O exemplo do menino educado

Regiões atravessadas com o carro: norte, sul e oeste (ida e volta).
Quilometragem média semanal: 350 quilômetros rodados.
Tempo médio perdido no trânsito de São Paulo para fazer estes deslocamentos: 3 horas.

gps4Pode parecer pouco olhando à primeira vista, mas não é. E, acredite, quando se está dentro do carro vendo a vida se desperdiçar lentamente por culpa de uma cidade mal-administrada que não investe o mínimo na melhoria da qualidade do transporte público, esse tempo parece três vezes maior.
Essa é a rotina que Logan encara ao meu lado para ir em suas terapias semanais. Extenuante, sem dúvida, mas o baixinho nunca manifesta a menor insatisfação.
Sempre sorrindo; sempre encontrando algo bonito na cidade para dizer: “papai, olha!”; sempre encontrando formas de se distrair nos modorrentos congestionamentos paulistanos. E, após a quebra do rádio do carro, há cerca de um ano, Logan se mostra cada vez mais criativo em buscar modos de não se entediar (muito).
Perdemos as músicas e a companhia da Rádio SulAmérica, que tem sua programação composta exclusivamente por informações a respeito do trânsito (congestionamentos, etc) – e, sendo bem sincero, uma cidade que efetivamente PRECISA deste serviço, é um lugar muito, mas muito, doente.
Na busca por caminhos alternativos que me façam economizar preciosos 15 minutos, um pouco de gasolina e diminuir o desgaste do carro, me tornei “refém” de meu GPS temperamental (puxou ao dono?) que, desatualizado como ele só, adora aplicar “pegadinhas” tentando, de todas as formas possíveis, me fazer entrar na contra-mão ou finalizar uma conversão proibida. É um fanfarrão, no melhor estilo Capitão Nascimento e, por mais que eu o ameace dizendo coisas como “vou te trocar por uma torradeira”, os constantes “vire à direita” em ruas com sentido único à esquerda e “retorne” em lugares onde todas as conversões são proibidas, fazem parte de nossa pouco harmoniosa convivência.
Mas para Logan as coisas não são assim.
Para ele, o GPS é algum tipo de ser superior que ajuda o papai a dirigir na cidade, dizendo coisas como “vire à direita” e “retorne”. Para ele, tanta gentileza e vontade de ajudar seu velho e desorientado pai precisa ser retribuída.
“Vire à direita.”
“Brigaduuu!”
“Vire a esquerda. 200 metros.”
“Brigaduuu!”
E lá vamos nós, cruzando pontos extremos da cidade, desfiando congestionamentos e desbravando ruazinhas com maior fluidez na busca neurótica por minutos que podem significar mais gasolina no tanque e uma conta menor do mecânico na próxima revisão.
Papai reclamando do GPS; o GPS indicando o caminho (certo ou errado, o que importa?) e Logan, educadamente, agradecendo toda informação recebida.
“Siga em frente. Três quilômetros.”
“Brigaduuu!”
O engraçado é que quanto menos eu reclamo e mais Logan agradece, mais correto me parece o caminho…
Sim. Já passou da hora de deixar de ser um velho resmungão.
“Você chegou ao seu destino.”
“Brigaduuu!”


Ops! Continuamos com problemas

Camila, Max e Logan estão de férias. Como possuo a facilidade de poder trabalhar em qualquer lugar do mundo que tenha uma conexão rápida de internet, pedimos que a mãe de Logan o deixasse viajar conosco e fomos todos passar duas semanas no sul.

Eu, é claro, levei meu notebook para manter o trabalho em dia e fazer as tirinhas do site neste período. Como sorte de pobre não dura nada, o note quebrou no terceiro ou quarto dia de viagem.

Um amigo me emprestou seu computador por alguns dias e consegui produzir boa parte do trabalho, mas, nesta semana fiquei, por assim dizer, “off”.

Este post serve para explicar o porquê de não termos tirinha hoje (e nenhum tipo de atualização desde a semana passada).

Na próxima semana tudo voltará ao normal (inclusive o trabalho) e, para compensar, publicaremos duas tiras.

Até lá.


Instituto MetaSocial lança novo filme da campanha Ser Diferente é Normal na REATECH

Artigo publicado em 14/04/2011 no site da revista eletrônica Inclusive

Lounge do Instituto MetaSocial na Reatech com posteres da campanha Ser Diferente é Normal

Lounge do Instituto MetaSocial na Reatech com posteres da campanha Ser Diferente é Normal

Para celebrar os 10 anos da REATECH, o Instituto MetaSocial em parceria com a 3IN apresentará a campanha ” Ser Diferente é Normal” pela primeira vez em São Paulo, com diversas atracões em um lounge de 120m2.

