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Artigo publicado no site da Fundação Abrinq, citando como fonte a Folha de São Paulo
ECA faz 20 anos sem contemplar novas tecnologias
Entre conquistas e desafios, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) completa 20 anos nesta terça-feira, dia 13.
O conjunto de leis cujo objetivo é a proteção integral da criança e do adolescente tem como obstáculo principal a ser enfrentado a inclusão da internet e das novas tecnologias na rede de segurança dos menores.
“O ECA não contemplou um sistema de proteção que alcance o tráfico de imagens, a pedofilia, a pornografia e outros abusos que existem na internet” diz Mário Volpi, o gerente de projetos da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Por outro lado, Volpi acha que o estatuto promoveu novas metodologias com o uso da tecnologia, para fortalecer processos educativos.
Pais devem ficar atentos: a atual geração de jovens utiliza maciçamente comunicadores instantâneos, salas de bate-papo e, principalmente, redes sociais.
Existem várias maneiras de monitorar, de forma sadia, as atividades dos filhos no computador. Nos sites fss.live.com e k9webprotection.com há dicas e ferramentas para acompanhar os sites visitados por crianças e adolescentes, as imagens vistas na web e até tudo que é digitado no micro.
O texto à seguir, escrito por Lucio Carvalho, foi publicado em 2 de julho de 2010 no site Inclusive
Criada em abril de 2010, a partir de um projeto da ONG internacional Invest for Chidren, a Down TV, primeiro canal audiovisual temático sobre a síndrome de Down do mundo, acaba de lançar o 1º Concurso Internacional Down TV (clique para ver o regulamento em inglês) de curtas sobre a síndrome de Down, que recebe inscrições até o final do ano.
Caracterizado como um canal interativo feito a partir de produções autônomas e de reportagens especiais, o canal busca reunir material audiovisual sobre diversas temáticas relacionadas, como educação, esporte, lazer, vida independente e sexualidade. O site conta ainda com um blog para troca de informações entre os participantes e está acessível em vários idiomas, entre os quais o português.
Este excelente texto foi publicado em 11 de junho de 2010 por Laís Mendes Pimentel no site Inclusive.
Saindo da Caverna
por Láis Mendes Pimentel*
 Breno Viola, no púlpito da Câmara dos Deputados, em 2010, onde disse que era a hora das pessoas com síndrome de Down representarem-se a si mesmas, e indicou seu desejo.
O que fez o homem sair da caverna, esfregar pedras uma contra a outra para obter fogo, inventar a roda para facilitar o transporte, e preparar lanças para vencer animais fisicamente mais preparados do que ele? A curiosidade, a coragem, o ímpeto de vencer, a vontade de tornar a vida mais fácil para si e para todos.
Mas foi um homem que fez isso tudo sozinho? A resposta é óbvia, né? Não. E todos os homens do grupo se animaram para viver estas aventuras quando um deles propôs encarar o mundo? A resposta desta tampouco é difícil de obter. Claro que entre os Pitecos, havia uma ala que só dava pitacos do contra. “Deixa disso, maluco! Vai virar comida de leão! Não inventa! Você não vai dar conta! Precisamos nos resguardar!”
Se não fosse a ousadia de alguns, estaríamos até hoje disputando, com os dentes, uma pele de urso com o coleguinha do lado.
O movimento de inclusão das pessoas com deficiência intelectual, no Brasil, vive uma situação semelhante às descritas acima. A candidatura de Breno Viola ao cargo de presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) é uma oportunidade real de honrarmos a batalha diária, secular vivida diariamente por pessoas que nasceram ou adquiriram alguma deficiência intelectual, assim como seus parceiros de luta: pais, amigos, parentes e educadores.
Mas há quem diga que o Breno não está preparado. Baseado em que alguém pode dizer isso? Outra perguntinha de resposta fácil: Em seus próprios medos. O mais doloroso é saber que tal opinião parte de pessoas que se dizem a favor da inclusão das pessoas com Down na sociedade, de igual para igual, roçando cotovelos na caminhada em direção à igualdade de direitos. Sei…
Independente de ideologias (e a candidatura do Breno à FBASD não reflete nenhuma), quem poderia dizer que um homem negro com nome de árabe seria presidente dos Estados Unidos menos de 10 anos depois do ataque ao World Trade Center? Barak Hussein Obama é o nome do cara.
