Senado expõe quadros de portadores da síndrome de Down

Reportagem publicada no site da Agência Senado em 15/03/2010

Galerias do Senado expõem arte de pessoas com síndrome de Down

Crédito da foto: J. Freitas

Começou nesta segunda-feira (15) e vai até a sexta-feira da próxima semana (26), a exposição de arte “Pintou a Síndrome do Respeito”, com 38 telas de pessoas com síndrome de Down, todos eles alunos do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, de São Paulo. A exposição é parte das comemorações do Dia Internacional da Síndrome de Down, dia 21 de março. Os trabalhos já estão expostos no Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima e na Senado Galeria, e o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM), vai inaugurar oficialmente a mostra nesta terça-feira (16), em solenidade às 18 horas.

No Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima estão 18 telas, todas elas recriações de obras de artistas plásticos brasileiros contemporâneos ainda vivos. Cada recriação é um trabalho coletivo de quatro jovens portadores da síndrome de Down, alguns deles ainda crianças. O mais jovem tem apenas sete anos de idade. Já na Galeria do Senado, estão 20 quadros individuais de portadores da síndrome.

O Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, na capital paulista, é uma organização da sociedade civil de interesse público e atende a 257 crianças, adolescentes e adultos jovens portadores da síndrome de Down. O presidente da instituição, Wolf Kos, explica que a síndrome de Down é uma ocorrência genética que atinge um entre 700 bebês. Durante a gestação, as células do embrião são formadas por 47 cromossomos, em vez de 46. Com cuidados, educação e boa formação, o portador da síndrome pode levar uma vida produtiva e praticamente normal.

A curadora da exposição, Silvana Gualda, informa que o Instituto Olga Kos mantém oficinas de arte e atividades esportivas, com aulas de caratê e taekwondo. Os quadros em exposição no Senado são todos óleo sobre tela. O espaço de exposições do Senado tem um público avaliado em quatro mil pessoas por dia.

Cezar Motta / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Em Brasília, jovem SD se apresenta com grupo de dança

Esta notícia, que foi publicada em 14/12/2009 na versão on-line do jornal Correio Brasiliense, é mais uma prova de que com discernimento e boa-vontade, a inclusão torna-se uma realidade.

Por meio da dança, portadores de síndrome de Down revelam progressos

Por Elisa Tecles

Aos 16 anos, o estudante Alexandre Guimarães de Paula só quer saber de dançar e fazer bonito no palco. Ele ensaia os passos de street dance em frente ao espelho da sala e acompanha os movimentos dos colegas para não sair do ritmo. Na noite da próxima quarta-feira (16), Alexandre se apresentará pela primeira vez no Teatro Nacional Claudio Santoro. O espetáculo é a mais nova conquista do adolescente, que nasceu com síndrome de Down.
A família de Alexandre não teve dúvidas ao escolher a dança que combinaria com o rapaz. “Ele gosta de músicas movimentadas, é o estilo dele”, comentou a mãe do jovem, a funcionária pública Gilda Guimarães de Paula, 55 anos. É ela quem leva o estudante aos últimos ensaios do show — em três dias, ele subirá ao palco da Sala Martins Penna com outros três dançarinos.

Todos os sábados, Alexandre passa as manhãs na aula de street dance. Tamanho fôlego vem dos treinos de futsal e natação, esportes preferidos do estudante. Gilda torce para o filho exercer todo tipo de atividade, mas nem sempre recebeu incentivo para isso. “Quando fomos à primeira consulta, o médico disse que ele não ia fazer isso e aquilo. Eu não escutava e pensava: ‘Meu filho vai ser diferente’”, lembrou.

