Exames de sangue facilitam a busca pela síndrome de Down

A reportagem abaixo cumpre um papel de suma importância: trazer à tona o debate sobre a necessidade ou não de se identificar a síndrome de Down ainda no início da gestação. Mesmo que o exame nunca venha a ser comercializado, a questão já está no ar e sua discussão é  válida. Leia e depois responda a enquete em nossa comunidade no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=56554608): O que você faria se descobrisse, ainda na gestação, que seu filho é portador da síndrome de Down?

Fonte: Tudo Agora, que credita como fonte o The New York Times em 08/10/2008

http://www.tudoagora.com.br/noticia/9005/Exames-de-sangue-facilitam-a-busca-pela-sindrome-de-Down.html

Durante três décadas, cientistas tentaram desenvolver um exame pré-natal não invasivo para síndrome de Down que substituísse a amniocentese, que pode levar ao aborto.

Agora, cientistas utilizando ponderosas técnicas genéticas estão se aproximando desse objetivo com exames que requerem apenas uma amostra de sangue da mulher grávida.

Uma empresa de biotecnologia em San Diego chamada Sequenom diz que começará a vender esse exame em junho próximo. Outra técnica de verificação, desenvolvida em Stanford, vem descrita num artigo publicado online na última segunda-feira em The Proceedings of the National Academy of Sciences.

Há razões para se manter a cautela. O exame de Stanford foi testado em apenas 18 amostras de sangue. A Sequenom aplicou seu exame em apenas 400 amostras e ainda não publicou resultados em periódicos especializados.

Ainda assim, ambos os testes apresentam registros perfeitos até agora: sem falsos negativos ou falsos positivos. “É um enorme avanço, caso funcione da maneira como esperamos”, Jacob A. Canick, professor de patologia na Universidade Brown, disse sobre o exame da Sequenom num recente encontro de investidores organizado pela companhia.

Ex-consultor da empresa, Canick conduzirá um estudo sobre a precisão do exame em 10.000 mulheres. Os resultados poderão estar disponíveis no fim de 2009. Mas os investidores entusiastas não estão esperando por isso. O preço das ações da Sequenom já quadruplicou desde março.

A síndrome de Down, a doença cromossômica mais comum, ocorre quando um bebê nasce com três cromossomos 21 ao invés dos dois usuais. A condição é marcada por um retardo mental leve a moderado, características faciais atípicas e um alto risco de defeitos cardíacos.

Os dois exames definitivos da síndrome de Downamniocentese e amostragem das vilosidades coriônicas, ou CVS (do Inglês) – trabalham recuperando células fetais de forma que os cromossomos possam ser contados.

Mas os exames oferecem um pequeno risco de aborto, estimado em 1 em 200 a 1 em 1.000. Até recentemente o exame era oferecido principalmente a mulheres com mais de 35 anos ou outras com mais riscos de ter um bebê com síndrome de Down. Mas o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas agora diz que ele deveria ser uma opção a todas as mulheres.

O exame da Sequenom seria usado inicialmente para verificar quais mulheres se submeteriam à amniocentese ou ao CVS, os tão chamados exames de diagnóstico. Mas Harry Stylli, executivo-chefe da Sequenom, disse que se o exame é preciso o suficiente, “terminará substituindo a amnio e o CVS.”

Esse exame de prevenção já é feito através do ultra-som e de uma variedade de exames de sangue, então alguns peritos dizem que a menos que um exame não invasivo possa substituir a amniocentese e o CVS, ele não será tão significativo.

“A área onde existe a necessidade é onde você teria um exame diagnóstico não invasivo”, disse a Dra. Diana W. Bianchi do Centro Médico Tufts, presidente da Sociedade Internacional de Diagnóstico Pré-natal. Ela considerou os resultados da Sequenom “preliminares e promissores, mas não definitivos.”

Outros dizem que mesmo um aperfeiçoamento nos exames preventivos existentes representaria um grande avanço. Esses testes podem perder de 5 a 30% dos casos de síndrome de Down. E dão uma taxa de falsos positivos de 5%, o que significa que muitas mulheres se submetem à amniocentese ou ao CVS desnecessariamente.

Por exemplo, para mulheres chegando aos 30 anos, o risco de dar à luz um bebê com síndrome de Down é de aproximadamente 1 em 1.000. Então se 10.000 mulheres dessa idade realizarem os exames, haverá 10 casos reais da síndrome. Mas 500 outras mulheres seriam recomendadas a um exame invasivo desnecessário. E talvez uma dessas mulheres abortasse um bebê saudável.

Um exame preventivo com taxa de falsos positivos muito mais baixa reduziria esses procedimentos desnecessários.

“Realizar um procedimento em 1% é muito melhor do que fazê-lo em 5 ou 10% de todas as pessoas”, diz o Dr. Stephen A. Brown, professor associado de obstetrícia e ginecologia na Universidade de Vermont.

Alguns parentes de pessoas com síndrome de Down temem que um exame mais simples possa levar a mais abortos, encolhendo a população de pessoas portadoras da síndrome e erodindo o apoio social. Eles dizem que as pessoas com a síndrome podem levar vidas gratificantes e sentiram-se encorajados quando a candidata republicana à vice-presidência, a governadora Sarah Palin do Alasca, deu à luz neste ano um menino que ela sabia ser portador da síndrome de Down.