E Lula? Que tantos preconceituosos ainda chamam de analfabeto, não está aí? Para o bem ou para o mal? Quantos disseram que ele não tinha condições de ser presidente da República? Mais uma vez, gostando ou não, ele ocupa este cargo a dois mandatos, legitimado pelo voto popular.
É clara e desconcertante a cisão do movimento de inclusão neste momento no Brasil. O desejo da candidatura do Breno Viola, defendido tão corajosamente por ele, já valeu para mostrar quem é inclusivo da boca pra fora, quem prefere se resguardar atrás de teorias e deixar a prática para os outros países.
Se dependêssemos destas pessoas, meu filho, Francisco, estaria numa instituição para crianças especiais e não numa escola regular.
Quem tem filho com Down sabe que a inclusão é suada, tem altos e baixos, surpresas positivas, decepções. Assim é a vida. A inclusão só está sendo construída diariamente graças aos que não se negaram a acreditar e a arriscar. Os que dispensaram porta-vozes e acreditaram, mesmo, que alguém com Down pode ir à luta, se expor de verdade. E que os erros e falhas serão bem-vindos pois serão reais e nos ajudarão a construir uma realidade em que não precisaremos de pessoas que se acham mais capacitadas a decidir a vida do meu filho do que ele um dia poderá decidir.
* Laís Mendes Pimentel é jornalista, roteirista e mãe do Francisco, de 9 anos
Reportagem publicada em 19/04/2010 no portal do jornal O Globo.
Versão editada. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.
Reportagem de André Machado.
RIO - Foi dada a largada na versão inicial de um game brasileiro desenvolvido no Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense, sob a orientação do professor Esteban Gonzalez Clua, bamba na área. Trata-se do “Jecripe”, e o acrônimo que forma seu nome diz tudo: Jogo de Estímulo a Crianças com Síndrome de Down em Idade Pré-Escolar.
O jogo foi criado por André Brandão, doutorando do instituto e sua versão inicial está disponível para download gratuito na internet. O processo de desenvolvimento, que durou aproximadamente dez meses, recebeu apoio da Secretaria estadual de Cultura, e também teve consultoria de especialistas como fonoaudiólogos.
O “Jecripe” nasceu da observação de André do trabalho de sua mãe, a fonoaudióloga Silvia Brandão, com crianças portadoras de Síndrome de Down.
- Ele, na verdade, serve para todas as crianças em fase pré-escolar - diz. - Mas seu maior foco é nas portadoras da síndrome.
O game se passa numa ilha bem colorida, que tem inicialmente três ambientes (mas já está com novos prédios prontos para futuras expansões). No primeiro deles, a criança deve aprender a mexer com o mouse e pegar coisas com ele num quarto de brinquedos. Depois, treina os cliques fazendo bolhas virtuais de sabão e assinalando os brinquedos que aparecem dentro delas.
- Em seguida, a criança deve acompanhar o herói do jogo, o Betinho (um menino com Síndrome de Down), em músicas e danças - diz André. - Essa fase pode ser assistida por um especialista.
Na última parte, o jogador aprende o processo de arrastar-e-soltar do PC, pegando e entregando a um bebê os objetos que ele pede. Num vídeo feito pelos estudantes, uma criança de 5 anos portadora da síndrome joga o game, com todos os sinais de que está se divertindo.
A ideia de pôr os jogos na internet gratuitamente nessa fase piloto visa a chamar a atenção do mercado para essas iniciativas, bem como acenar com possíveis usos pedagógicos do material, já que as aulas para a geração Y - que já cresceu conectada à internet - andam cada vez mais interativas.
A versão inicial do jogo pode ser baixada aqui: http://jecripe.wordpress.com/download
Reportagem publicada no site do Correio Brasiliense em 06/04/2010
Portadores da síndrome de Down pedem fim da discriminação
Diversas associações de portadores de síndrome de Down compareceram ontem (6) na sessão solene realizada pela Câmara Federal em homenagem ao Dia Internacional da Síndrome, comemorado oficialmente no dia 21 de março. O consenso entre os participantes é que ainda predomina a falta de oportunidades e a discriminação para estas pessoas.