Quinze dias depois do nascimento, Gilda levou Alexandre a uma clínica especializada no tratamento da síndrome de Down. Com a estimulação precoce, o bebê começou a engatinhar e aprendeu a andar com 1 ano e 2 meses de idade. Vencida a primeira dificuldade, Gilda procurou escolas para matricular o filho. Recebeu diversas respostas negativas em colégios particulares, que alegavam não ter pessoal especializado para ensinar a criança. O garoto entrou em uma escola regular da rede pública, mas não teve o resultado esperado. “Era só um professor para muitos alunos, não tinha como dar atenção ao Alexandre”, disse Gilda. No início do ano, o rapaz foi aceito em um colégio particular, onde começou a ler e a escrever. Além da alfabetização, os alunos exercitam atividades do cotidiano, como fazer compras no shopping e prestar atenção nos preços e no valor do troco recebido.

BAILANDO
Nas aulas de street dance, Alexandre se movimenta e adquire percepção do próprio corpo. “Tem pessoas que procuram a dança para se sentir bem. A dança é qualidade de vida”, comentou o professor da turma, Wesley Messias, 30 anos. Wesley dá atenção a Alexandre , mas o tratamento é o mesmo para todos os alunos: eles devem respeitar os momentos de alongamento e de ensaio e seguir as orientações do professor.
Em casa, a disciplina é a mesma. Assim como as duas irmãs mais velhas, Alexandre não escapa das broncas quando sai da linha. “Criei os três do mesmo jeito, brigando e colocando de castigo”, afirmou Gilda. A mãe é durona quando necessário, mas derrete-se com as conquistas do filho. Ao saber da participação dele do espetáculo, não se conteve. “Fiquei tão feliz, isso é muito gratificante. Tudo o que ele fizer lá a gente vai achar lindo, a família toda vai chorar”, adiantou.

Gilda descobriu as habilidades do filho com a dança durante uma festa. Começou a tocar Michael Jackson e o garoto correu para a pista. “Ele foi aplaudido de pé. Nem eu sabia que ele dançava tanto!”, comentou. Antes de qualquer festa, a mãe escuta a mesma pergunta do filho: “Vai ter DJ?”.

O espetáculo do Instituto de Dança Juliana Castro contará com a participação de 120 bailarinos, entre 7 e 65 anos. A coreografia Geometria Brasileira terá trechos de balé, dança afro, dança de salão, jazz, sapateado, salsa e outros estilos. Na turma de Alexandre, a maioria dos alunos pratica street dance há menos de um ano, mas já arrisca coreografias completas.

A diretora artística da academia, Juliana Castro, é pós-graduada em ensino especial e busca a participação de crianças com deficiências nas aulas de dança. Nos oito espetáculos realizados pelo instituto, todos contaram com bailarinos portadores de necessidades especiais. “O tratamento é igual, respeitando a limitação dele e de qualquer outro aluno”, resume Juliana. Segundo ela, o importante é garantir aos pais que os filhos estão em um ambiente seguro, com cuidados especiais.


Mostra de artes em Jundiaí

Esta reportagem foi publicada originalmente no Portal JJ, em 30/11/2009

Dançar é experimentar outros passos

por Paula Mestrinel

“Luz, Câmera, Ação!”. As cortinas do palco do Teatro Polytheama vão se abrir para 53 jovens assistidos pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Jundiaí, no próximo dia 3 (amanhã), quando ocorrerá a 11ª Mostra de Artes. O evento também contará com convidados como a Associação de Educação Terapêutica para Portadores de Lesões Neurológicas ‘Amarati’, o Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas (Peama), a Apae de Várzea Paulista e a Associação de Música Pio X. A edição deste ano revisita as trilhas sonoras de vários clássicos do cinema. Entre eles, “O Fantasma da Ópera”, “Meu primeiro amor”, “A Noviça Rebelde” e “Grease”, entre outros. “Vamos reunir crianças, jovens e adultos”, comenta a professora de balé e responsável pelas 12 coreografias, Raquel Tumolo. A estudante Eduarda Fernanda da Silva, 11 anos, e a amiga Alice Miranda, 11, estão ansiosas para a chegada da mostra. Na última terça-feira elas viram o figurino que vão dançar e aprovaram. “Minha família vai assistir, mas eu não estou nervosa”, comentou Eduarda.