Nele serão exibidas fotos sobre o trabalho do Instituto,  desfiles e visitas de personalidades. Além disso, todos serão convidados a participar de um manifesto eletrônico, no qual as pessoas poderão mudar a própria imagem em nome da inclusão de todos.

O novo filme da nacionalmente conhecida campanha “Ser Diferente é Normal” será lançado durante a feira e Helena Werneck, Coordenadora-Geral da ONG, receberá prêmio “Anjos de Visão” pelo trabalho do Instituto.

SERVIÇO

REATECH – 2011

De 14 a 17 de Abril de 2011

Quinta e Sexta das 13hs às 21hs.
Sábado e Domingo das 10hs às 19hs.
Visitação Gratuita

Local
Centro de Exposições Imigrantes
Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo – SP

Transporte Gratuito
Estação do Metrô Jabaquara
Saída das Vans na Rua Nelson Fernandes, 400


O Primeiro Dente da Estação

Dentes.

Há um bom tempo “dentes” e “dentista” são palavras que significam más-notícias no dia-a-dia de Logan.

Por volta de 3 anos de idade, por inexperiência, falta de conhecimento ou orientação (dos pais), o loirinho teve um ataque maciço de cáries em seus dentes de leite (que, como muitos devem saber, sucubem rapidamente a este mal). Na consulta com a primeira dentista, não conseguimos fazer o tratamento, muito em função, talvez, da sua (dela) falta de experiência com crianças da idade dele – independente da síndrome de Down.

Muito atenciosa, ela indicou uma colega odonto-pediatra que poderia conseguir fazer o tratamento em Logan.

Antes de continuar vale lembrar que, como a maior parte das crianças, o meu baixinho é avesso a médicos e dentistas e, como não poderia deixar de ser, na hora de deitar-se na cadeira da dentista, ele adquire uma força absurda.

A pediatra, na época, foi muito clara em sua posição contra o uso de qualquer tipo de sedação, exceto anestesia local (e, quando se trata de uma cardiopediatra o bom-senso manda obedecer, embora eu, em minhas convicções também acreditasse que uma sedação mais forte seria um exagero). Sendo assim, ao custo de muita conversa, paciência e força física, a dentista, sua assistente que segurava a cabeça de Logan e eu, que imobilizava seus braços e pernas, conseguimos fazer um tratamento que, sinceramente, não me recordo o nome mas que, como efeito colatreal, deixava manchas pretas nos dentes onde antes haviam cáries.

Feio? Sem dúvida. Porém, eram dentes de leite (que cairão) e o importante ali, naquele momento, era dar um basta às cáries e preservar a saúde bucal do pequeno (e seus vindouros dentes permanentes).

Infelizmente, durante um período, apesar dos avisos constantes da dentista, a manutenção (escovação), principalmente à noite, não foi a necessária e, como não poderia deixar de ser, nossas pequenas inimigas voltaram trazendo alguns reforços.

Pra nossa sorte, na época ele já estava com um plano dental feito pela mãe (o que era ótimo uma vez que eu não tinha mais condições de pagar um tratamento particular como da primeira vez). Pra nosso azar, todos os dentistas do plano ao serem consultados diziam a mesma coisa: “não tenho como atendê-lo no consultório e te aconselho a buscar um hospital odontológico”.

Claro que isso levou a  um conflito (a pediatra não recomendava uma sedação mais forte que seria usada com certeza no hospital), a uma perda de tempo (que não tínhamos para desperdiçar, diga-se) e a uma troca de administradora do plano odontológico. Felizmente Logan foi aceito como dependente no plano de Camila e pude correr atrás de um novo dentista que encarasse o desafio de enfrentar um Logan pouco colaborativo.

Depois de muita procura, encontramos uma odonto-pediatra que poderia dar conta do recado. Seu consultório mais parece um quarto de brincar, com bichos de pelúcia, brinquedos educativos e uma cadeira tão efeitada que até eu quis me tratar ali. Logan, claro, apesar da desconfiança, se encantou com as cores e alegria dis efeites do consultório e foi um pouco menos “briguento”.

Mas não menos forte.

Depois do período de “familiarização” dele com a dentista, era hora de pormos a mão na massa: tínhamos que extrair um dente que estava com a raiz exposta e outro que estava totalmente condenado, obturar um terceiro e fazer uma espécie de “tratamento de canal” no quarto. Muita coisa, sem dúvida.

