ECA: 20 anos distante da era digital

Artigo publicado no site da Fundação Abrinq, citando como fonte a Folha de São Paulo

ECA faz 20 anos sem contemplar novas tecnologias

Entre conquistas e desafios, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) completa 20 anos nesta terça-feira, dia 13.

O conjunto de leis cujo objetivo é a proteção integral da criança e do adolescente tem como obstáculo principal a ser enfrentado a inclusão da internet e das novas tecnologias na rede de segurança dos menores.

“O ECA não contemplou um sistema de proteção que alcance o tráfico de imagens, a pedofilia, a pornografia e outros abusos que existem na internet” diz Mário Volpi, o gerente de projetos da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Por outro lado, Volpi acha que o estatuto promoveu novas metodologias com o uso da tecnologia, para fortalecer processos educativos.

Pais devem ficar atentos: a atual geração de jovens utiliza maciçamente comunicadores instantâneos, salas de bate-papo e, principalmente, redes sociais.

Existem várias maneiras de monitorar, de forma sadia, as atividades dos filhos no computador. Nos sites fss.live.com e k9webprotection.com há dicas e ferramentas para acompanhar os sites visitados por crianças e adolescentes, as imagens vistas na web e até tudo que é digitado no micro.


Educação inclusiva: Brasília no caminho certo

Este texto, da colunista de política do Jornal de Brasília, Margrit Schmidt, me foi enviado pela amiga Katia Gontijo, que recentemente mudou-se para a capital federal com seu filho Mateus.

Nele são falados os aspectos positivos da educação pública inclusiva praticada na cidade (bem como seus aspectos negativos). É claro que nem tudo são flores e o trabalho realizado em Brasília não é perfeito, mas, é inegável dizer que, pelo que a jornalista expõe, no que diz respeito à inclusão, o ensino público na capital brasileira está muito mais desenvolvido que em lugares como São Paulo, por exemplo.

Brasília Especial

Brasília

Brasília

Brasília aos cinqüenta anos é a capital onde se vive melhor dentre as grandes cidades brasileiras, como foi recentemente atestado no ranking periódico do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Há problemas, muitos, não resta dúvida. E os mais graves, como se sabe, estão na esfera da política. A cidade não conseguiu eleger dirigentes que reúnam boa gestão com honestidade e ética. Certamente há os éticos e honestos, como também já tivemos bons formuladores de políticas públicas. Mas, o conjunto da obra ainda precisa de infindáveis consertos para que a cidade agregue resultados no longo prazo e consiga usufruir do desejável círculo virtuoso da boa gestão.
Um dos exemplos de formulações de políticas públicas avançadas em conceitos e concepções em direção a valores caros à democracia, a cidadania, a ética e ao senso de justiça social pode ser observado na área educacional. Na criação da capital lá estava o professor Darci Ribeiro a escancarar suas radicais e necessárias idéias sobre democracia e educação. O compromisso com a educação como um ideal, portanto, já estava nas origens da nova capital. As virtudes, assim como os vícios têm a capacidade de se infiltrar nos organismos vivos, biológicos ou sociais. O senador Cristovam Buarque (PDT), ex-governador, fez aqui o Bolsa Escola e continua na sua atividade parlamentar sublinhando as qualidades de uma boa educação, martelando a necessidade de inocular o vírus da educação universal pública.
São dois nomes que inegavelmente deixaram um legado à cidade e ao sistema educacional, traduzido nas pessoas: professores, diretores, merendeiras, faxineiros, em todos os envolvidos com a escola. Um aspecto que chama a atenção no sistema educacional de Brasília, herança virtuosa de Cristovam e Darci, é a educação inclusiva. A educação inclusiva é um dos mais sensíveis exemplos de como as instituições sociais e o Estado aplicam os valores que condicionam o respeito à dignidade humana ao respeito à diversidade, base das sociedades democráticas. A aceitação do aluno portador de necessidades especiais por todo o ambiente escolar é uma prova da nossa condição de humanidade. Afinal cada um de nós é “diferente”, mesmo parecendo às vezes mais iguais.
O testemunho de uma mãe sobre a Escola Pública para especiais em Brasília dá a medida do quanto avançamos, mas também preocupa, pois a pouca atenção que vem recebendo na atual administração, compromete não só o resultado final: se o descaso persistir, poderá ter desatrosas conseqüências.
O pequeno Mateus, de seis anos, tem Síndrome de Down e está na Escola Classe da 102 Sul onde não se fala de inclusão, a criança já está incluída. A mãe de Mateus diz “o que pude perceber desde o primeiro contato foi que todos os profissionais estão a fim de acolher, de cuidar, de educar. Não existe medo ou receio, não existe dúvida. Existe sim, amor. Quatro vezes por semana ele freqüenta a Escola Classe e uma vez por semana a Escola Parque. Lá ele faz educação física, música e artes visuais. Tudo maravilhoso”, diz a mãe de Mateus, emocionada. Acrescenta que “inclusive, uma vez por semana ele tem atendimento com uma psicopedagoga no horário diferente do curricular, na própria escola.”

