Estudantes da UFF criam um game para crianças com Síndrome de Down
Reportagem publicada em 19/04/2010 no portal do jornal O Globo.
Versão editada. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.
Reportagem de André Machado.
RIO - Foi dada a largada na versão inicial de um game brasileiro desenvolvido no Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense, sob a orientação do professor Esteban Gonzalez Clua, bamba na área. Trata-se do “Jecripe”, e o acrônimo que forma seu nome diz tudo: Jogo de Estímulo a Crianças com Síndrome de Down em Idade Pré-Escolar.
O jogo foi criado por André Brandão, doutorando do instituto e sua versão inicial está disponível para download gratuito na internet. O processo de desenvolvimento, que durou aproximadamente dez meses, recebeu apoio da Secretaria estadual de Cultura, e também teve consultoria de especialistas como fonoaudiólogos.
O “Jecripe” nasceu da observação de André do trabalho de sua mãe, a fonoaudióloga Silvia Brandão, com crianças portadoras de Síndrome de Down.
- Ele, na verdade, serve para todas as crianças em fase pré-escolar - diz. - Mas seu maior foco é nas portadoras da síndrome.
O game se passa numa ilha bem colorida, que tem inicialmente três ambientes (mas já está com novos prédios prontos para futuras expansões). No primeiro deles, a criança deve aprender a mexer com o mouse e pegar coisas com ele num quarto de brinquedos. Depois, treina os cliques fazendo bolhas virtuais de sabão e assinalando os brinquedos que aparecem dentro delas.
- Em seguida, a criança deve acompanhar o herói do jogo, o Betinho (um menino com Síndrome de Down), em músicas e danças - diz André. - Essa fase pode ser assistida por um especialista.
Na última parte, o jogador aprende o processo de arrastar-e-soltar do PC, pegando e entregando a um bebê os objetos que ele pede. Num vídeo feito pelos estudantes, uma criança de 5 anos portadora da síndrome joga o game, com todos os sinais de que está se divertindo.
A ideia de pôr os jogos na internet gratuitamente nessa fase piloto visa a chamar a atenção do mercado para essas iniciativas, bem como acenar com possíveis usos pedagógicos do material, já que as aulas para a geração Y - que já cresceu conectada à internet - andam cada vez mais interativas.
A versão inicial do jogo pode ser baixada aqui: http://jecripe.wordpress.com/download