Decidimos começar pelo dente com a raiz exposta, pois este parecia ser o mais urgente. Éramos eu para segurar Logan e ela para fazer o tratamento. Claro que não conseguimos segurá-lo nem para aplicar a anestesia. Ela, bem ligeira, foi pedir ajuda ao dentista do consultório ao lado, que gentilmente veio prestar e socorro e, desta forma, com dois adultos segurando o boizinho loiro, conseguimos aplicar a anestesia e extrair o dente.

Coincidência ou não, depois disso ele passou a aceitar de maneira muito mais calma que escovássemos seus dentes e até começou a brincar com o desenho do menino escovando os dentes que temos no banheiro de casa. Porém, ainda vai levar um bom tempo para eu esquecer as lágrimas que corriam pelo seu rosto e sua carinha “assustada” com tudo que precisou ser feito.

Na última sexta-feira, como a dentista continuava sem uma assistente e minha irmã acabou adoecendo na véspera da consulta, fomos eu e Camila levá-lo para dar continuiudade ao tratamento. Desta vez, iríamos cuidar da obturação.

Como não poderia deixar de ser, foi difícil, foi suado, foi duro… mas foi feito. O dente foi obturado a contento e mais um ítem foi riscado de nossa lista odontológica.

Ainda faltam, pelo menos, mais dois.

E tudo isso foi contado para que o acontecimento do último domingo faça sentido dentro de seu contexto: a queda do primeiro dente de leite.

Logan passou o último sábado brincando e cutucando com a língua um dos incisivos centrais (o dente da frente, na arcada inferior) que estava bem mole. Era uma questão de tempo para termos uma bela janelinha naquele sorrisão. E não demorou muito.

Na manhã de domingo, ao me preparar para escovar seus dentes, vi que aquele que passou o dia anterior mole estava, naquele momento, completamente solto, pronto para cair. Peguei um pedaço de algodão para proteger os dedos e ter alguma firmeza e fui conferir quão solto ele já estava. Um coisa completamente desnecessária, diga-se, pois ao primeiro toque, o dente soltou-se por completo.

Logan ficou totalmente intrigado com aquela perda de mais um dente e eu, por minha vez, parei por um instante e vi que, apesar de nossos constantes erros, a natureza encontra uma forma de se mostrar e nos dizer que ela continuará fazendo seu trabalho porque é assim que a vida deve seguir.

Os dentes de leite cairão, porque é de sua natureza cairem e serem trocados por outros mais fortes e duradouros. Isso é o ciclo natural. Cabe a mim cuidar para que aqueles dentes que precisam de tratamento hoje, sejam tratados de forma efetiva e zelar para que os próximos cresçam saudáveis. O resto, fica por conta da natureza, muito mais sábia e sensata do que qualquer um de nós.

P.S.: Registro aqui também meu agradecimento ao amigo e médico Luiz Freitas que, num momento crucial, prestou-me uma série de esclarecimentos e colocou-se à disposição para ajudar da maneira que melhor que pudesse. Já lhe disse isso em outra oportunidade mas, mais uma vez, muito obrigado, Luiz. De verdade.

–Flavio


Crianças e Livros

por Camila Dias

Selecionando a leitura do dia

Selecionando a leitura do dia

A convivência com os livros é um hábito saudável que estimula a criatividade, melhora o vocabulário e auxilia no desenvolvimento da inter comunicação. Livros são amigos que não te abandonam, páginas impressas que te fazem voar pelo mundo da imaginação, palavras novas com significados velhos. Mas, se não houverem leitores para que servem os livros?

Eu cresci rodeada de livros e de leitores. A quantidade de livro dentro da casa dos meus pais, sempre superou a quantidade de qualquer outra coisa. Qualquer outra coisa, mesmo. Prateleiras presas com mãos francesas, pesadas, segurando muitos livros da história da arte, romances, livros técnicos… Meus pais sempre leram muito, liam todas as noites antes de dormir, suas cabeceiras sempre estavam carregadas de livros.

O hábito da leitura também faz parte da formação do Flavio. Começou “devorando” revistas em quadrinhos, mas hoje em dia ele se dá bem com livros de gente grande também.

Aqui em casa nós também temos muitos livros. Logan é um entusiasta nato, e “lê” folheando as páginas uma por uma, até chegar na última e dizer sorrindo:

- Abô! (acabou). Em seguida, fecha o livro e recomeça tudo de novo, desde a capa, até cansar daquele título.

O contato de Max com os livros também começou bem cedo. No Dia da Criança compramos para ele aqueles livros de borracha (os famosos “livros para banho”), que rapidamente foram mordidos, molhados e arremessados pra fora do berço. Já no Natal, ele ganhou um livro com 365 histórias, uma para cada dia do ano, que procuramos ler todas as noites antes de colocá-lo para dormir. Logan ouve as leituras aos finais de semana, quando está conosco.