Segundo a presidente da Federação Brasileira das Associações da Síndrome de Down, Claudia Grabois a discriminação ainda é um dos principais obstáculos para as pessoas com a deficiência. “Precisamos criminalizar a discriminação. A falta de acessibilidade é discriminação.”
De acordo com o censo demográfico de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 300 mil pessoas nasceram com a síndrome no país e 14,5% da população brasileira, cerca de 26 milhões de pessoas, têm alguma deficiência física ou mental.
Segundo Cláudia, as pessoas com deficiência sempre foram renegadas a invisibilidade social e para romper com esta condição é fundamental que elas estudem, trabalhem e tenham vida social. “Houve avanços, mas no Brasil ainda há muitas pessoas que não tem acesso à educação e ao trabalho. Queremos que estas pessoas assumam seu papel na sociedade”.
O judoca, carioca, Breno Viola, 30 anos, é uma das pessoas que quer conquistar seus direitos. “Precisamos mostrar o talento das pessoas com deficiência. Chega! A gente precisa acabar com este preconceito. A legislação brasileira tem que sair do papel. Todo o deficiente merece estar em escola pública e ser cidadão”.
O professor de educação física, Humberto Suassuna, 30 anos, também tem síndrome de Down. Ele é personal trainer e dá aula de natação em Recife, mas garante que o preconceito é grande. “O acesso ao mercado de trabalho ainda é difícil para quem tem síndrome de Down”, relata.
O mesmo ocorre com Jéssica Mendes Figueiredo, de 18 anos. Ela é estudante do 3º ano do ensino médio, em Brasília, e também tem ambições profissionais. No final do ano, fará vestibular para artes cênicas. “Meu sonho é trabalhar como atriz. Sempre sonhei em ter esta profissão”, conta.
O Brasil ratificou a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência em 2009. O compromisso do país é o de implantar um sistema educacional inclusivo.
Segundo a secretária de Educação Especial, do Ministério da Educação (MEC), Cláudia Pereira Dutra, o ministério vem eliminando o processo histórico de exclusão. “Nossas principais políticas são no âmbito da acessibilidade como a adequação arquitetônica dos prédios escolares, formação especial para docentes e a implantação de sala de recursos multifuncionais como computadores e jogos pedagógicos para ensino de libras e braile”.
Reportagem publicada no site da Agência Senado em 15/03/2010
Galerias do Senado expõem arte de pessoas com síndrome de Down

Começou nesta segunda-feira (15) e vai até a sexta-feira da próxima semana (26), a exposição de arte “Pintou a Síndrome do Respeito”, com 38 telas de pessoas com síndrome de Down, todos eles alunos do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, de São Paulo. A exposição é parte das comemorações do Dia Internacional da Síndrome de Down, dia 21 de março. Os trabalhos já estão expostos no Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima e na Senado Galeria, e o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM), vai inaugurar oficialmente a mostra nesta terça-feira (16), em solenidade às 18 horas.
No Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima estão 18 telas, todas elas recriações de obras de artistas plásticos brasileiros contemporâneos ainda vivos. Cada recriação é um trabalho coletivo de quatro jovens portadores da síndrome de Down, alguns deles ainda crianças. O mais jovem tem apenas sete anos de idade. Já na Galeria do Senado, estão 20 quadros individuais de portadores da síndrome.
O Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, na capital paulista, é uma organização da sociedade civil de interesse público e atende a 257 crianças, adolescentes e adultos jovens portadores da síndrome de Down. O presidente da instituição, Wolf Kos, explica que a síndrome de Down é uma ocorrência genética que atinge um entre 700 bebês. Durante a gestação, as células do embrião são formadas por 47 cromossomos, em vez de 46. Com cuidados, educação e boa formação, o portador da síndrome pode levar uma vida produtiva e praticamente normal.
A curadora da exposição, Silvana Gualda, informa que o Instituto Olga Kos mantém oficinas de arte e atividades esportivas, com aulas de caratê e taekwondo. Os quadros em exposição no Senado são todos óleo sobre tela. O espaço de exposições do Senado tem um público avaliado em quatro mil pessoas por dia.
