Assunto muito sério

Reportagem publicada na Folha On Line, caderno Equilíbrio, de 13/05/2009, que mostra como é perigoso forçar a infantilização daqueles que possuem algum tipo de deficiência intelectual.

Mais uma vez fica provado que não existe alguém que seja “uma criança eterna”.

Associação aborda sexualidade com deficientes intelectuais

Folha de S.Paulo

Flávia Mantovani

A costureira Vera Lúcia dos Reis, 46, levou um susto quando descobriu que seu filho Deleon de Oliveira, 22, tinha uma namorada -e mais ainda quando ele contou que tinha tido uma relação sexual. O jovem tem deficiência mental, e Vera diz que o via como “uma eterna criança”. “Nem imaginava que ele sabia o que era sexo”, afirma.

Foi quando ela pediu à Avape (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais), onde ele é atendido, que o incluísse em um novo projeto: um grupo de sexualidade para deficientes intelectuais.

A psicóloga Denise Teixeira, coordenadora, usa dinâmicas, música e expressão corporal para abordar o tema entre os 18 participantes.

Leonardo Wen/Folha Imagem
Na Avape (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais), psicóloga usa bonecos e dinâmicas para discussão
Na Avape (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais), psicóloga usa bonecos e dinâmicas para discussão

Bonecos e materiais de silicone ajudam na abordagem de sistemas reprodutores, anticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis. “A abstração é algo complexo para eles. Eles precisam de coisas concretas, têm de pegar para aprender”, conta Teixeira, que descobriu que a maioria já tinha tido relação sexual, mas ninguém sabia colocar a camisinha.

O sexo na deficiência intelectual é um tema delicado. “Fisicamente, eles têm desenvolvimento normal. Têm as mesmas necessidades que nós”, diz. Uma pesquisa da Avape com 145 pais mostrou que 70% deles não orientam os filhos sobre o assunto. Sem informação, eles ficam vulneráveis a assédio e abuso. Alguns deles contaram experiências do tipo nas reuniões.

Também é trabalhada a afetividade. “Quando eles descobrem o prazer, passam a buscá-lo não importa como, com quem ou onde. Tentamos resgatar o respeito por eles e pelos outros.”

Uma vez por mês, há uma reunião com os pais. O conselho de Teixeira para quem tem um filho deficiente intelectual é que converse sobre o assunto. Se os pais não se sentirem à vontade, devem procurar um profissional que os auxilie. “O que não pode é negar o tema”, afirma.


2 comments to Assunto muito sério

Leave a Reply

 

 

 

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>