Claro que os dois não ficam sentados ouvindo quietinhos e comportados, mas essa vivência já está sendo registrada na mente deles e vai incentivá-los a gostar de livros, de ler e se tornarem leitores. E, cá pra nós, acho que as histórias que o Logan inventa ao “ler sozinho” os livros, devem ser super divertidas, concordam?

Quero ver quem é que vai guardar esse monte de gibi espalhado no chão!

Quero ver quem é que vai guardar esse monte de gibi espalhado no chão!


Esperando o Natal!

por Camila Dias

O pequeno mineirador em ação.

O pequeno mineirador em ação.

No mês de novembro, a vovó Ana Rosa e o titio Francesco vieram de Porto Alegre para matar as saudades dos dois pequenos bagunceiros. Nos dias que a vovó estava aqui, para variar, o tempo estava feio, chuvoso e frio. Por isso, não conseguimos levá-la para passear com os netinhos. O tio Cesco, porém, teve mais sorte e,  durante suas férias na terra da garôa, foi arrastado para a pracinha para se sujar de areia junto com o Logan (falamos da bagunça que o baixinho fez na pracinha neste post, lembram?)

Desta vez não foi diferente: portando sua pá e balde, o loirinho repetiu suas façanhas enquanto o irmão observava tudo sentado no carrinho.

No final do mês, foi o 6º aniversário do nosso super herói preferido, e além do tio Cesco, os amigos Leo e Kell, o vô Dódi, a vó Tê, a tia Flavia e a tia Paula vieram cantar parabéns. Tudo muito simples, mas feito de coração e com a presença de amigos e familiares queridos

que amam de paixão o loirinho.

Max tomando conta do tio Cesco.

Max tomando conta do tio Cesco.

A SEMANA DO NATAL

Logan veio para casa dia 18 de dezembro e ficou até o dia 25 à noite. Foi uma semana incrível para ele o seu irmãozinho que agora está maior e cada vez mais perto de participar das brincadeiras que o loirinho inventa.

Nessa foto, por exemplo, vesti os dois de manhã e os deixei brincando no chão do quarto en quanto o Flavio buscava o pão e preparava o café. Agora que Max já sabe engatinhar e interage mais com o Logan, é muito divertido

A duplinha causando no chão do quarto.

A duplinha causando no chão do quarto.

observar eles brincando juntos. Max adora brincar com o irmão mais velho. Logan, por sua vez, enche o pequeno de beijos e abraços, mas ainda tem alguma dificuldade com o conceito de compartilhar os brinquedos. É muito engraçado vê-los no chão e, de repente, Max estica a mão na direção de algum brinquedo e só se ouve Logan dizendo: “não, é minha!”.

Até que chegou o dia 25 de dezembro, quando os meninos desceram as escadas para o café da manhã, se depararam com a árvore de natal acompanhada de pacotinhos com seus nomes e fizeram uma divertida bagunça abrindo seus presentes!!!

Logan quer brincar com o que está chamando sua atenção no momento e parece querer que Max fique com algo completamente diferente para não estragar sua brincadeira. Mas isso é normal, a competição por brinquedos é uma parte natural do percurso e eles vão acabar entendendo como se faz.

Outro dia, Flavio estava se preparando para uma gravação do Papo de Gordo, e deixou o notebook e o headset à mão, infelizmente a gravação não rolou, mas, no dia seguinte de manhã, os apetrechos ainda estavam ali acessíveis para qualquer baixinho se apoderar e sair por aí caracterizado de podcaster! Logan, em sua infinita curiosidade, quis sentir na pele como era ser um membro de Papo de Gordo! Quem sabe, daqui a alguns anos, né?

Abrindo os presentes de Natal.

Abrindo os presentes de Natal.

O pequeno podcaster.

O pequeno podcaster.

Papai e Max no parque.

Papai e Max no parque.


Moda inclusiva: alguém viu?

Como parte da programação da VI Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência, o Salão Negro do Congresso Nacional foi palco, no último dia 7, de um desfile de moda inclusiva.

Achei que era uma pauta mais do que interessante sobre um assunto pouco abordado (talvez porque boa parte das pessoas se esquecem de que deficiente também precisa se vestir e nem sempre roupas comuns facilitam a vida deles). Como não entendo absolutamente nada de moda, pedi a minha boa amiga e parceira no site Papo de Gordo, Maira Moraes, a gentileza de produzir um texto falando sobre o evento.

A realidade, porém, mostrou suas garras mais uma vez e aquele que deveria ter sido um texto sobre moda inclusiva acabou por revelar que, para a grande mídia, celebridades merecem destaque, já as roupas adaptadas, que deveriam ser o foco principal das pautas, nem tanto.

Que inclusão é esta?