Mas os problemas estão aí para desafiar o comprometimento da atual gestão com os avanços. “Nas primeiras semanas, na Escola Parque, começaram a me ligar para que eu buscasse Mateus mais cedo. Incomodada, fui procurar a Diretora, que muito atenciosa, me explicou que não existe um número suficiente de monitores para os especiais”. Para a surpresa mãe de Mateus, a Secretaria de Educação contratou monitores para todo o Plano Piloto mas ” esqueceu” da Escola Parque. “Os profissionais só no final do segundo semestre virão para o Plano”, disse a diretora.
Admirada com a excelência da escola, a mãe descobriu que a oftalmologia também faz parte dos serviços da Secretaria de Educação. Mas veio a decepção. Prometidos para vinte dias após a consulta, os óculos ainda não estão prontos e não há previsão. Inconformada pelo descaso com os meios para que as crianças sejam realmente atendidas num sistema tão valioso e sofisticado, a mãe do menino diz que as verbas precisam ser urgentemente liberadas pelo governador, pois já está faltando gás para a merenda e também material escolar. É uma pena.

Em tempo: em 09/06/2010, a mãe informou que a Escola Parque já contava com os monitoes em seu quadro de funcionários. Quanto aos óculos, estes ainda não haviam sido providenciados. (itálico do blogueiro)


Congresso sobre inclusão no mercado de trabalho

A amiga Kell me passou o e-mail com a divulgação deste congresso e achei válido postar o texto no A Vida com Logan dada a importância da inclusão séria e responsável no mercado de trabalho.

Informações mais detalhadas e o link para a programação completa podem ser adquiridos no blog do Instituto da Oportunidade Social - IOS, clicando aqui.

1º CONGRESSO IOS DE INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO

Público Alvo: Empresas que buscam aprimorar seus conhecimentos sobre os temas: Lei da Aprendizagem, Lei da Inclusão de Pessoas com Deficiência, Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade.

Oportunidade Única de encontrar em um mesmo lugar especialistas sobre estes temas + Empresas e Entidades de referência que podem apoiar a sua empresa a desenvolver esta obrigação legal e social + material complementar. Tudo isto somado a um dia agradável, com cafés e lanches durante todo o período e estacionamento gratuito no local.

Participarão como palestrantes no Congresso: José Roberto de Melo - Superintendente Regional e José Carlos do Carmo - Auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo.

Data: 21 de maio de 2010 / Horário: 08h15min as 19h30min

Local: Auditório TOTVS – Av. Braz Leme, 1717 – Santana
São Paulo – SP – CEP: 02511-000
* Estacionamento gratuito no local.

* Valor da Inscrição: R$ 190,00

O pagamento da taxa de inscrição deve ser efetuado através de depósito bancário no Banco Itaú:

Instituto da Oportunidade Social
CNPJ: 02.449.283/0001-89
Ag: 3131
C/C: 02802-3.

Encaminhar o comprovante de pagamento para o e-mail congresso@ios.org.br para confirmação da inscrição.

* Todo a verba arrecadada no Congresso será revertida para a Formatura de 700 jovens e 25 pessoas com deficiência que estão em capacitação no Instituto da Oportunidade Social.

Informações e inscrições:
Elaine Santos - 11 2099-7232 - congresso@ios.org.br


Associações pedem o fim da discriminação

Reportagem publicada no site do Correio Brasiliense em 06/04/2010

Portadores da síndrome de Down pedem fim da discriminação

Diversas associações de portadores de síndrome de Down compareceram ontem (6) na sessão solene realizada pela Câmara Federal em homenagem ao Dia Internacional da Síndrome, comemorado oficialmente no dia 21 de março. O consenso entre os participantes é que ainda predomina a falta de oportunidades e a discriminação para estas pessoas.