Cezar Motta / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Notícia publicada em 25/02/2010 no blog Amigos de Pelotas reportando a excepcional (e inédita) inciativa da Associação Pelotense de Cinema Independente (Cinepel).
Produção pelotense traz para o cinema história contada pela ótica de portador da síndrome de down’
Um mundo down? Esta é a proposta da Associação Pelotense de Cinema Independente (Cinepel), dando início à produção de um longa-metragem onde a realidade é vista sob o ponto de vista dos portadores da Síndrome de Down. Com direção de José Mattos e P.C. Nogueira, roteirizado pelo escritor e roteirista Manoel Soares Magalhães, colunista deste blog, o filme terá apenas um personagem não portador da doença. A Editora Livraria Mundial vai publicar o roteiro, a ser lançado quando o filme estrear
Um filme ousado? Pode ser. Ousar, porém, não é a intenção dos diretores. O propósito maior é mostrar a dificuldade de ser um estranho no ninho. A história, narrada sob o ponto de vista de um pedagogo, centraliza o foco em suas experiências de vida. Fruto de gravidez não planejada, Fábio nasceu diferente de seus irmãos, provocando caos familiar.
“Como a realidade é down”, argumenta José Mattos, “o filho anormal tem como característica a nossa normalidade. Pretendemos, nesta inversão, enfatizar o quanto é difícil lidar com a diferença, com o preconceito e a rejeição”.
Mattos não esconde o entusiasmo com a proposta, em sua avaliação inédita. “Até agora não existe nada parecido no Brasil. Por isso nosso entusiasmo e, também, preocupação no sentido de fazer um filme sensível e inteligente, esmiuçando o universo das diferenças. Todo o cuidado é pouco, pois entendemos que o assunto tem de ser tratado com a maior delicadeza”.
Pela importância do projeto, destacam Mattos e P.C. Nogueira, “fomos atrás do escritor Manoel Soares Magalhães, com larga experiência na literatura, no teatro e cinema. Como pretendemos trabalhar com pessoal apenas de Pelotas, valorizando a prata da casa, o nome de Magalhães sobressaiu-se sobre os demais em função de seu reconhecido talento como contador de história”.
O filme, ainda sem nome, em processo de produção, conta com a colaboração da APAE, já inteiramente envolvida no projeto, assessorando a Cinepel no sentido de por à disposição dos diretores um “casting” portador da Síndrome de Down em condições de desempenhar satisfatoriamente o papel a ele destinado.
“Como a Síndrome de Down tem vários estágios, existem aqueles que não são inteiramente comprometidos, tendo amplas condições de interpretarem seus papéis de forma convincente”, destaca PC Nogueira, “revelando que as filmagens do longa começam em março, inclusive com locações externas, com extras portadores da doença povoando a cidade”.
Quem conhecer um portador da Síndrome de Down que seja bem-falante, com boa capacidade de aprendizado, inclusive alfabetizado, para integrar-se ao elenco do filme fazer contato através do fone 99461807, falar com José Mattos.
Artigo publicado no site Waves do portal Terra em 01/03/2010, mostrando mais um excelente exemplo que prova, novamente, que a inclusão se faz em todos os lugares onde há boa vontade e disposição.
Escola dá aula de inclusão
Por Thiago Ferrão
No último sábado, dia 27 de fevereiro, a Escola de Surf da Riviera promoveu uma verdadeira lição de vida e inclusão social em sua arena, localizada no módulo 1 da Riviera de São Lourenço, Bertioga (SP).
Em parceria inédita com a entidade APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), mais de 15 pessoas portadoras de necessidades especiais tiveram, gratuitamente, uma aula de surf muito divertida.
A equipe de professores da escola se mobilizou e proporcionou momentos mágicos para alunos, pais e amigos. A aula é uma das ações do projeto social Surf Para Todos, que também atende crianças carentes da região e promove a educação por meio do surf.
Seguindo os padrões da Escola, na aula foram englobadas parte teórica, prática na areia e na água. O sucesso foi absoluto com muitos dos participantes conseguindo ficar de pé e outros que divertiram pra valer controlando a prancha na onda.
Fábio Fujimoto representou os cadeirantes atuando com bastante estilo em sua quinta aula de surf nesse ano. Os demais alunos possuiam síndrome de down e outras deficiências mentais com diferentes graus de evolução.