Você acompanhou o desfile de moda no Senado?

por Maira Moraes

sabrina-satoDesfile de moda inclusiva? Confesso que não tinha ouvido falar nisso até o amigo Flavio Soares me convidar para escrever um texto sobre o tema aqui no blog. Logo me animei! Será que vão apresentar looks legais, criados por estilistas, roupas adaptadas às necessidades das pessoas com deficiências e que aliam design e estilo fashion? Melhor ainda: como as peças seriam desfiladas em um evento que faz parte da VI Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência, dentro do programa Senado Inclusivo, representaria uma grande oportunidade para provocar na sociedade discussões sobre o tema.

Até poderia ser… mas não creio que foi isso o que ocorreu…

Em primeiro lugar porque o desfile realizado no dia 7 dezembro no Salão Negro do Congresso Nacional, aparentemente, não despertou muito interesse na mídia especializada em moda. Ao menos não encontrei nenhuma matéria antes ou depois do evento nos sites. Nos grandes portais, também não foi possível achar sequer uma citação a respeito. Restaram então as páginas dedicadas às celebridades que elas estavam lá apoiando a causa.

Fiquei com um pouco de “vergonha alheia” do que vi. Tudo muito “posado”, “planejado”, “preparado” para que o “famoso” ficasse bem na foto. Mas em que momento os famosos se tornaram o objeto maior do desfile? Onde estão as informações sobre as roupas, onde encontrar, onde encomendar, etc? Cadê a cobertura jornalística?

Ah! E pra melhorar a coisa, as matérias só identificam as celebridades. Como se pouco importasse quem está ali com elas. Hellooooooo! Era um desfile da VI Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência… abre a cabeça pelo menos em nome da cobertura do evento, né?

anderson-mullerNo final, fiquei curiosa para saber mais sobre as roupas desfiladas. Será que elas foram pensadas para unir beleza e praticidade, tornando a vida de quem tem algum tipo de deficiência mais fácil? Tomara que sim.

Tudo o que encontrei sobre esse assunto foi publicado na página de notícias do próprio Senado. Segundo a nota, “velcro, zíperes, cortes específicos e tamanhos confortáveis evidenciaram que pequenas alterações na confecção trazem mais comodidade a quem tem necessidades especiais”. De que maneira? Vou ter que pesquisar mais.

Espero também que esse e outros desfiles inclusivos consigam despertar efetivamente a atenção do mundo da moda. Assim como se levanta a bandeira de que os negros, gordos, baixos… enfim, todos tenham um espaço no universo fashion, por que não incluir aí as pessoas com deficiência?

A tal “valorização” que estava no nome do evento, passa por questões complexas como acessibilidade, saúde, educação, emprego, mas também transita em coisas mais simples como poder entrar numa loja e comprar uma roupa que esteja adequada ao seu corpo, com ou sem deficiência, gordo ou magro. Isso sim parece ser moda inclusiva.

Fontes:
Congresso sedia desfile de moda inclusiva

http://www.senado.gov.br/noticias/jornal/noticia.asp?codEditoria=1550&dataEdicaoVer=20101208&dataEdicaoAtual=20101208&nomeEditoria=Institucional&codNoticia=101972

Sabrina Sato e famosos desfilam moda inclusiva

http://moda.terra.com.br/noticias/0,,OI4833837-EI1119,00-Sabrina+Satto+e+famosos+desfilam+moda+inclusiva.html

Veja fotos do desfile inclusivo que ocorreu em Brasília

http://moda.terra.com.br/fotos/0,,OI141786-EI1119,00-Veja+fotos+do+desfile+inclusivo+que+ocorreu+em+Brasilia.html

Sabrina Sato desfila em evento voltado para deficientes

http://contigo.abril.com.br/noticias/sabrina-sato-desfila-em-evento-voltado-para-deficientes


Água! Áááágua! Áaaaaaaaa-gua!

Eu já disse a ele que o certo é chupar o dedão da mão, mas ele finge que não entende.

Eu já disse que o certo é chupar o dedão da mão, mas ele finge que não entende.

por Camila Dias

Olá Pessoal!

Como todo mundo deve ter notado, comecei a escrever os posts sobre as férias do Logan (aqui, aqui e aqui) e, depois, não escrevi mais. Uma das boas desculpas é a falta de tempo, outra é que sou ariana e, como toda boa ariana, começo as coisas no maior pique mas, depois, vejo alguma coisa brilhando e mudo o foco, he he He. Mas, seguindo com nossa programação, muitas coisas legais aconteceram durante os 15 dias que o loirinho mais desocupado do Brasil estava aqui em casa.

Banho de balde: você ainda terá um.

