Relato do primeiro final de semana, após a separação, que Logan passou sozinho na casa do pai, sem que este corresse feito uma menininha para a casa do próprio pai pedindo ajuda.
Primeiro Movimento:
Supermercado é a praia do paulista
Antes de mais nada Joãozinho (obrigado, tio Dave), anote e guarde em um lugar seguro estas palavras: nunca – mas nunca mesmo – vá ao mercado sem uma lista de compras. Experiência própria. Pode confiar.
Agora, de volta à nossa história.
Sábado. 06h30.
Logan acorda. Resmunga um pouco, senta-se no berço e sorri ao me ver levantando da cama.
Deixo meu cérebro confortavelmente no travesseiro e arrasto minha carcaça até a cozinha para preparar o café da manhã do alemãozinho. Tropeço no gato no caminho. Normal. Sempre faço isso antes da primeira xícara de café do dia.
Deixo tudo mais ou menos no esquema para servir a ele, coloco o pãozinho para assar no forno elétrico e volto para o quarto. É hora de trocar a fralda – dele e não a minha, que fique bem claro. No caminho tropeço no gato de novo. Não sei porque ele está sempre no caminho e também não sei porque não tomei uma xícara de café.
Depois de me certificar de que estava tudo em ordem com meu cérebro lá no travesseiro, troquei a fralda do baixinho e fomos pra cozinha tomar café.
Preparei tudo de acordo com o que Valéria me disse que era o café básico de Logan. Mas, por algum motivo, achei que ele não comeu o bastante. Ele comia um pouco, me olhava torto; depois não queria comer mais… Diante disso. dei-lhe uma mamadeira, levei-o para o cercadinho e fui correndo tomar um banho para irmos ao mercado comprar frutas e outras coisas que bebês comem.
Quando saí do banho, pude notar pelo silêncio que ele havia dormido de novo. Também pude notar pelo cheiro que ele havia “estragado”. Certo. Mais uma fralda para o cavalheiro, por favor.
Quinze minutos depois estávamos no carro a caminho do Pão de Açúcar (o mercado mais próximo aqui da minha casa). Sinceramente, não acho a melhor coisa do mundo comprar lá por questões de economia. É um mercado caro, temos que admitir. Mas é inegável a qualidade dos produtos e do atendimento. Funcionários bem educados, atenciosos e que elogiam o seu bebê merecem que você gaste um pouco de seu suado dinheiro com eles. Mas só um pouco.
Compramos o básico para o dia: algumas frutas, iogurtes tipo petty suisse, mandioquinha e cenoura para fazer um purê no almoço e um frango assado para ganhar tempo (não sou besta né?).
Passamos pelo caixa, tivemos aquela atenção de sempre (“possui o Cartão Mais, senhor?”, “encontrou tudo o que procurava?”). Aquele diálogo que ocorre normalmente, enquanto o rapaz vai empacotando todas as compras.
Aproveitei o café do mercado para tomar uma xícara caprichada, dar um iogurte para Logan e deixá-lo tornar-se o centro das atenções (“ai que bebê lindo!”, “posso apertar?”, “que graça!”, “como ele é risonho!” – e por aí vai).
Voltamos pra casa com a sensação de dever cumprido.
Doce ilusão.
Segundo Movimento:
Puxa! Como o senhor gosta daqui, não?
Após chegarmos em casa, preparei uma banana com aveia para Logan, dei-lhe um pouco de água e fomos pra sala brincar.
Cerca de uma hora depois, dei-me conta de um detalhe importante: não sabia se ele passaria a noite de sábado comigo ou não. E, definitivamente, eu não havia providenciado nada para a janta.
É. De volta ao mercado.
“Ai, que bebê mais fofo!”
“Muito obrigado.”
“Posso apertar?”
“Não. Ele não gosta. Ahnn… Com licença, mas eu preciso pegar aquele pote de papinha. Ah, obrigado.”
E então, imbuído da certeza de que tinha tudo o que precisava, estufei o peito e fui até o caixa.
“Possui o cartão Mais, senhor?”
“Não. Ainda não possuo.”
“Achou tudo o que procurava?”
“Espero que sim” – disse com um sorriso.
Voltamos pra casa. Mais uma mamadeira com suco. Mais brincadeira no tapete e chega a hora de deixar mais uma mamadeira no esquema…
“Quem quer ir com o papai no mercado de novo?”
A essa altura do campeonato Logan, a moça do caixa e o empacotador (por que diabos o caixa deles sempre era o mais vazio?), deviam me achar um pateta perfeito ou que eu tinha algum tipo de fixação com supermercados…
“Possui o Cartão Mais, senhor?”
“Não” – respondi enquanto pensava em nove maneiras diferentes de arrancar a cabeça dela. Qual o problema com essas pessoas simpáticas afinal de contas? Se eu não tinha o cartão há duas horas e meia atrás, por quê iria tê-lo agora? Decore meu rosto e não me pergunte isso de novo, eu pensava enquanto pegava a sacola.
“Tá tendo um dia agitado, né moço?” – perguntou o empacotador. Bom, pelo menos ele decorou meu rosto. Dei uma arqueada nas sobrancelhas tentando ser simpático e voltei pra casa com Logan.
Nessas idas e vindas chegou a hora do almoço. Levei-o no carrinho até a cozinha e comecei a preparar a comida. Tudo pronto, é só pegar o leite e finalizar o purê.
“Quer voltar no mercado, baixinho?”
Foi um momento mágico. Único. Naquele instante Logan teve a certeza de que papai era um paspalho.
Para não piorar a minha situação (já que ele estava prestes a tomar as chaves do carro da minha mão), roubei um pouco do leite em pó dele e terminei o purê.
Almoçamos. E nisso, me dei conta de que não eram nem 13h00. Ainda tinha muito dia pela frente…



o site ta aparecendo todo estranho e sem formtação, era pra ser assim mesmo?