Independente do caso, mais uma vez ficou comprovado que o surf não possui qualquer limitação podendo ser usado como uma excelente ferramenta de inclusão social, melhorando a auto-estima e proporcionando o bem estar entre seus praticantes.
Com doze anos de experiência a Escola de Surf da Riviera já atendeu diversas vezes grupos especiais. Sempre as iniciativas são gratuitas, contam com uma equipe altamente qualificada e materiais de ponta.
Para obter mais informações sobre o evento, entre em contato pelos telefones (0xx13) 3313-1027 / (0xx13) 9132-5717 ou acesse o site Escola Riviera.
Ontem, dia 22, o portal do G1 e o site português IOL publicaram a mesma nota falando de um ato lamentável (para não dizer asqueroso, preconceituoso, criminoso), que precisa ser apurado, julgado e punido com todo o rigor possível para que sirva de exemplo a todo e qualquer homem-livre que se julga no direito de determinar qual é o biótipo padrão a ser adotado no mundo.
Os dois sites informaram sobre a criação, na Itália, de uma página/comunidade no site de relacionamentos Facebook onde é proposta uma “solução final fácil e divertida” para se “livrar destas criaturas repugnantes” — no caso, portadores da síndrome de Down: utilizá-las como alvo, móvel ou fixo, em estandes de tiro.
A página da comunidade exibe ainda a foto de um bebê portador da síndrome com a palavra “idiota” escrita na testa.
Revoltante para se dizer o mínimo.
Podemos dizer que isso é o fruto bem acabado do anonimato da internet que dá a vermes preconceituosos e ignorantes a oportunidade de destilar o seu veneno em escala mundial com poucas chances de identificação, visto que raramente um animal deste porte vem à público assumir seus desvios de caráter e sua falta de humanidade e declarar-se como “pai” da grandiosa idéia.
Mais triste do que saber que existem no mundo criaturas podres o bastante para se darem ao trabalho de criarem uma comunidade tão execrável é vermos que, no domingo 21, a página já contava com quase 1700 afiliados. Isso mesmo. Você leu certo: 1700.
Sempre haverão idiotas dispostos a seguir outros idiotas e pregar a prática de atrocidades como solução para tudo. Para esses “homens” é mais fácil puxar o gatilho do que investir em esclarecimento, capacitação das escolas públicas e a criação de centros capazes de promover a inclusão de forma efetiva.
A espiral de irracionalidade e violência cresce a olhos vistos e ninguém faz nada para mudar este cenário.
Já tivemos propostas para a “solução final” ao problema dos judeus, dos negros, dos homossexuais e, agora, a “humanidade” nos apresenta a solução para a Trissomia do Cromossomo 21. O que virá a seguir? A “solução final” para os canhotos? Para os idosos? Para o seu vizinho que gosta de escutar Luiz Ayrão no sábado à tarde no último volume?
E assim seguimos em nossa gloriosa escala evolutiva.
EM TEMPO: Após uma série de protestos dentro do próprio Facebook exigindo o fim da comunidade, a referida página foi retirada do ar e a ministra italiana da Igualdade Mara Carfagna declarou que a polícia já está cuidando do caso e prometeu uma ação legal contra os responsáveis pela página que, em suas palavras, é “inaceitável e perigosa”.
Fiquemos de olho para que esta não seja mais uma denúncia que se perde nos meandros da justiça.
Esta matéria foi publicada no jornal Cruzeiro do Sul e em sua versão eletrônica em 18/02/2010
Grupo trabalha pela inclusão dos portadores de Down
por Rodrigo Gasparini
“Trabalhar pela independência, autonomia e, principalmente, pela felicidade dos portadores da síndrome de Down”. Nas palavras de Tomás André dos Santos, esta é a missão do Grupo Felicidade Down, fundado há quatro anos por ele e sua esposa, Célia Regina dos Santos.
Sem constituição formal e fugindo da burocracia (Tomás faz questão de salientar que o grupo não é uma ONG), o ‘Felicidade’ tem 300 famílias cadastradas e atua na inclusão social de downs - como são chamados os portadores da doença - e seus pais. O trabalho é feito através de encontros, passeios, excursões, festas e cursos, entre outras atividades.