Banho de balde: você ainda terá um.

Acresce cebolas e batatas e deixe em fogo baixo.

Acrescente cebolas e batatas, mantendo o fogo baixo.

Não sei se todos sabem ou já escutaram que o Logan é simplesmente fascinado por água, qualquer poça no chão, balde ou simplesmente aquela gota que ficou na pia é motivo de uma grande euforia, e claro, a mãozinha do guri vai direto pra onde está molhado!

Em julho Max estava com cinco meses e meio e portanto, tomando banho naquelas banheirinhas com suporte que a maioria dos pais, inclusive eu, deixam no quarto.  Há também, uns baldes de banho para nenê, que chamam de Mommy Tummy (tradução: barriga da mamãe). Pessoalmente, eu sempre achei esse nome bem pretencioso, como um balde vai fazer as vezes de um útero??? Tentei dar banho no Max usando esse balde quando ele tinha menos de 15 dias e foi terrível: o guri gritava e chorava até que o tirassem dali. Mas estava bem frio em julho e a idéia de deixar o nenê submerso, com a cabeça pra fora, era uma tentativa de ele não estar tão vulnerável à baixa temperatura exterior e portanto, longe de gripes e resfriados.  (Calma gente, já vou chegar no Logan de novo!!!)

O fato é que tentei novamente dar banho de balde no pequeno, e qual foi a minha surpresa quando vi um enorme sorriso no rostinho dele! Foi maravilhoso! Ele já estava confiante naquele recipiente que antes parecia inóspito. Max rapidamente foi testando o ambiente, desceu até que a água atingisse a boca, daí, deu um impulso com o pé e ficou na altura que ele quis. Depois de um tempo, foi levantando as perninhas até ficar na posição fetal! Ahhhh! Agora eu apóio o nome Mommy Tummy para esse tipo de banho! Ele fica ali, firme, ele que decide o quanto vai ficar submerso ou não. Se eu esqueço de pegar uma peça de roupa ou se a toalha está longe, posso ir pegar rapidamente, que o nenê fica ali, curtindo o seu banho!

Não. Não cabem os dois no mesmo balde. Nem tentem!

Não. Não cabem os dois no mesmo balde. Nem tentem!

Tem que esfregar as costas com o pano.

Tem que esfregar as costas com o pano.

E adivinhem quem curtiu mais que o Max esse tipo de banho???? Pois é, o mano Logan subiu num banco, pegou o sabonete e ficou de farra até que a água começasse a esfriar e não desse mais para o Max ficar de molho. Foi uma enorme festa para ambos!

Depois dessa cara, até procuramos um balde tamanho extra-mega-ultra big-large, mas não achamos.

Depois dessa cara, até procuramos um balde tamanho extra-mega-ultra big-large, mas não achamos.

Ruim mesmo eram as vezes em que o pai tinha que pegar o balde e levar para esvaziar no banheiro: Logan ia atrás, como um mini-Flavio, dizendo “ah, não qué!”, totalmente “ofendido” pela audácia daquele adulto barbudo em acabar com a brincadeira.

Pra compensar, nos dias em qua a temperatura ajudou (após as férias), deixamos Logan curtir a sua “piscina de água quente” no box do banheiro. Assim nenhum dos dois “acquaboys” fica fazendo bico. :-)

E antes que eu me esqueça:  agora recomendo a tal Mommy Tummy para todas as mamães!

Abraços e até a próxima!


Dia dos pais – 2010

As pantufas confeccionadas pela escola de Max como presente de Dia dos Pais. São quentinhas. :-)

As pantufas confeccionadas pela escola de Max como presente de Dia dos Pais. São quentinhas. :-)

Nossa! Já faz muito tempo que não apareço por aqui para escrever mais uma das tradicionais “crônicas da vida cotidiana” do blog. A falta de tempo é um fator determinante, mas a verdade é que preciso organizar melhor o meu dia a me comprometer a ter pelo menos uma postagem minha por semana – além da tirinha, é claro. Registro aqui as minhas desculpas e a (mais uma) promessa de tentar organizar o fluxo de postagens. O texto de hoje deveria ter sido postado há algumas semanas, mas só consegui parar para ecsrevê-lo neste feriado de 7 de setembro.

Sábado – Véspera do Dia dos Pais

Este ano a comemoração do Dia dos Pais foi diferente pelos mais diversos motivos. Pela primeira vez me apresentei como pai de dois guris hiperativos e, também pela primeira vez, paguei o mico de exibir em público toda minha falta de habilidade para o artesanato.

Max observa atentamente enquanto o papai pergunta: "é pra fazer o quê mesmo?"

Max observa atentamente enquanto o papai pergunta: "é pra fazer o quê mesmo?"