Segundo a presidente da Federação Brasileira das Associações da Síndrome de Down, Claudia Grabois a discriminação ainda é um dos principais obstáculos para as pessoas com a deficiência. “Precisamos criminalizar a discriminação. A falta de acessibilidade é discriminação.”

De acordo com o censo demográfico de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 300 mil pessoas nasceram com a síndrome no país e 14,5% da população brasileira, cerca de 26 milhões de pessoas, têm alguma deficiência física ou mental.

Segundo Cláudia, as pessoas com deficiência sempre foram renegadas a invisibilidade social e para romper com esta condição é fundamental que elas estudem, trabalhem e tenham vida social. “Houve avanços, mas no Brasil ainda há muitas pessoas que não tem acesso à educação e ao trabalho. Queremos que estas pessoas assumam seu papel na sociedade”.

O judoca, carioca, Breno Viola, 30 anos, é uma das pessoas que quer conquistar seus direitos. “Precisamos mostrar o talento das pessoas com deficiência. Chega! A gente precisa acabar com este preconceito. A legislação brasileira tem que sair do papel. Todo o deficiente merece estar em escola pública e ser cidadão”.

O professor de educação física, Humberto Suassuna, 30 anos, também tem síndrome de Down. Ele é personal trainer e dá aula de natação em Recife, mas garante que o preconceito é grande. “O acesso ao mercado de trabalho ainda é difícil para quem tem síndrome de Down”, relata.

O mesmo ocorre com Jéssica Mendes Figueiredo, de 18 anos. Ela é estudante do 3º ano do ensino médio, em Brasília, e também tem ambições profissionais. No final do ano, fará vestibular para artes cênicas. “Meu sonho é trabalhar como atriz. Sempre sonhei em ter esta profissão”, conta.

O Brasil ratificou a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência em 2009. O compromisso do país é o de implantar um sistema educacional inclusivo.

Segundo a secretária de Educação Especial, do Ministério da Educação (MEC), Cláudia Pereira Dutra, o ministério vem eliminando o processo histórico de exclusão. “Nossas principais políticas são no âmbito da acessibilidade como a adequação arquitetônica dos prédios escolares, formação especial para docentes e a implantação de sala de recursos multifuncionais como computadores e jogos pedagógicos para ensino de libras e braile”.


Senado expõe quadros de portadores da síndrome de Down

Reportagem publicada no site da Agência Senado em 15/03/2010

Galerias do Senado expõem arte de pessoas com síndrome de Down

Crédito da foto: J. Freitas

Começou nesta segunda-feira (15) e vai até a sexta-feira da próxima semana (26), a exposição de arte “Pintou a Síndrome do Respeito”, com 38 telas de pessoas com síndrome de Down, todos eles alunos do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, de São Paulo. A exposição é parte das comemorações do Dia Internacional da Síndrome de Down, dia 21 de março. Os trabalhos já estão expostos no Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima e na Senado Galeria, e o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM), vai inaugurar oficialmente a mostra nesta terça-feira (16), em solenidade às 18 horas.

No Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima estão 18 telas, todas elas recriações de obras de artistas plásticos brasileiros contemporâneos ainda vivos. Cada recriação é um trabalho coletivo de quatro jovens portadores da síndrome de Down, alguns deles ainda crianças. O mais jovem tem apenas sete anos de idade. Já na Galeria do Senado, estão 20 quadros individuais de portadores da síndrome.

O Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, na capital paulista, é uma organização da sociedade civil de interesse público e atende a 257 crianças, adolescentes e adultos jovens portadores da síndrome de Down. O presidente da instituição, Wolf Kos, explica que a síndrome de Down é uma ocorrência genética que atinge um entre 700 bebês. Durante a gestação, as células do embrião são formadas por 47 cromossomos, em vez de 46. Com cuidados, educação e boa formação, o portador da síndrome pode levar uma vida produtiva e praticamente normal.

A curadora da exposição, Silvana Gualda, informa que o Instituto Olga Kos mantém oficinas de arte e atividades esportivas, com aulas de caratê e taekwondo. Os quadros em exposição no Senado são todos óleo sobre tela. O espaço de exposições do Senado tem um público avaliado em quatro mil pessoas por dia.

Cezar Motta / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Simpósio Internacional de Síndrome de Down

Será realizado neste final de semana no Memorial da América Latina, em São Paulo. Dados extraídos do material de divulgação enviado pela organização.

