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Artigo publicado no site do jornal Publico em 28/09/2010
Maria João foi uma surpresa, Paulo foi uma confirmação
Por Tiago Pimentel
Ela nunca tinha feito desporto na vida e agora é campeã mundial. Ele sonhava ser campeão e cumpriu, com dois recordes do mundo. Ambos têm síndrome de Down e paixão pelo atletismo
Quando, há 16 anos, Paulo Henriques foi viver com o irmão José Manuel, era um rapaz franzino, frágil. Hoje, já com 29 anos, essa imagem não é mais que uma recordação. Para essa mudança pesou o desporto, e particularmente o exemplo do irmão – que praticou atletismo, correu a maratona e já fez Lisboa-Casablanca de bicicleta.
Aos poucos, Paulo começou a fazer corrida. “Foi um bocadinho difícil para ele. Fazia exercícios mais leves”, recorda José Manuel. Mas a semente estava lançada. “Nunca deixou de treinar”, conta o irmão de Paulo. Foi o início de um percurso que culminou com a conquista de duas medalhas de ouro e dois recordes do mundo no primeiro Mundial de atletismo para portadores de síndrome de Down.
“O atletismo foi uma forma de afirmação pessoal e a dedicação que ele tem ao treino é simplesmente fora do vulgar. Treina todos os dias, faça chuva ou faça sol”, diz José Manuel com orgulho.
“Fez-se um homem e um atleta”, corrobora o antigo treinador Henrique Santos, que, durante 18 anos, trabalhou com Paulo no Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo (CASCI). “Sente paixão pelo que faz. Treinava de manhã na instituição e de tarde em casa. Para ele não é um sacrifício. Saía de casa sozinho para treinar”, acrescenta, destacando a autonomia que o pupilo ganhou graças ao atletismo.
“É uma espécie de um filho meu, apesar de ser meu irmão. Ao princípio foi um desafio grande, mas tomei essa responsabilidade”, conta José Manuel. Paulo tem um dia-a-dia autónomo. “Levanta-se sozinho, toma o pequeno-almoço e vai para o CASCI”, diz José Manuel. Na instituição, onde existem várias actividades ocupacionais, Paulo está na parte da tecelagem. “Regressa a casa ao final da tarde e toma a iniciativa de ir treinar, sozinho”, continua o irmão, acrescentando que, se for necessário, é o próprio Paulo que vai às compras e trata do jantar. “Tem uma particularidade, cozinha muito bem. Melhor que eu, seguramente”, sorri José Manuel. E acrescenta: “Consegue ter uma vida autónoma e o atletismo ajudou muito a isso.” “Ajudou à auto-estima dele”, concorda Henrique Santos.
Superar barreiras
Para ter a vida que tem hoje, incluindo na vertente desportiva, Paulo teve de ultrapassar algumas dificuldades. “A síndrome de Down tem alguns problemas associados, como cardiopatias ou a tendência para a obesidade. Mas ele contraria isso”, sublinha José Manuel. “Ele fez um electrocardiograma antes de ir para o México e o cardiologista ficou simplesmente boquiaberto, disse: “Nunca vi um caso como este, é muito raro”", conta.
Paulo foi ao México participar no primeiro Mundial de atletismo para portadores de síndrome de Down, realizado no início deste mês em Puerto Vallarta. Os resultados dos atletas portugueses superaram as melhores expectativas. No total foram 19 medalhas: seis de ouro, nove de prata e quatro de bronze, para além do título de vice-campeã mundial por equipas para a selecção portuguesa.
Na bagagem, Paulo trouxe duas medalhas e dois recordes do mundo (nos 800m e 1500m), que surgem como uma consequência natural da dedicação ao atletismo.
A açoriana Maria João Silva, de 34 anos, protagonizou uma surpresa ao vencer os 400m marcha e 1500m marcha (com recorde mundial). “Estava longe de pensar que isto surgiria”, confessa Carla Tomás, que começou a lidar diariamente com Maria João há três anos, no Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) para Jovens com Deficiência da Santa Casa da Misericórdia da Madalena do Pico, nos Açores.
