Breno para presidente
Este excelente texto foi publicado em 11 de junho de 2010 por Laís Mendes Pimentel no site Inclusive.
Saindo da Caverna
por Láis Mendes Pimentel*

Breno Viola, no púlpito da Câmara dos Deputados, em 2010, onde disse que era a hora das pessoas com síndrome de Down representarem-se a si mesmas, e indicou seu desejo.
O que fez o homem sair da caverna, esfregar pedras uma contra a outra para obter fogo, inventar a roda para facilitar o transporte, e preparar lanças para vencer animais fisicamente mais preparados do que ele? A curiosidade, a coragem, o ímpeto de vencer, a vontade de tornar a vida mais fácil para si e para todos.
Mas foi um homem que fez isso tudo sozinho? A resposta é óbvia, né? Não. E todos os homens do grupo se animaram para viver estas aventuras quando um deles propôs encarar o mundo? A resposta desta tampouco é difícil de obter. Claro que entre os Pitecos, havia uma ala que só dava pitacos do contra. “Deixa disso, maluco! Vai virar comida de leão! Não inventa! Você não vai dar conta! Precisamos nos resguardar!”
Se não fosse a ousadia de alguns, estaríamos até hoje disputando, com os dentes, uma pele de urso com o coleguinha do lado.
O movimento de inclusão das pessoas com deficiência intelectual, no Brasil, vive uma situação semelhante às descritas acima. A candidatura de Breno Viola ao cargo de presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) é uma oportunidade real de honrarmos a batalha diária, secular vivida diariamente por pessoas que nasceram ou adquiriram alguma deficiência intelectual, assim como seus parceiros de luta: pais, amigos, parentes e educadores.
Mas há quem diga que o Breno não está preparado. Baseado em que alguém pode dizer isso? Outra perguntinha de resposta fácil: Em seus próprios medos. O mais doloroso é saber que tal opinião parte de pessoas que se dizem a favor da inclusão das pessoas com Down na sociedade, de igual para igual, roçando cotovelos na caminhada em direção à igualdade de direitos. Sei…
Independente de ideologias (e a candidatura do Breno à FBASD não reflete nenhuma), quem poderia dizer que um homem negro com nome de árabe seria presidente dos Estados Unidos menos de 10 anos depois do ataque ao World Trade Center? Barak Hussein Obama é o nome do cara.
E Lula? Que tantos preconceituosos ainda chamam de analfabeto, não está aí? Para o bem ou para o mal? Quantos disseram que ele não tinha condições de ser presidente da República? Mais uma vez, gostando ou não, ele ocupa este cargo a dois mandatos, legitimado pelo voto popular.
É clara e desconcertante a cisão do movimento de inclusão neste momento no Brasil. O desejo da candidatura do Breno Viola, defendido tão corajosamente por ele, já valeu para mostrar quem é inclusivo da boca pra fora, quem prefere se resguardar atrás de teorias e deixar a prática para os outros países.
Se dependêssemos destas pessoas, meu filho, Francisco, estaria numa instituição para crianças especiais e não numa escola regular.
Quem tem filho com Down sabe que a inclusão é suada, tem altos e baixos, surpresas positivas, decepções. Assim é a vida. A inclusão só está sendo construída diariamente graças aos que não se negaram a acreditar e a arriscar. Os que dispensaram porta-vozes e acreditaram, mesmo, que alguém com Down pode ir à luta, se expor de verdade. E que os erros e falhas serão bem-vindos pois serão reais e nos ajudarão a construir uma realidade em que não precisaremos de pessoas que se acham mais capacitadas a decidir a vida do meu filho do que ele um dia poderá decidir.
* Laís Mendes Pimentel é jornalista, roteirista e mãe do Francisco, de 9 anos




[...] This post was mentioned on Twitter by Pastor Claybom, Lucas Ogami and Herika Miyashiro, Flavio F. Soares. Flavio F. Soares said: Jovem com síndrome de Down quer presidir a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down: http://migre.me/Rtiz #avidacomlogan [...]
Muito boa essa matéria e idéia do site. É impressionante como às vezes as pessoas deixam a falta de paciência e a intolerância tomar o lugar de sua sensibilidade. A capacidade de alguém deveria estar relacionada com sua vontade e persistência de lutar e realizar seus objetivos. Como diria Carlos Drumond de Andrade somos do tamanho da distância que conseguimos enxergar. Aqueles que se acham tão sábios por vezes não conseguem enxergar que nossos corações, especiais ou não sofrem, amam e tem capacidade de serem felizes da mesma forma.
Quanto ao governo Lula, é fato que ele não iria servir para presidente em época de sindicatos. Hoje, temos a plena certeza que ainda não serve. Ele ganhou inúmeros votos, mas nem sempre a opinião correta do povo.
Quanto a parte importante do texto, eu adorei. Medo é uma das coisas que nos prende e nos impulsiona, basta cada um saber usar a seu favor. O mais difícil neste País é o enorme preconceito que todos temos pelas coisas desconhecidas.
Não é porque uma pessoa tem Down que ela é incapaz; não é porque está em uma cadeira do rodas que não pode exercer sua inteligência; não é porque somos uma minoria que não podemos dar vozes para essas pessoas. Como comunicador e jornalista, sinto que tenho o direito de fazer alguma coisa além do que eu posso, para quebrar tais preconceitos da sociedade. E farei.
Eu voto! Com toda a certeza do mundo! ^^
Boa sorte Breno. Você merece.
=D
[...] “Breno para presidente” [inclusão] [...]