse é o mais bonitinho?”. “Anselmo, meu bem, só você ainda se lembra do Don Drácula! Pode deixar o boneco aí mesmo. Eu tô mandando, Anselmo!”.

E então, chega o grande momento: a entrega. A ansiedade. Você sente uma certa tensão no ar. Os presentinhos chegam; os dedos ávidos dos bebês agarram os pacotinhos como se mais nada existisse no mundo! Seus olhinhos brilham e então…

Brinquedinhos ao chão!

Olhei para o Logan. Era quase como se ele dissesse: “Olha o saquinho plástico legal que eu ganhei, pai!”. E voltava-se para o embrulho, mordia, esticava com as duas mãos, dava gritos de alegria e ria como só ele sabe. E ficou assim a noite toda até chegar em casa.

Hoje, ele ainda estava brincando com o saquinho plástico. É impressionante como bebês não estão nem aí para o que é o “presente”. Eles querem aquilo que chama a sua atenção. Não importa o que seja: brinquedo, embrulho do presente, um chinelo, o gato… não importa, chamou a atenção, tá valendo.

E quanto ao Mickey? Bem, ele está lá no canto, ao lado do Pateta — da mesma coleção, diga-se —, que eu havia comprado há alguns meses. Coincidentemente, ele veio em um saquinho de plástico opaco com personagens da Disney impressos. Será que o que eles vendem é a tal embalagem de plástico e o boneco é só um bônus?