“Ela nunca tinha feito desporto na vida”, recorda. Até ao dia em que experimentou. “Gostou e continuou a trabalhar”, aponta Carla Tomás. “Tudo decorreu de forma muito rápida e inesperada”, continua a responsável. Admite que não esperava os resultados alcançados: “Não pensava nisto com as proporções que tomou. De agora em diante terei ainda mais empenho, a atenção será maior e investirei mais na Maria João e noutros atletas.”
Os “miúdos”
Na área do desporto adaptado para portadores de síndrome de Down está quase tudo por fazer. “Foi uma experiência nova. É um trabalho com apenas um ano”, explica o seleccionador nacional, José Costa Pereira, recordando os seis meses até à escolha do grupo que viajou para o México. “Foi fantástico. Depois desses seis meses iniciámos o processo de selecção final”, que culminou com dois estágios, o último deles no Estádio Nacional, no Jamor.
Por várias vezes durante a conversa José Costa Pereira deixa escapar “miúdos” em vez de atletas, quando se refere a Maria João Silva e a Paulo Henriques. “É como lhes chamamos carinhosamente, mas são todos atletas”, explica o vice-presidente da Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual.
A motivação pode ser, por vezes, um problema. “Sinto isso no trabalho no CAO. Muitos deles iniciaram actividade muito tarde e às vezes é difícil conseguir motivá-los”, confessa Carla Tomás. Nada que tire a disposição a Maria João, que a professora descreve como alguém “muito acessível, divertida e optimista. Gosta de ultrapassar obstáculos e é bastante persistente”. As palavras são acompanhadas por um sorriso que se percebe mesmo através do telefone.
Pelo contrário, José Manuel Henriques nunca teve problemas em motivar o irmão, porque, para além do exemplo familiar, houve a dedicação do próprio Paulo. O atletismo é a actividade que lhe absorve mais tempo, mas o recordista também gosta de jogos electrónicos e é fascinado por dominó.
“O Paulo demonstrou que com esforço tudo é possível. Os resultados servem para deixar a mensagem que o desporto é mais que suficiente para que os jovens possam encontrar a motivação para se sentirem bem e se sentirem úteis”, continua José Manuel. Conclui com uma confidência emocionada: “Quando o Paulo bateu o primeiro recorde do mundo [no México], fui ter com os meus vizinhos e contei-lhes. As pessoas começaram a chorar de alegria. Têm um carinho muito grande por ele.”
por Arethusa Dias
O Instituto Pró Cidadania realizará no dia 18 de Outubro em São Paulo o 144º Treinamento Especial para Profissionais de Recrutamento e Seleção de Pessoas com Deficiência. A idéia é capacitar profissionais de recursos humanos e dirigentes de empresas para melhor avaliar esses candidatos especiais e com isso, incentivar o cumprimento da Lei de Cotas 8.213/91. Para tanto serão usadas dinâmicas interativas além da análise de testes e resultados padrões orientando sobre como deve ser feita esta avaliação com os candidatos.
A instrutora será Açucena Calixto Bonanato, Presidente do Instituto Pró-Cidadania de Desenvolvimento e Capacitação para Pessoas Especiais, Diretora da SUPORTE Assessoria e Consultoria Empresarial e Membro do Conselho Deliberativo do Integrare. Mentora do Projeto Cidadania, ela tem 21 anos de experiência na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
O evento vai acontecer na sede do instituto, no Bairro da Aclimação, dia 18/10/2010 – uma quarta-feira – das 08h29min às 17h30min. As vagas para o treinamento são limitadas e as inscrições devem ser feitas através do site do Instituto Pró-Cidadania ou do telefone (11) 32770337.
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 Eu já disse que o certo é chupar o dedão da mão, mas ele finge que não entende.
por Camila Dias
Olá Pessoal!
