A reportagem à seguir foi publicada na site Cruzeiro do Sul, no último dia 23 de novembro e pode ser acessada clicando aqui.
A denúncia é séria e precisa ser apurada com muito critério. Secretarios municipais ou estaduais de educação virem a público para afirmar, do alto de toda a sua arrogância, que a administração A fez mais pela inclusão do que a B, como mostram os números (sempre estão repletos de números), não significa muito a menos que esse tipo de afirmação passe pelo crivo de uma análise profunda, meticulosa e isenta.
O que podemos supor, de acordo com a reportagem, é que, no caso descrito, a “inclusão” resumiu-se apenas a colocar as crianças dentro da mesma sala de aula e pronto: fez-se a magia da inclusão. Professores, diretores, agentes administrativos, monitores e zeladores despreparados tornam, para o portador de necessidades especiais, o ato de ir à escola um suplÃcio e não um prazer.
O que vemos no texto não é inclusão. É vergonhoso. Já passou da hora de pormos um ponto final na ignorância e cobrar das autoridades um comportamento digno, sério e comprometido com a questão da inclusão, porque nem todos têm condições de pagar bons colégios e os impostos são descontados de maneira igual de ricos e pobres para que, entre outras coisas, o ensino público de qualidade (e como qualidade entenda-se também a inclusão) seja real e um direito de todos, pois, mais do que um dever, é uma OBRIGAÇÃO do Estado cuidar da formação escolar de nossos jovens.
Mães acusam escola de discriminar adolescentes
“Mamãe, eu vou. O Júnior vai, a Luana vai, a Giovana vai.” É com euforia que a menina M.C.S., de 12 anos, conta todos os dias para a mãe sobre os preparativos para um passeio com os colegas da escola ao Sesc Interlagos, na sexta-feira. Só que ela não vai. Nem mesmo foi convidada. A garota, que tem sÃndrome de Down, não é incluÃda nos programas externos. O mesmo acontece com T.G.S.C, de 13 anos, que enxerga pouco e tem microcefalia (redução do tecido nervoso). As mães dizem que as filhas são discriminadas.
Maria do Socorro Minelvino dos Santos, de 51 anos, conta que M.C.S. não participou dos passeios realizados pela Emef Desembargador Teodomiro Dias, na Vila Sonia, zona oeste, nos últimos três anos. “Ela nunca foi convidada. Só fico sabendo pelas outras mães ou pelos amiguinhos da escola.” A dona de casa Adinailde Gomes de Souza, de 37 anos, mãe de T.G.S.C., relata a mesma situação. “Fico sabendo pelos outros Isso me machuca muito porque mostra que a minha filha não faz parte do grupo.”
A pedagoga Ariane Tupinambá, da Fundação SÃndrome de Down, de Campinas, diz que não há qualquer empecilho para que uma criança com a sÃndrome participe dos passeios. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação diz que os “bilhetes via agenda raramente são respondidos” e que “em momento algum essas crianças ou qualquer outro aluno são excluÃdos ou tratados com indiferença”. As mães afirmam que não recebem os bilhetes. (AE)