Acredito que por um erro de comunicação, não recebi a data da festa de Dia dos Pais da escola de Logan, então, como na escola de Max a festa foi marcada para a manhã do sábado anterior à data oficial, levei os dois para a atividade que seria feita por lá. Talvez eu arrumasse uma desculpa esfarrapada qualquer para não ir se soubesse o que seria a tal “atividade”. O porquê, vocês descobrirão logo.

Começamos chegando meia hora antes do horário marcado para a atividade. Se você acha chato ser o primeiro a chegar numa festa, tente ser o primeiro a chegar numa festa da escola do seu filho. É muito, mas muito, pior. Felizmente fomos salvos por mais alguns pais tão disléxicos quanto nós e que não sabiam ver as horas de maneira correta.

Passado o primeiro mico, veio a comemoração propriamente dita. Apresentações, discursos, música, tudo seguindo o roteiro padrão… Mas, que diabos eram aquelas folhas de papel-de-seda, cola e tesouras separadas ali no canto?

Ele é muito mais habilidoso do que eu. Sério.

Ele é muito mais habilidoso do que eu. Sério.

“Vamos pedir agora para os pais sentarem-se nas mesas e separarem o material. Sabemos que alguns já têm habilidade com a confecção de pipas, então nossa proposta é de um Dia dos Pais diferente…”, sinceramente depois de ouvir “confecção de pipas” todo o resto perdeu o sentido. “Como assim ‘confecção de pipas’?” eu me perguntava, beirando o pânico.

Apesar de ter sido praticamente criado ao ar livre, numa época em que era possível jogar bola em ruas de terra e andar de bicicleta em volta do Lago dos Patos em Guarulhos e travar grandiosas guerras de mamonas (o fruto, não a banda), sempre fui péssimo para empinar e pipas (na verdade não me lembro de ter conseguido colocar alguma no ar) e pior ainda para fazê-las.

Eu juro que queria trocar de lugar com Logan.

Eu juro que queria trocar de lugar com Logan.

E bem, lá estava eu: o “artista”, o “desenhista”, o sujeito que em teoria possui boas habilidades manuais, intimidado pelo bambu e pela cola. Por sorte havia uma professora explicando, num maravilhoso método “for dummies”, como montar a mais básica de todas as pipas.

Como ficar sentando olhando não é bem a praia de Logan, ele aproveitou meu drama momentâneo e foi esbaldar-se no playground da escola ao lado de outras crianças tão sem paciência quanto ele. Na verdade, se fosse uma opção, eu também teria ido para o tanque de areia. Infelizmente, não era. Então, fiquei na mesa, tentando fazer uma pipa digna do nome enquanto que Max observava a tudo atentamente em seu carrinho. Camila foi cuidar para que o loirinho não se metesse em encrencas.

Por este ângulo, até parece uma pipa.

Por este ângulo, até parece uma pipa.

Dobra aqui, corta ali, cola acolá, faz uma diagonal e tcharam! A pipa mais torta do mundo estava pronta! Sério: consegui a proeza de marcar errada a diagonal em uma folha cortada simetricamente. E ainda tem gente que confia em mim pra diagramar livros e revistas…

Recolhi o pouco de orgulho que me sobrou, posei para fotos com meus dois meninos ao lado daquilo que deveria ter sido uma pipa, tendo a certeza de que, se depender do velho pai aqui, este não será um brinquedo comum em casa.

O restante do sábado foi tranquilo. Mais tarde, Logan teve fisio, fono e terapia ocupacional e depois cuidamos das tarefas do dia porque no domingo precisávamos ir até a casa do Vô Dódi (meu pai) levar seu presente de Dia dos Pais.

Domingo – Dia dos Pais

Pouco depois do almoço fomos até a casa do vô Dódi levar o pijama que a Mi comprou para ele (sim, eu sou péssimo pra essas coisas e agradeço a Deus por ter uma esposa que adora cuidar destes assuntos).

Chegamos lá; abraços, cumprimentos, fotos com os pais do clã e suas crias (está no post) e a entrega de presentes. Eu devia saber que o “desastre” no evento do dia anterior era um presságio, mas achei melhor acreditar que era um evento isolado. Quanta ingenuidade…

Em sentido horário: Tio Chu, eu, Max, Vô Dódi, Logan e Gustavo.

Em sentido horário: Tio Chu, eu, Max, Vô Dódi, Logan e Gustavo.