Como todo mundo deve ter notado, comecei a escrever os posts sobre as férias do Logan (aqui, aqui e aqui) e, depois, não escrevi mais. Uma das boas desculpas é a falta de tempo, outra é que sou ariana e, como toda boa ariana, começo as coisas no maior pique mas, depois, vejo alguma coisa brilhando e mudo o foco, he he He. Mas, seguindo com nossa programação, muitas coisas legais aconteceram durante os 15 dias que o loirinho mais desocupado do Brasil estava aqui em casa.
 Banho de balde: você ainda terá um.
 Acrescente cebolas e batatas, mantendo o fogo baixo.
Não sei se todos sabem ou já escutaram que o Logan é simplesmente fascinado por água, qualquer poça no chão, balde ou simplesmente aquela gota que ficou na pia é motivo de uma grande euforia, e claro, a mãozinha do guri vai direto pra onde está molhado!
Em julho Max estava com cinco meses e meio e portanto, tomando banho naquelas banheirinhas com suporte que a maioria dos pais, inclusive eu, deixam no quarto. Há também, uns baldes de banho para nenê, que chamam de Mommy Tummy (tradução: barriga da mamãe). Pessoalmente, eu sempre achei esse nome bem pretencioso, como um balde vai fazer as vezes de um útero??? Tentei dar banho no Max usando esse balde quando ele tinha menos de 15 dias e foi terrível: o guri gritava e chorava até que o tirassem dali. Mas estava bem frio em julho e a idéia de deixar o nenê submerso, com a cabeça pra fora, era uma tentativa de ele não estar tão vulnerável à baixa temperatura exterior e portanto, longe de gripes e resfriados. (Calma gente, já vou chegar no Logan de novo!!!)
O fato é que tentei novamente dar banho de balde no pequeno, e qual foi a minha surpresa quando vi um enorme sorriso no rostinho dele! Foi maravilhoso! Ele já estava confiante naquele recipiente que antes parecia inóspito. Max rapidamente foi testando o ambiente, desceu até que a água atingisse a boca, daí, deu um impulso com o pé e ficou na altura que ele quis. Depois de um tempo, foi levantando as perninhas até ficar na posição fetal! Ahhhh! Agora eu apóio o nome Mommy Tummy para esse tipo de banho! Ele fica ali, firme, ele que decide o quanto vai ficar submerso ou não. Se eu esqueço de pegar uma peça de roupa ou se a toalha está longe, posso ir pegar rapidamente, que o nenê fica ali, curtindo o seu banho!
 Não. Não cabem os dois no mesmo balde. Nem tentem!
 Tem que esfregar as costas com o pano.
E adivinhem quem curtiu mais que o Max esse tipo de banho???? Pois é, o mano Logan subiu num banco, pegou o sabonete e ficou de farra até que a água começasse a esfriar e não desse mais para o Max ficar de molho. Foi uma enorme festa para ambos!
 Depois dessa cara, até procuramos um balde tamanho extra-mega-ultra big-large, mas não achamos.
Ruim mesmo eram as vezes em que o pai tinha que pegar o balde e levar para esvaziar no banheiro: Logan ia atrás, como um mini-Flavio, dizendo “ah, não qué!”, totalmente “ofendido” pela audácia daquele adulto barbudo em acabar com a brincadeira.
Pra compensar, nos dias em qua a temperatura ajudou (após as férias), deixamos Logan curtir a sua “piscina de água quente” no box do banheiro. Assim nenhum dos dois “acquaboys” fica fazendo bico. :-)
E antes que eu me esqueça: agora recomendo a tal Mommy Tummy para todas as mamães!
Abraços e até a próxima!
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Dois importantes eventos que merecem atenção.
Artigo extraído do site Sentidos publicado em 13/09/2010
Dia Nacional de Luta
Data comemorativa em prol da pessoa com deficiência unirá forças pela inclusão no trabalho, em São Paulo
No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/09), São Paulo abre luta contra o preconceito no mundo do trabalho. Em defesa do resgate do cumprimento da Lei de Cotas, diversas organizações se uniram para fortalecer o direito ao trabalho das pessoas com deficiência numa ação que começará no auditório da Superintendência Regional do Trabalho e que terá caminhada pela Rua Xavier de Toledo, e será encerrada com atividades culturais em frente ao Teatro Municipal de São Paulo.
