Finalmente neste feriadão de 15 de novembro consegui ler O Livro de Julieta (Editora Paralela). Camila, que leu as pouco mais de 140 páginas no mesmo dia em que chegou, já havia me falado sobre as qualidades do trabalho. Hoje, depois de ler, tenho que concordar com ela.

Do mesmo modo que a honestidade do brasileiro Cristovão Tezza havia me surpreendido em O Filho Eterno, a escritora espanhola e mãe Cristina Sánchez-Andrade se abre por completo para o leitor expondo, sem meias palavras, seus medos, receios, frustrações, alegrias e vitórias no dia a dia com sua filha Julieta, nascida com síndrome de Down. Assim como Tezza, ela não “doura a pílula”. Escreve aquilo que o coração lhe diz para escrever e, por vezes, não gostamos do que lemos, mas somos obrigados a admitir que boa parte dos pensamentos ali expostos, principalmente nos momentos mais difíceis, são comuns à todos os pais e mães, em uma ou outra ocasião, tendo ou não a síndrome de Down como parte da equação.

Ao final da leitura, após eventos que envolvem cortes de cabelos, detergentes, manhãs preguiçosas de sábado, “submarinos” e luvas (muitas luvas) ficamos com a certeza de que embora sejamos todos diferentes, bem no fundo, vivemos, todos, cotidianos iguais. Para aqueles que vivem a realidade de criar um filho com síndrome de Down, sua narrativa mostra que os desafios (escolares, terapêuticos, sociais) são os mesmos, não importa em que lugar no mundo você se encontra. A honestidade da mãe Cristina, exposta pela escritora Cristina, serve para reforçar isso.

O saldo final de O Livro de Julieta é positivo. Enxergamos em suas páginas uma história real, com pessoas reais, problemas reais e soluções reais e terminamos sua leitura com a certeza de que, mesmo com alguns momentos piores que outros, no final da jornada, estaremos todos bem, com nossas diferenças e igualdades.