Os jovens da Apae apresentam diferentes dificuldades e possibilidades físicas, mas mostram talendo na dança. Segundo a professora, a atividade oferece diversos benefícios como estimulação da habilidade motora, coordenação, equilíbrio, ritmo e consciência corporal, entre outros. “Os jovens do CTP (Centro de Treinamento Profissionalizante) da Apae, que tem entre 17 e acima de 30 anos, também vão participar”, afirma Raquel. A Apae Jundiaí atende desde bebês de alto risco até crianças com atraso no desenvolvimento, pessoas com deficiência mental e autismo, além das respectivas famílias. Os atendimentos envolvem desde recém-nascidos até a terceira idade, oferecendo auxílio nas áreas de psicologia, fonoaudiologia, psicomotricidade, terapia ocupacional e fisioterapia. No dia 3, a 11ª Mostra de Artes “Luz, Câmera, Ação!” terá início às 20 horas. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados na bilheteria do Teatro Polytheama.

SERVIÇO:

Teatro Polytheana

Rua Barão de Jundiaí, 176, Jundiaí, SP

Bairro: Centro


Lançando Godô

No próximo dia 12 de dezembro, na Livraria Sobrado, em Moema (SP), a escritora Carolina Vigna-Marú estará lançando o livro infantil Godô Dança (editora Manole/Amarilys).

godo danca_19-11-09.inddO livro conta as aventuras de Godofredo – Godô, para os íntimos – um cachorro que não vê muita graça e sentido em andar por aí cheirando bumbuns alheios e tampouco em bancar o “buscador” de bolinhas e outros objetos. Em sua lógica canina, se você jogou, você mesmo busca.

Mas isso não quer dizer que Godô é um chato. Longe disso! Godô, diferente dos outros cães, dança. Amante dos ritmos brasileiros, o nosso herói acha o máximo entender a letra das músicas.

Que tal levar os pequenos pra conhecer este novo amigo de quatro patas e sua criadora no próximo dia 12? Durante o evento, que irá das 11h30 até as 14h00 haverá contação de estória para os baixinhos.

Nos vemos lá.

SERVIÇO

Lançamento do livro infantil Godô Dança (editora Manole/Amarilys)

Local: Livraria Sobrado – Avenida Moema, 493 – Moema – SP

Dia: 12 de dezembro de 2009

Horário: das 11h30 às 14h00

Programação: lançamento do livro e contação de estória.


Arte sem preconceito

Este artigo foi publicado no Estadão On-Line da última terça-feira, 24 de novembro.

Jovens com Down expõem suas obras no MuBE

E o professor deles, o artista plástico Gustavo Rosa, famoso pela arte lúdica, aproveita para lançar livro

por Valéria França

O artista plástico Gustavo Rosa é conhecido por ter uma pintura lúdica e divertida, com personagens que poderiam, sim, estar num livro infantil. Os jovens Thiago Carvalheiro, de 19 anos, Lisandra Martins, de 24, Marcelo Lira, de 26, e Isumi Matsuyama, de 12, encontraram nos traços do pintor a inspiração necessária para produzir as primeiras telas. Todos eles são portadores de síndrome de Down. Têm dificuldades e talentos diversos. A diferença de idade entre eles não pesa. Apesar de alguns já serem adultos, ainda têm a ingenuidade comum às crianças expressa na face, no coração e nos sonhos. E, assim, formam um grupo coeso.