Estarão juntos o Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, as Centrais Sindicais, os Sindicatos Patronais e de Trabalhadores, as entidades especializadas no atendimento de pessoas com deficiência, escolas, órgãos públicos, Ministério Público, etc.
Na oportunidade será divulgado um documento de alerta para a sociedade porque no rol de atitudes e descaso contra o acesso ao trabalho das pessoas com deficiência já se observa até decisões “estranhas” na justiça do trabalho, lastreadas por MITOS E PRECONCEITOS dos próprios julgadores.
PROGRAMAÇÃO:
9:00h às 11:00h no auditório do SRTE/SP localizado à Ria Martins Fontes, 109.
caminhada da SRTE ao Teatro Municipal de São Paulo, com distribuição de carta aberta a população.
12:00h às 14:00h atividades culturais e musicais para a população em geral.
O convite oficial será divulgado no dia 14/09, mas caso queira garantir sua pré-inscrição para o ato no auditório da SRTE, favor confirmar presença através do e-mail: ecidadania@ecidadania.org.br
Confirme sua presença e garanta sua vaga!
Artigo publicado no site do Diário do Grande ABC em 10/09/2010
São Bernardo promove Mês de Luta das Pessoas com Deficiência
Pela primeira vez, São Bernardo promove o Mês de Luta das Pessoas com Deficiência, em homenagem ao Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, comemorado em 21 de setembro. Durante todo o mês serão realizadas palestras, debates, mesas de reflexão, atividades culturais e esportivas em diversos espaços da cidade.
A iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc), em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, tem como objetivo discutir e implementar políticas públicas de atendimento e inclusão das pessoas com deficiência em todas as áreas de governo e na sociedade.
A programação foi aberta na quinta-feira (9/9) com a palestra As Pessoas com Deficiência e as Políticas Públicas de Saúde, no Centro de Referência do Idoso (CRI).
No sábado (11/9), das 9h às 15h, no Parque da Juventude Città Di Maróstica foi realizado o evento Bike-Nic inclusivo do ABC, uma atividade de lazer com bicicletas adaptadas.
Já o Centro de Referência do Idoso (Avenida Redenção, 271, Centro) terá no dia 16 de setembro, às 18h30, a palestra e debate com o tema A Pessoa com Deficiência: Inclusão e Trabalho Decente.
De 18 a 25 de setembro será a vez do Festival Paraesportivo, realizado em diversos espaços da cidade. Entre as atividades haverá jogos de goalball (futebol para pessoas com deficiência visual), festival de atletismo, natação, entre outros. A programação segue até o dia 30 de setembro com palestra e debate sobre Acessibilidade e Políticas Públicas, no Centro de Referência do Idoso.
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Bela reportagem publicada no site do jornal Correio Braziliense em 04/09/2010
Conheça a história dos rapazes e moças com Síndrome de Down que trabalham no STJ
Um deles virou assessor. Os outros cinco, agentes de portaria. Desde que chegaram, com verdade e alegria, mudaram as relações interpessoais naquela Casa de corredores largos e leis implacáveis
por Marcelo Abreu
Era pra ser apenas inclusão. O nome é bonito. Está na moda. É politicamente correto, até. Foi mais que isso. Foi melhor que isso. Virou histórias de vida. De renascimentos, de encontros e de emoção. Difícil esconder a lágrima que é engolida para que o choro não molhe o terno preto do magistrado. São 11h, estamos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), lugar onde homens andam de toga e mulheres, de vestidos e saias bem-cortados e salto alto. Os corredores são largos. Os gabinetes, climatizados. Ali, julga-se a legalidade das decisões tomadas em instâncias inferiores.