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o CEPEC-SP Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo realizam nos dias 20 e 21 de março de 2010, Dia Internacional da Síndrome de Down, no complexo do Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564, portão 10, antigo bloco Parlatino, Barra Funda, São Paulo/SP, Brasil):

“SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE SÍNDROME DE DOWN”

Dias 20 e 21/03/2010

Temas: Avanços da Neurociência e Tratamentos Medicamentoso

Palestrantes convidados:

Prof. Dr. Alberto Costa
Médico – Pesquisador - Neurocientista – Colorado/EUA

Prof. Dr. Stevens Kastrup Rehen
Biólogo - Neurocientista UFRJ - Pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego (2003) e do Instituto de Pesquisa Scripps dos Estados Unidos (2005)

Coordenação Científica:

Prof. Dr. Zan Mustacchi
Médico Geneticista - Pediatra

PROGRAMAÇÃO:
20/03/2010 – sábado

19h às 21h – Abertura Oficial seguida de Coquetel

21/03/2010 – domingo

7h30 às 8h30 – Credenciamento e entrega de material

8h30 – Introdução: “O Surgimento de Promissoras Perspectivas Terapêuticas para a Síndrome de Down: Resiliência, Empoderamento*, Farmacogenômica e Nutrigenômica”.
Palestrante: Prof. Dr. Zan Mustacchi
*processo pelo qual a própria pessoa escolhe ou toma decisões e assume as conseqüências

9h às 10h15
Conferência (Exposição científica oral realizada por especialistas abordando um tema específico. Não há tempo para perguntas da platéia).
Tema: “Síndrome de Down: Neurociência e Avaliação das Aneuploidias** no Sistema Nervoso Central”
Conferencista: Prof. Dr. Stevens Kastrup Rehen
Presidente: Prof. Dr. José Hugo de Lins Pessoa (Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo)
**alterações cromossômicas

10h15 às 10h45 - Coffee break

10h45 às 12h
Conferência (Exposição científica oral realizada por especialistas abordando um tema específico. Não há tempo para perguntas da platéia).
Tema: “O Alvorecer da Pesquisa Translacional*** e Potenciais de Abordagens Terapêuticas para a Síndrome de Down”
Conferencista: Prof. Dr. Alberto Costa
Presidente: Prof. Dr. Clóvis Francisco Constantino (Presidente do Departamento de Bioética da Sociedade Brasileira de Pediatria; Vice-Corregedor do CREMESP)
*** aproximação da ciência básica da aplicação clínica

12h às 13h
Colóquio (perguntas da platéia) com participação dos palestrantes Prof. Dr. Alberto Costa e Prof. Dr. Stevens Kastrup Rehen
Técnica de reunião com objetivos práticos onde a platéia tem a oportunidade de participar ativamente dos debates tirando suas dúvidas e obtendo esclarecimentos diversos.
Coordenador: Prof. Dr. Zan Mustacchi

MAIORES INFORMAÇÕES:

Fone: (55) (11) 3721-6233 (2ª a 6ª-feira das 9h às 17h) – Fax: 3721-9175

E-mail: simposiointernacional@sindromededown.com.br

Website: www.sindromededown.com.br

REALIZAÇÃO:
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo – CEPEC-SP.

APOIO:
Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP)
Universidade Mogi das Cruzes (UMC)
Núcleo Aprendendo Down – Itabuna/BA
Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD)
Instituto Meta Social
Associação das Voluntárias do Hospital Infantil Darcy Vargas (HIDV) Grupo de Síndrome de Down
APAE de São Paulo
Hospital Infantil Darcy Vargas (HIDV)
Carpe Diem e grupo De Lá pra Cá
ADID e grupo Vamos Juntos
Associação Mais Um
Grupos de Discussão: Happy Down - Síndrome de Down – Inclusão - Inclusive

PATROCÍNIO:
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
L’ALIANXA Travel NetWork Brasil
BOIRON®
Oncosul – Itabuna/BA
CEPEC-SP

Agência de Turismo do Simpósio:
L’alianXa Travel Network Brasil – (55) (11) 2147-0101 – Fax: 2147-0111- www.ltn.travel

A área de atuação dos participantes/ouvintes:
Todas as profissões e interessados.

Objetivos:
Aprimoramento dos conhecimentos na área de recentes pesquisas científicas em síndrome de Down.


