Péssimo exemplo

O link para este texto foi encaminhado pelo meu bom amigo Eduardo “Dudu” Sales, do Papo de Gordo. Um texto duro e cru que mostra que ainda somos um país digno de pena e que a falta de acesso à educação e a informação como regra e não excessão produz absurdos como o relatado abaixo.

Apesar de saber que o relato mostra o pensamento de uma minoria insignificante, não é menos revoltante ver o precconceito manifestado em sua forma mais repugnante: contra crianças.

Neste caso, pelo menos, parece-nos que a razão venceu a ignorãncia. Porém, quantos casos semelhantes ou até piores não ocorrem neste Brasil imenso sem que ninguém saiba, sem que ningué lute pelo que é justo?

Infelizmente, por um problema no meu navegador, não consigo identificar o nome do blog  que me parece ser de autoria de Mônica França. Mas segue aqui o link para o artigo em sua versão original.

Intolerância e Preconceito são reforçados por pais em Minas Gerais

A palavra absurdo, oriunda do adjetivo latino absurdus, que significa “desagradável ao ouvido”, e, por extensão, “incompreensível, absurdo”, vai além de uma exclamativa de contestação quando nos deparamos com situação semelhante a vivida pelos pais de um menino de Contagem, na Grande Belo Horizonte, portador de uma deficiência que afeta a comunicação e o desenvolvimento mental.

Um grupo de 20 mães da escola Polo Eustáquio Júnior Matosinhos, onde o garoto estuda, fez um abaixo-assinado e levou ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente do município e a Secretaria Municipal de Educação EXIGINDO MEDIDAS EFICAZES (grifo nosso) para o comportamento do portador de deficiência que, segundo elas, é agressivo com as demais crianças “normais”, pedindo-lhes, inclusive, o afastamento da escola. De acordo com a diretora da instituição, as mães ainda ameaçaram retirarem seus filhos do educandário, caso providências não fossem tomadas contra o menor deficiente. No entanto, a escola que acolhe outras quatro crianças portadoras de deficiências e adota medidas sócio-educativas de inclusão se posicionou de maneira contrária ao pedido dessas mães.

O desafeto e a intransigência das mulheres foram tomados como surpresa para os pais do menino deficiente que disseram estar muito tristes com a situação e acrescentaram que, ao contrário do que dizem, o filho é muito carinhoso e adora beijar e abraçar os colegas, e informam que até mesmo o desempenho mental dele vinha melhorando no convívio com os demais alunos.

O que mais impressiona e chama a atenção nesta situação é o preconceito (puramente causado pela ignorância do ser diferente) que partem de pessoas que, de fato, deveriam estimular seus filhos a respeitar as diferenças e deficiências alheias, através de ações que promovam a inclusão social e não afastá-los dessas vivências e rejeitar as pessoas que sofrem de determinados males, transformando crianças em adultos menos compreensivos e intolerantes.

É lamentável a situação e espero que o fato não venha a desencorajar outros pais que têm filhos deficientes e lutam pelo direito de serem tratados como iguais. Que seja mais um estímulo, tanto para os indivíduos quanto aos órgãos competentes, para ações que promovam e perpetuem a igualdade entre os homens.


2 comments to Péssimo exemplo

  • Camila Dias

    PUTZ!
    Fala sério! Já que estão sendo preconceituosos com o menino, deveriam ver dentro de casa: os filhos arrumam suas camas? Lavam a louça? Ajudam com outras tarefas? Ou acham que isso tudo é trabalho das mães ou das empregadas???? Elas que consertem seus preconceitos dentro de casa antes de julgarem os filhos dos outros!
    Tenho dito!
    Boa semana!

  • Olá Flávio,
    Sou Mônica França, a jornalista que produziu o artigo. Como você, senti-me indignada com a situação de total discriminação e, colocando-me no lugar dos pais (que é o que muitos deveriam fazer antes de julgar), não posso acreditar que essas crianças que as mães pedem para afastar do convívio com o menino deficiente se tornem adultos tolerantes, compreensivos ou conscientes das diferenças, como descrevi no texto. Inclusive, recentes pesquisas apontam que o número de esudantes que tem algum tipo de preconceito é absurdo, ultrapassando 90% dos índices, tanto em relação aos deficientes quanto os negros. É um problema histórico que se arrasta no Brasil, o qual eu não sei dizer qual seria a solução, mas é certo que medidas de esforços para combater esse mal devem ser tomadas. Faço o que posso. Repudio a discriminação.

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