Para nossa (nossa?) surpresa, o pijama não serviu no vô Dódi. Ficou pequeno. Ficamos chateados, é claro. A Mi, principalmente, estava morta de vergonha achando que aquela tinha sido a gafe do ano. Felizmente a genética dos Neumann fala alto nessas horas e descobrimos que TODOS os presentes dados para o velho não serviram! Não me pergunte porque cargas d’água todos resolveram comprar roupas pra ele, mas a verdade é que não apenas todos tiveram a mesma idéia como também tiveram a mesma falta de noção em relação ao tamanho do nosso velho pai (sim não sou o único filho paspalho do seu Flávio).

Depois de algumas risadas, trouxemos o presente de volta para trocá-lo por um com a numeração certa. Soube nesta semana, pela minha irmã, que o pai estava andando cabisbaixo pela casa e se lamuriando, dizendo que ganhou “um monte de presentes no Dia dos Pais, mas que todo mundo levou embora para trocar” e que, até agora, não os trouxeram de volta.

Se eu tivesse deixado a pipa, que estava na mala do carro, com ele, pelo menos um presente de Dia dos Pais teria ficado por lá. Raios. Nem pra isso ela serviu…


Brincando no chão do quarto

Preparando-se pra começar a bagunça

Preparando-se pra começar a bagunça

por Camila Dias
Olá, leitores!
Obrigada pela presença, mais uma vez!
Em um desses dias incríveis das férias, estávamos os quatro; eu, Flavio, Logan e Max, brincando no quarto dos guris. Enquanto eu incentivava o Max a balbuciar, Flavio desenhava no quadro branco e perguntava ao Logan o que era a figura. Flavio desenhou o Barney, o Mignola, eu, igual aos quadrinhos e Logan disse o nome de todos! (Essa atividade incentiva o portador da síndrome de Down a ampliar o vocabulário e pronunciar as palavras, exercitando, também, os músculos da face). Logan conhecia as figuras

Logan assume as rédeas da brincadeira e começa a desenhar

Logan assume as rédeas da brincadeira e começa a desenhar

desenhadas pelo pai e seus nomes, mas isso  não significa que ele não vai tentar burlar as regras da brincadeira e deixar de pronunciar. Como de costume, as crianças não se atém muito tempo na mesma atividade, então, o loirinho sentou, esticou as perninhas e os braços em direção ao irmão e disse a frase que ele não cansa de repetir:

- Colo! Cooooolo! Colo!
Daí não tem jeito: temos que colocar o bebê no colo do seu super herói preferido e assistir os dois se olhando, se fazendo carinho (sei que parece repetitivo, mas o que posso fazer se eles são apaixonados um pelo outro?), até que Max comece a se atirar pra trás, deixando Logan sem ação. Infelizmente, nesse momento, somos obrigados a interromper a brincadeira e Logan, hiperativo como só ele consegue ser, sai à procura de novas estrepulias pelo quarto.
Uma das coisas que Logan mais gosta no quarto deles é o móbile do berço do irmão. Quando montamos o berço, uma semana antes do nascimento do nenê, Logan estava nas férias de verão em casa (que não teve postangens por conta da correria e do nervosismo do pai durante a “pré-chegada” de mais um desocupadinho) e assim que viu o móbile montado, se encantou e não parava de empurar o brinquedo. O problema é que o “empurrar” de Logan é daquele jeito meio desastrado, que, por pouco, não araranca o brinquedo fora, tadinho. Eu morria de medo que estragasse antes do nenê nascer, mas, ao mesmo tempo, seria de uma crueldade absurda não deixar o loiro curtir a brincadeira (além do mais, brinquedos compram-se em lojas, sorrisos sinceros e felizes, não). Sempre que acionamos o brinquedo, que é à corda, Logan diz:
- Vai!
Um menino muito beijoqueiro

Um menino muito beijoqueiro

É super divertido! A primeira vez que ele falou “vai” me emocionei muito, porque são nessas pequenas situações que percebemos o quanto ele consegue aplicar de palavras dentro do contexto correto. É lindo ver os progressos constantes dele.

Dali a pouco (como você pode ver na foto), Logan subiu na cama para aproveitar que o Flavio estava sentado no chão, escorado nela, e foi fazer um cafuné super gostoso no seu papai. Isso virou uma baita bagunça, cheia de risadas, porque depois de um tempo, ele quer trocar de lugar e ganhar o cafuné, depois ele quer empurrar o pai pro chão e fazer macaquices. É um tal de empurra, puxa, estica, que deixa a gente morto de cansaço. Enquanto todo mundo ri, Max fica na

Comendo os pés do loiro

Comendo os pés do loiro

espreita, sacudindo os braços e as pernas como quem vai sair correndo pra bagunçar junto. Ele sabe que logo logo estará no chão rolando junto com os outros dois desocupados e a pergunta que fica é: quem é que vai arrumar a bagunça que esses 3 moleques vão fazer, hein?