Nas várias portarias internas do prédio gigantesco nota-se, trabalhando, uma gente que comumente não estaria ali. Não, não são os seguranças. São os seis novos funcionários. Moças e rapazes educados, sorridentes e muito dispostos a ajudar. Eles vestem impecáveis ternos pretos. Elas, terninhos — da mesma cor. Um deles não está na portaria. É assessor especial. Até ontem, trabalhava no gabinete da presidência. A partir da semana que vem, trabalhará no terceiro andar, na sala do mesmo ministro, o homem que humanizou aquele lugar de corredores largos e gabinetes abarrotados de leis.
Mas, afinal, quem são esses seis novos funcionários do STJ? É uma gente especial mesmo. Tão especial que, em menos de um ano, arrebatou a simpatia e o carinho de todos os outros funcionários da Casa. Até daquela gente de toga. Esses rapazes e essas moças são portadores da Síndrome de Down. Sim, e a única coisa que os torna diferentes daquela outra gente são os olhos puxadinhos. O resto é detalhe. Puro detalhe.
Eles levaram o sorriso, uma certa inocência e muita verdade — nunca mentem, não dissimulam e só dizem o que pensam e sentem. Levaram leveza a um lugar que nem sempre é leve. E fizeram aquela outra gente pensar em si mesma. Sem imaginar, esses rapazes e moças de olhos puxadinhos quebraram a sisudez do STJ. E ratificaram que ainda é bom sorrir e ser feliz. E como fizeram isso? Sorrindo, apenas sorrindo. Lei nenhuma seria capaz de ensinar isso.
Na manhã de ontem, o Correio teve o privilégio de conhecer essas seis pessoas. E ver como trabalham. Como se situam e estão inseridas naquele lugar. Chega-se à primeira portaria. É a que dá acesso ao gabinete da presidência. Lá, somos atendidos por um rapaz de terno escuro, sapatos da mesma cor, camisa branca e gravata vermelha. Está impecável. Senta-se à mesa onde trabalha, ao lado do gabinete do homem mais importante daquela Casa e um dos mais poderosos do país.
O rapaz se apresenta: “Meu nome é Renan de Castro Mota”. E faz questão de dizer que o Mota dele é apenas com um t. Conta mais. Revela sua grande paixão, o Corinthians. E nos mostra, no computador que usa, o brasão do timão. “Quero ser jogador de futebol”, revela. Passava das 11h. O homem de quem ele é assessor, dali a algumas horas, deixará a presidência. Passará a ser um dos 33 ministros daquela Casa.
“Capinha”
Na tarde de ontem, às 16h, o cearense Cesar Asfor Rocha, 62 anos, deixou, depois de dois anos, a presidência do STJ. Quem assume no seu lugar é o ministro Ari Pargendler, gaúcho de 65. Ao lado de Cesar, Renan, 25, o inseparável assessor. Foi na gestão de Cesar que a inclusão se fez presente. Em 2008, 220 deficientes auditivos compuseram o quadro de funcionários da Casa. Trabalharam na seção de digitalização dos processos.
A iniciativa foi um sucesso. “A produtividade foi 30% maior que a do ouvinte”, diz Cesar. Economia de tempo e dinheiro gasto nos correios (os processos demoravam, em média, sete meses para chegar a Brasília). Redução de papel, estantes e arquivos. Hoje, grande parte desses profissionais, que teve a chance do primeiro emprego, está em outros órgãos públicos. Gol de placa!
Há nove meses, chegou uma outra turma. Eram oito, mas dois desistiram. Ficaram seis — três rapazes e três moças. Todos têm Down. E isso, rigorosamente, como as decisões que são tomadas naquela Casa de homens de toga, não os tornou diferentes em nada. Renan foi levado para o então gabinete do presidente do STJ. Passou a acompanhá-lo nas sessões de plenário. Ajuda com os processos.