Eles estão entre as 240 pessoas com deficiência mental assistidas pelo Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, que desenvolveu o projeto Pintou a Síndrome do Respeito, em parceria com Gustavo Rosa. Durante dois meses, o artista deu aulas às crianças. Em contrapartida, ganhou a edição do livro A Penúltima Visão da Realidade, com texto de Jacob Klintowitz (154 páginas, R$ 149,90). A obra será lançada amanhã no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), nos Jardins, zona sul de São Paulo, junto com a primeira exposição dos alunos. “Eles produziram trabalhos tão interessantes que resolvemos exibi-los”, diz Rosa, que há dez anos recebe crianças em seu ateliê e dá aulas. “Eu gosto de brincar quando estou pintando. Além disso, aprendi muito com elas.”

Um cachorro tomando sorvete, o homem lâmpada, a mulher com um olho verde e outro vermelho, e uma enfermeira são alguns dos personagens nas telas. No início, os jovens reproduziam com interpretação própria alguns dos quadros. “A minha enfermeira ficou perfeita”, diz, sem modéstia, Thiago, garoto articulado, que procura ajudar os demais a se expressar verbalmente. “Mas o desenho dele que eu gosto mais é o do gato.” Além da pintura, Thiago faz natação e tem aulas de baixo. Toca de KLB a Sepultura. Atividades que, segundo ele, fazem “muito bem”. A mãe, a advogada Maria Lúcia, já adquiriu um espírito zen para as horas de ensaio do filho. “Minha mãe não gosta de nada. Ela só gosta de mim.”

O nonsense faz parte da obra de Rosa. Um rosto pode ter três olhos, um de cada cor, boca verde e dois narizes. As crianças vão além da imaginação do autor. “Tenho um com tucano que eles acrescentaram uma boca. O bico já é boca, mas eles acharam pouco”, conta Rosa. “Roubei a ideia deles. Agora, quando desenho tucano faço o mesmo.”

Cores fortes e pinceladas sem compromisso foram feitos primeiro em papel. Rosa recortou as figuras, fez um fundo para cada uma das telas, e colou o trabalho de cada jovem. E os quadros estarão à venda. Custam de R$ 30 a R$ 400. O dinheiro será revertido para o instituto. Dos quatro jovens, a única que quer seguir carreira em artes plásticas é Isumi. “Para ela é muito fácil pintar. E ela pinta tudo, até a lição de casa”, diz a mãe, a engenheira Cristina. Lisandra quer ser cantora, Thiago músico, e Marcelo, esportista - todos, sem exceção, querem ser famosos.

POSTURA

“A arte faz muito bem para a autoestima deles”, explica Olga Kos, diretora do instituto. Gustavo é o quinto artista que participa do projeto. Eles já tiveram aula com Eduardo Iglesias, Marisa Portinari, Isabelle Tuchband e Inácio Rodrigues. “Há aluno que mudou até a postura física, que andava arqueado, olhando para baixo e falava pouco”, conta Olga. “Agora, está com as costas eretas e até conversa bem ao telefone.”

SERVIÇO

MuBE: Av. Europa, 218; tel.: 2594-2601; das 10 às 19 horas. Até dia 29



Lazer e inclusão

A amiga Kátia Gontijo, do Instituto Sou Especial, mandou esta nota, publicada no portal Sentidos do UOL, por e-mail e acredito que vale muito a pena divulgar.

A iniciativa social que levará mais de 100 mil deficientes a parques e atrações turísticas de todo o Brasil

No dia 3 de dezembro, acontecerá no Hopi Hari o lançamento da primeira edição do Dia Nacional da Pessoa com Deficiência em Parques e Atrações Turísticas. A iniciativa visa ressaltar a importância da acessibilidade em todos os empreendimentos sociais e, a partir de 2010, todos os parques associados à Adibra (Associação Brasileira das Empresas de Parques de Diversão do Brasil) e ao Sindepat (Sindicato Nacional de Parques e Atrações Turísticas) passarão a realizar anualmente a ação. O objetivo é reunir em um único dia cerca de 100 mil visitantes com deficiência nos complexos de lazer, compondo a maior ação social de inclusão de deficientes para a diversão do país. O projeto contará com a participação de um importante mascote, o personagem Luca, menino cadeirante criado por Maurício de Sousa para a Turma da Mônica.