A tecnologia de exames “ultrapassou o entendimento da sociedade sobre como é uma vida com síndrome de Down”, diz Mark Leach, pai de uma garota de quatro anos com a condição. Leach é presidente da força-tarefa do grupo Down Syndrome Affiliates in Action.

A maioria dos esforços para desenvolver exames pré-natais não invasivos focou em isolar células do feto no sangue da mãe. Mas as células fetais são extremamente raras e difíceis de detectar.

Mais recentemente, cientistas descobriram que existe DNA fetal flutuando livremente na corrente sanguínea da mãe, provavelmente porque células fetais morrem e se separam. Exames que analisam esse DNA podem determinar o sexo do bebê e se ele tem o fator Rh em seu sangue.

Mas o DNA fetal pode ser afogado pelo DNA da própria mãe. E a síndrome de Down é causada por um cromossomo extra, então não pode ser detectada apenas com a procura de um gene ou mutação. Então o Dr. Y.M. Dennis Lo, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong que concebeu o exame da Sequenom, focou no RNA, o primo do DNA.

Uma cópia de um gene feito de RNA é produzida apenas quando esse gene está ativo. Então Lo buscou genes no cromossomo 21 que estavam ativos no feto, mas não na mãe. Isso significa que qualquer RNA como esse encontrado na corrente sanguínea da mãe teria de vir do feto.

Portanto, o exame da Sequenom analisa pontos onde a versão daqueles genes do feto herdados do pai possa diferir da versão herdada da mãe.

Se o bebê tem as duas cópias usuais do cromossomo 21, a quantidade de RNA da versão da mãe e da do pai deve ser a mesma. Se o bebê tem uma cópia extra do cromossomo, uma versão seria duas vezes mais abundante que a outra.

Um ponto negativo é que para 7% da população americana – e 35% dos asiáticos – os genes da mãe e do pai não diferem nos pontos verificados pelo exame. Nesses casos, o exame não produziria uma resposta e a mulher seria enviada a outros tipos de exames. O feto não produz RNA suficiente para que o exame funcione até uma gestação de 12 ou 14 meses. A Sequenom espera reduzir isso para 10. A técnica de Stanford envolve determinar a seqüência de milhões de fragmentos de DNA da corrente sanguínea da mãe. Não importa se os fragmentos vêm da mãe ou do feto.

Os cientistas então determinam de qual cromossomo vem cada fragmento, utilizando o mapa desenvolvido pelo Projeto Genoma Humano. Se o feto apresenta uma cópia extra do cromossomo 21, haverá um número maior que o esperado de fragmentos desse cromossomo.

Ao contrário do exame da Sequenom, essa técnica funcionará para qualquer mulher, em qualquer grupo étnico. E pode detectar cópias extras de cromossomos que não sejam o 21. Ainda não está claro o quão cedo na gravidez esse teste funcionará.

Os cientistas de Stanford disseram que o seqüenciamento custa US$700 por amostra, e esses custos estão caindo rapidamente.

Stephen R. Quake, professor de bioengenharia que conduziu o trabalho, disse que Stanford estava em negociação para licenciar a tecnologia para uma empresa.

Stylli da Sequenom considerou o trabalho de Stanford “um bom experimento científico”, mas disse que o exame seria caro demais para competir quando outros custos e margens de lucro fossem adicionados.

A Sequenom também alega que seus direitos de patente, alguns adquiridos apenas recentemente como medida defensiva, afastarão Stanford e outros competidores.

Stylli disse que o exame de Stanford pode ter um preço de tabela de US$2.000, mas que o custo real pago pelas companhias de seguros seria de US$600 a US$800. Isso é mais que os exames de prevenção existentes, mas menos que a amniocentese.

Outras empresas também trabalham em exames não invasivos. A Ikonisys, com base em New Haven, Connecticut, espera introduzir um exame em 2009 ou 2010 que usa a abordagem da célula fetal. Ele usa o esfregaço cervical, como no papanicolau, porque a concentração de células fetais é maior que no sangue da mãe.


4 comments to Exames de sangue facilitam a busca pela síndrome de Down

  • Camila

    Na minha opinião, é muito importante saber antes tudo sobre a saúde do bebê.
    No caso de SD, os pais precisam procurar com antecedência os profissionais que vão cuidar da fisioterapia, fonoaudiologia do seu filhinho… além de estudarem o que precisa ser feito para que o rebento consiga se desenvolver bem!

  • Fernanda

    Tenho 26 anos, moro nos USA, fiz o teste sanguineo para saber se o bebe tem sindrome de down, e o meu deu um resultado baixo, no qual tenho chances de ter um bebe com sindrome… Vcs me aconselham fazer outros exames?

  • sandra

    Tenho 31anos, fiz o teste sanguineo para saber se o bebe tem sindrome de down, e o meu deu um resultado baixo, no qual tenho chances de ter um bebe com sindrome… Vcs me aconselham fazer outros exames?

  • Flavio

    Oi Sandra.
    Este blog não é produzido por médicos e, portanto, não pode passar conselhos nesse sentido.
    Em minha opinião, o melhor seria você conversar com o médico que acompanha seu pré-natal sobre a necessidade ou não de se fazer um novo exame.
    Grande abraço.

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