Usa até capinha — uma toga menor. E se sente, de verdade, um assessor. Ao andar pelos corredores assépticos do STJ, quando alguém lhe pergunta onde trabalha, o rapaz de 1,57m não hesita. Torna-se gigante ao responder: “Trabalho no gabinete do presidente”. Renan tem razão. Cesar é só elogios para o assessor: “Ele é muito esforçado”. E vibra com os novos rumos do rapaz de Brazlândia: “Ele abriu a própria conta bancária”.
Ao ser perguntado por que resolveu investir tanto em gente na sua gestão, o ministro Cesar chora. Segura a lágrima, para que ela não caia sobre o paletó preto, e mareja a voz: “A gente precisa acabar com tanto preconceito. Fiz tudo que podia fazer”. Sentado no sofá da ampla sala de recepção do chefe, Renanzinho, como é chamado na Casa, conta histórias de sua vida quando “era bebezinho”. Fala da morte do avô, de quem gostava muito. Que estuda num escola na região do Incra 8.
Empolgado, mostra o cartão de visita. E pede ao fotógrafo que mande as fotos para o e-mail dele. Dá-lhe, Renanzinho! Emocionado, o ministro diz: “Todos gostam dele aqui”. Renan sorri. É riso de verdade. E depois, numa pose de autoridade, com a mão no bolso da calça, andando de um lado para o outro, fala ao celular com um amigo de Brazlândia. Combina a balada. Sim, Renanzinho adora forró, sertanejo e axé.
A mãe, Jucela de Castro Mota, 49, apoio técnico da Secretaria de Educação, alegra-se: “Desde a ida para o STJ, ele ficou mais responsável, com maior autonomia. Com o salário (todos ganham R$ 690), compra as coisinhas dele e adora chamar os amigos para passear”.
Nas portarias, o Correio encontrou os outro cinco novos funcionários. Fernando César Tocantins Filho, 25 anos, mora no Cruzeiro. Faz natação e jiu jitsu. Adora malhar. Há nove meses, vê quem entra e sai. “É bom trabalhar com gente. Todo dia conheço uma pessoa nova”, diz. E conta que tinha uma namorada, ia se casar, mas a sogra “foi contra o casamento”. Antes, ele era empacotador de um supermercado na Asa Norte. “Aqui é o meu segundo emprego. Gosto mais daqui. Tenho mais amigos”, comemora. Vascaíno roxo, sonha ser advogado.
Com a saída de Cesar da presidência, a partir da semana que vem, Fernando será o novo “capinha” do novo presidente do STJ. E Renan? Continuará com o ministro Cesar, no gabinete. O mais comovente é que foi Renan quem indicou o amigo para o novo cargo. Pergunto para Fernando se ele vai ser mesmo. Espantado, ele responde: “Isso é com o Renan”. Eles são sensacionais.
Planos e sonhos
As comoventes histórias se sucedem. Contratados por meio do Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) — exceto Renan, cujo contrato foi feito com a presidência do STJ —, os cinco funcionários são de diferentes regiões do DF. Paula Vidal, 22 anos, mora no Sudoeste. Faz teatro e dança. Numa das portarias do STJ, aprendeu a conhecer, todo dia, gente nova. “Eles são educados comigo”, ela diz. Sonho de verdade? “Quero trabalhar com eventos.”
Wagner Rodrigo Santos, do Lago Norte, é o mais novo do grupo. Está ali há um mês. De gel no cabelo, o rapaz de 20 anos é só empolgação: “Coloco as bolsas das mulheres na esteira e dou informações”. No futuro, Wagner decidiu: “Vou abrir uma loja de pizza”.
Liane Martins Collares (com dois “eles” , ela faz questão de esclarecer) é gaúcha de Bagé, tem 47 anos (carinha de menina), mora na Asa Sul, é atriz, escritora e nadadora. Já tem uma obra lançada: “Liane, mulher como todas”. Foi sucesso de público. “O livro foi patrocinado pela minha família. Lancei em Salvador, Bagé, Porto Alegre, Teresina e aqui”, conta. “Do que falo? Da minha vida, minha história, do nascimento até os 40 anos.”