O evento que lança oficialmente o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência em Parques e Atrações Turísticas reunirá diversos parques e atrações turísticas do país, e contará com o apoio da Adibra e do Sindepat. A solenidade de abertura ocorrerá às 11h00 no Hopi Hari, maior parque temático da América Latina, localizado na Rodovia dos Bandeirantes, município de Vinhedo. Autoridades, artistas, atletas e a figura inspiradora do evento, a Deputada Célia Leão, estão entre os convidados. Neste mesmo dia, cerca de 8 mil portadores de necessidades especiais, de 65 instituições localizadas em 23 municípios diferentes, irão se divertir gratuitamente no parque. Além do passaporte, os visitantes receberão lanche, batata frita, refrigerante e sorvete.

Apesar de agora fazer parte de um calendário oficializado, o Hopi Hari realiza essa ação desde 2001, que até então era chamada de Dia Especial. O intuito sempre foi oferecer às pessoas com deficiência a oportunidade de se divertir gratuitamente no maior parque temático da América Latina. Além disso, o Hopi Hari está preparado para receber esse público todos os dias, já que possui o “Código Azul”, onde é desenvolvido para cada um dos visitantes um mapa personalizado das atrações indicadas para suas necessidades especiais.


Que tal dar um pulinho lá?

Neste sábado, dia 14, a Fundação Síndrome de Down, de Campinas estará realizando a sua Festa da Primavera.

As atividades começam as 10h00 e estendem-se até as 16h30 (horário previsto para o encerramento com o espetáculo circense Paraladibom).

Veja abaixo a reprodução do cartaz com a programação completa e, se puder, dê uma passadinha por lá para conhecer o trabalho deles.

Clique na imagem para ampliar

Clique na imagem para ampliar


Inclusão através dos livros

Começou neste final de semana e segue até o próximo dia 08 de novembro a IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas.

O evento, que neste ano conta com a presença de 300 editoras expondo cerca de 20 mil títulos, tem como tema principal a inclusão de todos no mundo da leitura usando para isso 14 oficinas inclusivas voltadas para deficientes visuais, auditivos, crianças com síndrome de down e outros portadores de necessidades especiais.

Não deixa de ser uma boa idéia para ser adotada por outras grandes bienais, como a de São Paulo, por exemplo.

A reportagem completa do site GazetaWeb, de Alagoas, pode ser conferida clicando aqui.


Festival Assim Vivemos

assim-vivemos-filmes-e-debates-ccbb-sp-1De hoje, 7 de outubro, até o próximo dia 18, o Centro Cultural Banco do Brasil, de São Paulo, estará realizando o 4 Festival Internacional de Filmes Sobre a Deficiência. O evento, que já pôde ser acompanhado no Rio de Janeiro e em Brasília, chega à capital paulista com uma programação extensa, apresentando filmes de vários países e uma série de debates à respeito da questão dos portadores de necessidades especiais.

Os filmes, escritos, dirigidos ou estrelados por portadores de algum tipo de deficiência, terão em todas as suas exibições legendas especiais para os portadores de deficiência auditiva e dublagem em fones de ouvido para os portadores de deficiência visual. Já os debates poderão ser acompanhados com tradução simultânea em Libras.

Ainda como parte do festival, de 10 de outubro a 31 de novembro será apresentada a mostra Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito, aos sábados e domingos, com a exibição de filmes com legenda oculta e audiodescrição.

Quem quiser maiores informações, pode conferir a programação completa aqui.


Baladinha! Pena que é só na Espanha…

Matéria publicada no site da BBC Brasil.

Uma ótima idéia (com algumas ressalvas) que poderia muito bem ser aplicada nesse nosso brasilzão sem fronteiras.