A onda da inclusão

Artigo publicado no site Waves do portal Terra em 01/03/2010, mostrando mais um excelente exemplo que prova, novamente, que a inclusão se faz em todos os lugares onde há boa vontade e disposição.

Escola dá aula de inclusão

Por Thiago Ferrão

No último sábado, dia 27 de fevereiro, a Escola de Surf da Riviera promoveu uma verdadeira lição de vida e inclusão social em sua arena, localizada no módulo 1 da Riviera de São Lourenço, Bertioga (SP).

Em parceria inédita com a entidade APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), mais de 15 pessoas portadoras de necessidades especiais tiveram, gratuitamente, uma aula de surf muito divertida.

A equipe de professores da escola se mobilizou e proporcionou momentos mágicos para alunos, pais e amigos. A aula é uma das ações do projeto social Surf Para Todos, que também atende crianças carentes da região e promove a educação por meio do surf.

Seguindo os padrões da Escola, na aula foram englobadas parte teórica, prática na areia e na água. O sucesso foi absoluto com muitos dos participantes conseguindo ficar de pé e outros que divertiram pra valer controlando a prancha na onda.

Fábio Fujimoto representou os cadeirantes atuando com bastante estilo em sua quinta aula de surf nesse ano. Os demais alunos possuiam síndrome de down e outras deficiências mentais com diferentes graus de evolução.

Independente do caso, mais uma vez ficou comprovado que o surf não possui qualquer limitação podendo ser usado como uma excelente ferramenta de inclusão social, melhorando a auto-estima e proporcionando o bem estar entre seus praticantes.

Com doze anos de experiência a Escola de Surf da Riviera já atendeu diversas vezes grupos especiais. Sempre as iniciativas são gratuitas, contam com uma equipe altamente qualificada e materiais de ponta.

Para obter mais informações sobre o evento, entre em contato pelos telefones (0xx13) 3313-1027 / (0xx13) 9132-5717 ou acesse o site Escola Riviera.


Que “raça humana” é essa, afinal?

Ontem, dia 22, o portal do G1 e o site português IOL publicaram a mesma nota falando de um ato lamentável (para não dizer asqueroso, preconceituoso, criminoso), que precisa ser apurado, julgado e punido com todo o rigor possível para que sirva de exemplo a todo e qualquer homem-livre que se julga no direito de determinar qual é o biótipo padrão a ser adotado no mundo.

Os dois sites informaram sobre a criação, na Itália, de uma página/comunidade no site de relacionamentos Facebook onde é proposta uma “solução final fácil e divertida” para se  “livrar destas criaturas repugnantes” — no caso, portadores da síndrome de Down: utilizá-las como alvo, móvel ou fixo, em estandes de tiro.

A página da comunidade exibe ainda a foto de um bebê portador da síndrome com a palavra “idiota” escrita na testa.

Revoltante para se dizer o mínimo.

Podemos dizer que isso é o fruto bem acabado do anonimato da internet que dá a vermes preconceituosos e ignorantes a oportunidade de destilar o seu veneno em escala mundial com poucas chances de identificação, visto que raramente um animal deste porte vem à público assumir seus desvios de caráter e sua falta de humanidade e declarar-se como “pai” da grandiosa idéia.

Mais triste do que saber que existem no mundo criaturas podres o bastante para se darem ao trabalho de criarem uma comunidade tão execrável é vermos que, no domingo 21, a página já contava com quase 1700 afiliados. Isso mesmo. Você leu certo: 1700.

Sempre haverão idiotas dispostos a seguir outros idiotas e pregar a prática de atrocidades como solução para tudo. Para esses “homens” é mais fácil puxar o gatilho do que investir em esclarecimento, capacitação das escolas públicas e a criação de centros capazes de promover a inclusão de forma efetiva.

A espiral de irracionalidade e violência cresce a olhos vistos e ninguém faz nada para mudar este cenário.

Já tivemos propostas para a “solução final” ao problema dos judeus, dos negros, dos homossexuais e, agora, a “humanidade” nos apresenta a solução para a Trissomia do Cromossomo 21. O que virá a seguir? A “solução final” para os canhotos? Para os idosos? Para o seu vizinho que gosta de escutar Luiz Ayrão no sábado à tarde no último volume?

E assim seguimos em nossa gloriosa escala evolutiva.

EM TEMPO: Após uma série de protestos dentro do próprio Facebook exigindo o fim da comunidade, a referida página foi retirada do ar e a ministra italiana da Igualdade Mara Carfagna declarou que a polícia já está cuidando do caso e prometeu uma ação legal contra os responsáveis pela página que, em suas palavras, é “inaceitável e perigosa”.