Pensa que Liane parou por aí? Nunca. “Meu nome é trabalho”, diz, maravilhada. Uma segunda obra está a caminho: “Teatro, minha vida como atriz”. Insisto em saber do que se trata. Às gargalhadas, ela diz: “Não vou contar mais nada. Já falei demais. É surpresa”. Liane é deslumbrante. Feliz de quem pode cruzar com ela pelo caminho.
Aline de Jesus Luz, 33 anos, é do Riacho Fundo. Trabalhou numa creche, como monitora. Agora, é agente de portaria do STJ. “Fiz entrevista pra vir pra cá. Aí, pedi demissão do meu emprego”, conta. “É bom mudar de vez em quando”, avalia a moça, que também é atleta de natação e ganhou medalhas de ouro em competições nos Estados Unidos.
Supervisor do Cetefe, Gilberto Cardoso de Araújo, 30 anos, que acompanha o grupo diariamente no STJ, emociona-se: “Somos nós que aprendemos com eles”. O ministro Cesar, que acordou hoje ex-presidente do STJ, reflete: “Ninguém diz o que é pra eles. Não se apresentam como doutores, juízes, advogados. Dizem os próprios nomes. Com eles, até as relações mudaram por aqui”.
Isso, maior do que qualquer lei, chama-se humanização. É olho no olho. É verdade. E foi isso que esse homem de toga levou para aquela Casa gigantesca de corredores largos. Renan, Aline, Fernando, Liane, Wagner e Paula são, de fato, excepcionais — no sentido mais humano que a palavra puder expressar.
 As pantufas confeccionadas pela escola de Max como presente de Dia dos Pais. São quentinhas. :-)
Nossa! Já faz muito tempo que não apareço por aqui para escrever mais uma das tradicionais “crônicas da vida cotidiana” do blog. A falta de tempo é um fator determinante, mas a verdade é que preciso organizar melhor o meu dia a me comprometer a ter pelo menos uma postagem minha por semana – além da tirinha, é claro. Registro aqui as minhas desculpas e a (mais uma) promessa de tentar organizar o fluxo de postagens. O texto de hoje deveria ter sido postado há algumas semanas, mas só consegui parar para ecsrevê-lo neste feriado de 7 de setembro.
Sábado – Véspera do Dia dos Pais
Este ano a comemoração do Dia dos Pais foi diferente pelos mais diversos motivos. Pela primeira vez me apresentei como pai de dois guris hiperativos e, também pela primeira vez, paguei o mico de exibir em público toda minha falta de habilidade para o artesanato.
 Max observa atentamente enquanto o papai pergunta: "é pra fazer o quê mesmo?"
Acredito que por um erro de comunicação, não recebi a data da festa de Dia dos Pais da escola de Logan, então, como na escola de Max a festa foi marcada para a manhã do sábado anterior à data oficial, levei os dois para a atividade que seria feita por lá. Talvez eu arrumasse uma desculpa esfarrapada qualquer para não ir se soubesse o que seria a tal “atividade”. O porquê, vocês descobrirão logo.
Começamos chegando meia hora antes do horário marcado para a atividade. Se você acha chato ser o primeiro a chegar numa festa, tente ser o primeiro a chegar numa festa da escola do seu filho. É muito, mas muito, pior. Felizmente fomos salvos por mais alguns pais tão disléxicos quanto nós e que não sabiam ver as horas de maneira correta.
Passado o primeiro mico, veio a comemoração propriamente dita. Apresentações, discursos, música, tudo seguindo o roteiro padrão… Mas, que diabos eram aquelas folhas de papel-de-seda, cola e tesouras separadas ali no canto?
 Ele é muito mais habilidoso do que eu. Sério.
“Vamos pedir agora para os pais sentarem-se nas mesas e separarem o material. Sabemos que alguns já têm habilidade com a confecção de pipas, então nossa proposta é de um Dia dos Pais diferente…”, sinceramente depois de ouvir “confecção de pipas” todo o resto perdeu o sentido. “Como assim ‘confecção de pipas’?” eu me perguntava, beirando o pânico.