Discoteca na Espanha tem noite exclusiva para deficientes

Anelise Infante

De Madri para a BBC Brasil

Domingo é dia de matinê especial em Barcelona. Uma das discotecas mais badaladas da cidade espanhola reserva a noite para que portadores de deficiências mentais possam dançar e paquerar livremente.

Ao contrário de uma discoteca comum, no entanto, álcool, cigarros e bebidas energéticas estão proibidos nas noites de domingo da boate Luz de Gas. A medida foi tomada porque a maioria dos frequentadores da matinê especial toma remédios fortes.

Outras adaptações também foram feitas. A iluminação é controlada, para evitar possíveis ataques epiléticos, e seis monitores acompanham os frequentadores para auxiliar em eventuais emergências.

O resto do ambiente, no entanto, é igual ao das outras noites, com música, DJs, barmen, diversão e paquera.

A matinê especial funciona há um ano e foi criada pela Fundação Ludalia, que auxilia portadores de deficiências mentais.

A festa, que começa às 17h30 e termina às 21h, é exclusiva para pessoas entre 18 e 45 anos com Síndrome de Down, paralisia cerebral e outras deficiências.

Lazer

Mãe de um portador de deficiência mental, a diretora da fundação, Consól Ferrer, afirma que o projeto nasceu por causa da falta de alternativas de lazer para estas pessoas. Segundo ela, alguns lugares “tratam os deficientes de maneira infantil”.

A ideia da matinê especial surgiu em 2001. A primeira tentativa, no entanto, fracassou quando os organizadores tentaram criar uma noite de integração entre deficientes e pessoas sem deficiências.

“Foi um desastre. Ali ficou claro que eles precisavam de um espaço próprio. Eles têm a mesma vontade de dançar, se divertir, estar com amigos e paquerar, como qualquer outro jovem”, afirmou à BBC Brasil a monitora Ruth Ruiz.

A diretora da Fundação Ludalia também afirma que a experiência fez com que eles decidissem criar uma noite exclusiva para os jovens deficientes.

“Sei que parece uma contradição, fazer uma noite exclusiva quando pedimos integração. Mas, misturar jovens deficientes com os que não são para que façam amigos e arranjem namorados, não é um objetivo realista”, afirma.

(nota do blogueiro: pode não ser realista hoje, mas precisamos continuar firmes no caminho da inclusão e aceitação em todos os ambientes; a noite exclusiva é um primeiro passo mas, depois desse passo, o natural é permitir que os portadores de necessidades especiais frequentem a mesma balada que os demais para que haja, realmente, integração e inclusão)

Romances

Desta vez, o espaço exclusivo tem a colaboração dos donos da discoteca, que cedem as instalações e a arrecadação da noite para os outros projetos da fundação.

Os frequentadores pagam 7 euros (cerca de R$ 20) pela entrada, com direito a consumação.

“(A cobrança da entrada existe) para que eles se conscientizem de que tudo tem um valor. Se todo mundo paga por uma entrada, eles também. Assim, compreendem como funcionam as coisas quando um adulto sai sozinho”, afirma Consól Ferrer.

Dentro da discoteca, os DJs tocam músicas da moda, às vezes há shows ao vivo, e os deficientes se sentem à vontade, principalmente porque os pais não podem entrar.

Para os seis monitores voluntários, a proibição da entrada dos pais ajuda a promover a independência e respeita a privacidade dos jovens, especialmente na hora da paquera.

“Surgem muitos romances ali”, comenta Ruth Ruiz, uma das monitoras.

“A minha função é atender, conversar e, se for preciso, dançar com eles e vigiar para que esses romances não saiam dos limites. No fim das contas, eles estão aprendendo a se relacionar”, completou.

(nota do blogueiro: pode ser uma visão romanceada minha, mas acredito que, por conta de nossas características culturais, uma iniciativa deste tipo no Brasil traria resultados ainda mais positivos do que os que estão apresentados neste artigo da BBC)