Fiquemos de olho para que esta não seja mais uma denúncia que se perde nos meandros da justiça.


Exemplo vindo de Sorocaba

Esta matéria foi publicada no jornal Cruzeiro do Sul e em sua versão eletrônica em 18/02/2010

Grupo trabalha pela inclusão dos portadores de Down

por Rodrigo Gasparini

“Trabalhar pela independência, autonomia e, principalmente, pela felicidade dos portadores da síndrome de Down”. Nas palavras de Tomás André dos Santos, esta é a missão do Grupo Felicidade Down, fundado há quatro anos por ele e sua esposa, Célia Regina dos Santos.

Sem constituição formal e fugindo da burocracia (Tomás faz questão de salientar que o grupo não é uma ONG), o ‘Felicidade’ tem 300 famílias cadastradas e atua na inclusão social de downs - como são chamados os portadores da doença - e seus pais. O trabalho é feito através de encontros, passeios, excursões, festas e cursos, entre outras atividades.

A motivação dos fundadores do Felicidade Down atende pelo nome de Bruna Teresa, uma jovem de 27 anos de idade, filha do meio do casal. “Você vê muito pai que, quando recebe a notícia de que o filho é down, o mundo cai. Conosco, isso não aconteceu”, conta Tomás. Apaixonado por motocicletas, ele tem justamente na filha deficiente a maior companheira de passeios em duas rodas. “Todo domingo de manhã a gente vai num posto de gasolina para encontrar o pessoal que anda de moto”.

A jovem Bruna, aliás, é um grande exemplo de como a inclusão social pode melhorar a qualidade de vida dos portadores da síndrome. Trabalhando há 12 anos numa rede de lanchonetes, ela sente na pele a importância de uma vida próxima do considerado normal. “O trabalho abre uma dimensão totalmente nova. Minha filha se tornou outra pessoa, se valoriza mais”, conta o pai, orgulhoso.

O Felicidade Down não é uma entidade constituída e funciona sem CNPJ, atas de reuniões, diretoria e livro caixa. A opção do casal de fundadores foi justamente pela fuga da burocracia. “Não fazemos assistencialismo. Somos uma comunidade”, explica Tomás. Filosofia que se reflete também na hora de arrecadar fundos para as atividades: “Se vamos fazer um passeio, vemos quantas pessoas podem ajudar e dividimos o valor”. Assim, o grupo não tem dinheiro em caixa.

O tempo e a energia economizados com a dispensa de trabalhos burocráticos são utilizados na realização de atividades voltadas à inclusão dos portadores de Down. Passeios, idas ao cinema e visitas ao zoológico são comuns. O grupo também firma parcerias para oferecer aos deficientes cursos de inglês, de modelo, balé, informática, teatro e aulas de futsal. O ‘Felicidade’ ainda organiza as comemorações, em Sorocaba, do Dia Internacional da Síndrome de Down (21 de março).

Inclusão começa pelos pais

Por incrível que possa parecer, a maior dificuldade dos responsáveis pelo Felicidade Down não está em convencer a sociedade da importância da inclusão, mas sim trabalhar para que os próprios pais dos deficientes entendam isso. “Nossa ideia é fazê-los verem que é possível (a inclusão)”, diz Tomás. Segundo ele, o maior problemas que um down pode enfrentar é o superprotecionismo dos pais. “Trabalhamos para alertá-los que o filho deles não é um cachorrinho, mas um ser humano. E o jeito de motivar é mostrar que a criança pode ser feliz, buscar sua própria identidade e autonomia”.

O responsável pelo grupo avalia que, em Sorocaba, ainda são poucos os portadores da Síndrome de Down que interagem com a sociedade. “O resto está em casa, guardadinho”, critica. A estimativa é baseada na própria dificuldade que ele e sua esposa encontram quando vão organizar alguma atividade. “A Célia fica telefonando. Liga para 100 famílias e consegue 20”, exemplifica. Até mesmo a inclusão no mercado de trabalho é dificultada pela resistência dos pais.