Apesar de ter sido praticamente criado ao ar livre, numa época em que era possível jogar bola em ruas de terra e andar de bicicleta em volta do Lago dos Patos em Guarulhos e travar grandiosas guerras de mamonas (o fruto, não a banda), sempre fui péssimo para empinar e pipas (na verdade não me lembro de ter conseguido colocar alguma no ar) e pior ainda para fazê-las.
 Eu juro que queria trocar de lugar com Logan.
E bem, lá estava eu: o “artista”, o “desenhista”, o sujeito que em teoria possui boas habilidades manuais, intimidado pelo bambu e pela cola. Por sorte havia uma professora explicando, num maravilhoso método “for dummies”, como montar a mais básica de todas as pipas.
Como ficar sentando olhando não é bem a praia de Logan, ele aproveitou meu drama momentâneo e foi esbaldar-se no playground da escola ao lado de outras crianças tão sem paciência quanto ele. Na verdade, se fosse uma opção, eu também teria ido para o tanque de areia. Infelizmente, não era. Então, fiquei na mesa, tentando fazer uma pipa digna do nome enquanto que Max observava a tudo atentamente em seu carrinho. Camila foi cuidar para que o loirinho não se metesse em encrencas.
 Por este ângulo, até parece uma pipa.
Dobra aqui, corta ali, cola acolá, faz uma diagonal e tcharam! A pipa mais torta do mundo estava pronta! Sério: consegui a proeza de marcar errada a diagonal em uma folha cortada simetricamente. E ainda tem gente que confia em mim pra diagramar livros e revistas…
Recolhi o pouco de orgulho que me sobrou, posei para fotos com meus dois meninos ao lado daquilo que deveria ter sido uma pipa, tendo a certeza de que, se depender do velho pai aqui, este não será um brinquedo comum em casa.
O restante do sábado foi tranquilo. Mais tarde, Logan teve fisio, fono e terapia ocupacional e depois cuidamos das tarefas do dia porque no domingo precisávamos ir até a casa do Vô Dódi (meu pai) levar seu presente de Dia dos Pais.
Domingo – Dia dos Pais
Pouco depois do almoço fomos até a casa do vô Dódi levar o pijama que a Mi comprou para ele (sim, eu sou péssimo pra essas coisas e agradeço a Deus por ter uma esposa que adora cuidar destes assuntos).
Chegamos lá; abraços, cumprimentos, fotos com os pais do clã e suas crias (está no post) e a entrega de presentes. Eu devia saber que o “desastre” no evento do dia anterior era um presságio, mas achei melhor acreditar que era um evento isolado. Quanta ingenuidade…
 Em sentido horário: Tio Chu, eu, Max, Vô Dódi, Logan e Gustavo.
Para nossa (nossa?) surpresa, o pijama não serviu no vô Dódi. Ficou pequeno. Ficamos chateados, é claro. A Mi, principalmente, estava morta de vergonha achando que aquela tinha sido a gafe do ano. Felizmente a genética dos Neumann fala alto nessas horas e descobrimos que TODOS os presentes dados para o velho não serviram! Não me pergunte porque cargas d’água todos resolveram comprar roupas pra ele, mas a verdade é que não apenas todos tiveram a mesma idéia como também tiveram a mesma falta de noção em relação ao tamanho do nosso velho pai (sim não sou o único filho paspalho do seu Flávio).
Depois de algumas risadas, trouxemos o presente de volta para trocá-lo por um com a numeração certa. Soube nesta semana, pela minha irmã, que o pai estava andando cabisbaixo pela casa e se lamuriando, dizendo que ganhou “um monte de presentes no Dia dos Pais, mas que todo mundo levou embora para trocar” e que, até agora, não os trouxeram de volta.
Se eu tivesse deixado a pipa, que estava na mala do carro, com ele, pelo menos um presente de Dia dos Pais teria ficado por lá. Raios. Nem pra isso ela serviu…
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