
Atores durante a exibição do filme City Down. Foto de Nauro Junior (para mais, acesse o blog Retratos da Vida)
por Arethusa Dias
Nos últimos meses temos acompanhado a divulgação de uma série de iniciativas envolvendo portadores da Síndrome de Down nas artes cênicas. Ficamos contentes de ter notícia desses trabalhos e por isso queremos compartilhá-los com nossos leitores.
Um trabalho muito legal realizado em Pelotas – RS foi o filme City Down, que conta com 160 pessoas no elenco, quase todas portadoras da Síndrome de Down. O filme traz a tona o preconceito e as dificuldades pelas quais seus portadores passam de uma forma bem criativa e inovadora. Nele, todas as pessoas são SD e a história se desenrola quando nasce um bebê especial – não portador de Down. Em entrevista para o Diário Popular, os diretores Paulo César Nogueira e José Mattos afirmaram que ficaram impressionados com o talento do elenco e sua habilidade de improvisar: “Nos emocionamos. Eles vestem muito bem o papel. Tiveram cenas que quase não precisaram de direção”. A obra, exibida no Teatro do Cop em 31 de Julho, recebeu convites para participar de diversos festivais, inclusive na Espanha e em Portugal.
Já em Sorocaba – SP, atores com Síndrome de Down encenaram no último dia 21, o espetáculo Sonho de Uma Noite de Verão de William Shakespeare. A peça, com direção de Leonardo Cortez, foi apresentada no Teatro do SESI e teve seus ingressos distribuídos gratuitamente. Os jovens atores fazem parte de um grupo de Teatro criado pela Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID) que já realizou a montagem de textos como Romeu e Julieta, Cinco Pequenas Histórias em Família, o Jornal Falado, Muito Barulho por Nada, O Mambembe, O Violinista no Telhado e A Vida é Sonho.
Outra produção que já vem dando o que falar é a do filme independente Cromossomo 21, que deve começar a ser rodado em São Luiz Gonzaga – RS a partir de outubro. O longa; que contará a história de uma garota Down dividida entre um rapaz “comum” e outro que também tem a síndrome; promete trazer a tona um tema pouco discutido e cercado de tabus: a sexualidade do SD. O diretor Alex Duarte contou em entrevista para o jornal Zero Hora que não pretende causar polêmica, mas incentivar a reflexão sobre o assunto, já que muitas pessoas ainda têm vergonha e preconceito na hora de falar sobre isso. Alex, que é publicitário e já tem outros três filmes no currículo – apesar da pouca idade, 23 anos –, ainda busca apoio financeiro para completar os R$30 mil de investimento previstos em orçamento. Se você tiver interesse em contribuir, acesse o site: www.cromossomo21.com.br.
Esperamos continuar acompanhando outros projetos como esses, que não deixam dúvida quanto à igualdade de talento e potencialidade que os portadores da Síndrome de Down têm e auxiliam, de forma efetiva, na luta para pôr fim em algumas barreiras que continuam a se impor na vida dessas pessoas.