A motivação dos fundadores do Felicidade Down atende pelo nome de Bruna Teresa, uma jovem de 27 anos de idade, filha do meio do casal. “Você vê muito pai que, quando recebe a notícia de que o filho é down, o mundo cai. Conosco, isso não aconteceu”, conta Tomás. Apaixonado por motocicletas, ele tem justamente na filha deficiente a maior companheira de passeios em duas rodas. “Todo domingo de manhã a gente vai num posto de gasolina para encontrar o pessoal que anda de moto”.
A jovem Bruna, aliás, é um grande exemplo de como a inclusão social pode melhorar a qualidade de vida dos portadores da síndrome. Trabalhando há 12 anos numa rede de lanchonetes, ela sente na pele a importância de uma vida próxima do considerado normal. “O trabalho abre uma dimensão totalmente nova. Minha filha se tornou outra pessoa, se valoriza mais”, conta o pai, orgulhoso.
O Felicidade Down não é uma entidade constituída e funciona sem CNPJ, atas de reuniões, diretoria e livro caixa. A opção do casal de fundadores foi justamente pela fuga da burocracia. “Não fazemos assistencialismo. Somos uma comunidade”, explica Tomás. Filosofia que se reflete também na hora de arrecadar fundos para as atividades: “Se vamos fazer um passeio, vemos quantas pessoas podem ajudar e dividimos o valor”. Assim, o grupo não tem dinheiro em caixa.
O tempo e a energia economizados com a dispensa de trabalhos burocráticos são utilizados na realização de atividades voltadas à inclusão dos portadores de Down. Passeios, idas ao cinema e visitas ao zoológico são comuns. O grupo também firma parcerias para oferecer aos deficientes cursos de inglês, de modelo, balé, informática, teatro e aulas de futsal. O ‘Felicidade’ ainda organiza as comemorações, em Sorocaba, do Dia Internacional da Síndrome de Down (21 de março).
Inclusão começa pelos pais
Por incrível que possa parecer, a maior dificuldade dos responsáveis pelo Felicidade Down não está em convencer a sociedade da importância da inclusão, mas sim trabalhar para que os próprios pais dos deficientes entendam isso. “Nossa ideia é fazê-los verem que é possível (a inclusão)”, diz Tomás. Segundo ele, o maior problemas que um down pode enfrentar é o superprotecionismo dos pais. “Trabalhamos para alertá-los que o filho deles não é um cachorrinho, mas um ser humano. E o jeito de motivar é mostrar que a criança pode ser feliz, buscar sua própria identidade e autonomia”.
O responsável pelo grupo avalia que, em Sorocaba, ainda são poucos os portadores da Síndrome de Down que interagem com a sociedade. “O resto está em casa, guardadinho”, critica. A estimativa é baseada na própria dificuldade que ele e sua esposa encontram quando vão organizar alguma atividade. “A Célia fica telefonando. Liga para 100 famílias e consegue 20”, exemplifica. Até mesmo a inclusão no mercado de trabalho é dificultada pela resistência dos pais.
Mas, se ainda há quem relute em deixar o filho down conviver normalmente com a sociedade - muitas vezes por falta de informação -, as crianças e jovens com a sorte de terem pais “liberais” saboreiam a melhor qualidade de vida que adquirem ao longo do tempo. Por conta dos eventos e encontros promovidos pelo ‘Felicidade’, uma turma de fiéis amigos se formou. “Eles conversam pelo MSN, orkut e telefone. Criaram um círculo que antes não existia”, ressalta Tomás. Festas de aniversário e até baladas são frequentadas pelos downs, que por conta disso acabam fazendo amizades também com pessoas sem deficiência. Esta espécie de circuito social reúne, atualmente, cerca de 30 famílias.
No Carnaval
No Carnaval de rua deste ano, 20 downs desfilaram num bloco da escola de samba 28 de Setembro. A apresentação dos deficientes na passarela do samba, que ocorreu pela terceira vez, traz a cada ano uma nova e fortalecedora experiência. “A plateia levanta, bate palmas e vibra. O pessoal percebe que, para quem está desfilando, é uma vitória”, resume Tomás.
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