Mas, se ainda há quem relute em deixar o filho down conviver normalmente com a sociedade - muitas vezes por falta de informação -, as crianças e jovens com a sorte de terem pais “liberais” saboreiam a melhor qualidade de vida que adquirem ao longo do tempo. Por conta dos eventos e encontros promovidos pelo ‘Felicidade’, uma turma de fiéis amigos se formou. “Eles conversam pelo MSN, orkut e telefone. Criaram um círculo que antes não existia”, ressalta Tomás. Festas de aniversário e até baladas são frequentadas pelos downs, que por conta disso acabam fazendo amizades também com pessoas sem deficiência. Esta espécie de circuito social reúne, atualmente, cerca de 30 famílias.

No Carnaval

No Carnaval de rua deste ano, 20 downs desfilaram num bloco da escola de samba 28 de Setembro. A apresentação dos deficientes na passarela do samba, que ocorreu pela terceira vez, traz a cada ano uma nova e fortalecedora experiência. “A plateia levanta, bate palmas e vibra. O pessoal percebe que, para quem está desfilando, é uma vitória”, resume Tomás.


Inclusão pelo esporte

Esta reportagem foi publicada no “caderno” Jogada, do site do Diário do Nordeste, em 06/02/2010 e mostra como é importante cada um fazer um pouco, sem depender dos poderes púbicos e ineficientes do Brasil, na hora de praticar a inclusão e combater o preconceito e o isolamento social.

Karatê e inclusão social

reportagem de MOACIR FÉLIX

Projeto implantado na cidade de Pacajus – CE usa a milenar arte marcial para promover inclusão social, com ação de voluntários

Adultos e crianças portadores de necessidades especiais recebendo normalmente aulas de karatê é uma cena pouco comum nas tradicionais academias espalhadas pelo Estado.

Mas na cidade de Pacajus um projeto denominado “É preciso saber viver” utiliza a citada modalidade para promover a inclusão social dos deficientes visuais e portadores da Síndrome de Down daquele município.

Socialização
Idealizador desse projeto, Adolfo Aguiar fala sobre a pioneira iniciativa. “Eu tenho dois filhos, Adolfo Aguiar Filho e Beatriz Darley Aguiar, que praticam o karatê e sempre os acompanhei na atividade esportiva. Mas tinha vontade de ver pessoas com dificuldade de se integrar à sociedade, como deficientes visuais e portadores da Síndrome de Down, praticando o karatê também”. E para plantar a semente do projeto “É preciso saber viver” Adolfo conversou com o professor Ivanildo Soares, que não só aprovou como aceitou colaborar com a iniciativa. “E desde então a gente vem batalhando para atrair pessoas com necessidades especiais para o projeto”, afirmou Adolfo.

Gratuito
Os para-atletas que integram o projeto “É preciso saber viver” , cujas aulas são ministradas na Fundação Maloca dos Brilhantes, contam com apoio total. “Nós começamos a trabalhar com o projeto há quatro meses, mas é difícil conseguirmos para-atletas. Fizemos um sacrifício e compramos um tatame justamente para atrair mais atletas especiais, contudo, essas pessoas geralmente são reservadas e não se enturmam com facilidade”, explicou Adolfo. E ele prosseguiu: “Mas a gente vem tentando aumentar o número de karatecas especiais. Nós bancamos tudo e quem sabe, um dia, com essa ajuda, possamos chegar até numa Paraolimpíada com esses meninos? O sonho é esse”, completou o benfeitor.

Detalhe
Mas além do foco nas pessoas com necessidades especiais, o projeto idealizado por Adolfo Aguiar também abriga alunos não-especiais. “Além dos dois alunos especiais, contamos também com karatecas não-especiais. No grupo são 140 integrantes. Eles não pagam para participar das aulas. As mães dos atletas que não têm problemas colaboram fornecendo os quimonos, porém, os alunos especiais recebem material do nosso projeto. E quando há um campeonato pagamos inscrição, alimentação para os atletas e as mães, e ainda ajudamos com o transporte se a competição acontecer em Fortaleza”, concluiu Adolfo.

Aproveitamento
Para o professor Ivanildo, que comanda a equipe que atua no projeto É preciso saber viver, “a facilidade de dar aulas é muito favorável, porque eles aprendem rápido, principalmente os atletas especiais, que são nosso principal público-alvo. É prazeroso participar do projeto”, ressaltou o mestre do karatê, que trabalha como voluntário. E Ivanildo salientou que “seu trabalho voluntário faz com que os alunos se dediquem nos treinos. Eles dizem: ´Professor, o senhor trabalha de graça pra gente, então vamos retribuir conquistando medalhas para o senhor´”.