O exemplo vem de cima

Superior Tribunal de Justiça mostra que a inclusão profissional pode ser uma realidade no Brasil, dando o exemplo e contratando 25 portadores de síndrome de Down para executarem serviços administrativos de portaria e também para trabalhar no gabinete do presidente da instituição.

O artigo abaixo foi originalmente publicado no site do STJ em 17/12/2009.

STJ contrata portadores de Down para trabalhar na área administrativa

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) iniciou, na última quinta-feira (17), a contratação de 25 pessoas portadoras da síndrome de Down que vão trabalhar em serviços administrativos nas portarias e no gabinete do presidente, ministro Cesar Asfor Rocha. A contratação do grupo, fruto de parceria entre o Tribunal e organizações não-governamentais voltadas a esses portadores de necessidades especiais, faz parte das ações de inclusão social do STJ, conhecido como “O Tribunal da Cidadania”. Tais ações serão intensificadas em breve com a ampliação do quadro de deficientes auditivos responsáveis em grande parte pela virtualização de processos do STJ, cuja proposta visa, dar celeridade aos processos, melhor prestação jurisdicional aos brasileiros.

Desde o ano passado, 220 deficientes auditivos atuam na realização dos serviços de digitalização de processos. Esse quadro será ampliado para mais de 300, dentro dos esforços para tornar o STJ no primeiro tribunal do mundo totalmente digitalizado. Atualmente, 23% dos processos recebidos pelo STJ, por mês, estão em formato eletrônico (percentual que era de 1% do total, em julho passado). A equipe de deficientes auditivos já promoveu a virtualização de cerca de 180 mil processos e trabalha na digitalização de outros cem mil. Uma iniciativa que é considerada “mais do que bem sucedida”, conforme informações da Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação do Tribunal.

Por parte dos portadores de Down, embora as atividades a serem atribuídas a eles sejam diferentes, a expectativa é de realização de um trabalho igualmente importante no âmbito da inclusão social. Dentro do que determina o programa, 12 dos novos funcionários ficarão lotados no período da manhã e outros 12 trabalharão à tarde. Todos serão distribuídos entre as nove portarias existentes no Tribunal, sendo que um deles ficará lotado no gabinete do presidente. Na véspera do primeiro dia de trabalho, o grupo conheceu as instalações do STJ, foi até o local onde estavam reunidos os ministros, em sessão da Corte Especial, e participou de reuniões com a equipe da Secretaria de Segurança.

“É uma grande responsabilidade trabalhar num lugar desses”, disse em tom orgulhoso Renan de Castro Mota, 25 anos, estudante do 7º ano do ensino fundamental, um dos presentes à visita inicial. O mesmo sentimento demonstrou Liane Martins Colares, 46 anos, que já trabalhou em outros locais, na área de informática. Liane, inclusive, é autora de um livro e afirmou que a nova atividade “além de gratificante é emocionante”, pelo fato de se tratar de um tribunal, órgão diariamente procurado pelas pessoas para fazer reclamações e buscar seus direitos.


1 comment to O exemplo vem de cima

  • Mais ações desse porte deveriam ser divulgadas e revistas pelas pessoas de ‘cargo importante’, vulgos prefeitos e presidentes de órgão públicos.

    Todas as pessoas tem espaço para estudar, trabalhar e viver, ou deveriam ter. Parabéns por transmitir isso a outras pessoas Flavio e espero que um dia isso seja em todo o País!

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