O poder da publicidade inclusiva

Texto de Patrícia Almeida extraído da revista eletrônica Inclusive, em 8 de janeiro de 2012

Em pouco mais de 24 horas, Ryan e Noah viraram pop stars. E a Target, grande cadeia de lojas de artigos populares nos EUA, se tornou a heroína das pessoas com deficiência. Isso sem fazer nada além do que vem fazendo, sem alarde, desde de a década de 80 – refletir a diversidade dos consumidores em sua publicidade.

Dessa vez, a iniciativa da Target – infelizmente ainda muito pouco seguida no mundo da propaganda -, foi repercutida como nunca antes graças ao poder da internet.

Ao ver a propaganda em que um menino fofo de uns 6 anos, com síndrome de Down, aparece junto a outras crianças anunciando camisetas, Rick Smith, pai de Noah, que também tem síndrome de Down, postou seus sentimentos em seu blog, Noah’s Dad (o Pai de Noah):
“Se você viu o anúncio da Target desta semana você pode não ter notado um menino adorável com camisa laranja brilhante sorrindo na página 9! E se foi assim, isso me faz feliz!

A razão da minha felicidade? Bem, o jovem elegante de camisa laranja é Ryan. Por acaso Ryan nasceu com síndrome de Down, e eu estou contente que a Target tenha incluído um modelo com síndrome de Down no anúncio ! :)

Não era um catálogo de “roupa especial para crianças especiais”. Não havia uma chamada em nenhum lugar da página proclamando orgulhosamente que “a Target tem o orgulho de apresentar um modelo com síndrome de Down no anúncio desta semana!” E eles não pediram que o Ryan vestisse uma camisa com a frase: “Nós não somos todos anjos”, impressa na frente.

Em outras palavras, eles não fizeram um estardalhaço. E eu gostei disso.

5 coisas que a Target disse sem dizer nada

Apesar da Target não ter dito nada ao usar um menino com síndrome de Down como modelo em seu anúncio, eles disseram muitas coisas . Eles disseram as mesmas coisas que a Nordstrom (outra cadeia de lojas de roupa) quando usou Ryan como modelo em seu catálogo no verão passado. Eu poderia enumerar uma centena de coisas ditas pela Target quando produziu este anúncio, mas vou falar as 5 que imediatamente vêm à mente:

1. Eles disseram que as pessoas que nascem com síndrome de Down merecem ser tratadas da mesma forma que qualquer outra pessoa neste planeta.

2. Eles disseram que é hora das organizações intencionalmente buscarem maneiras criativas para ajudar a promover a inclusão, não a exclusão. (Não é por acaso que a Target usou um modelo com síndrome de Down neste anúncio. Foi uma decisão intencional. Se queremos que o mundo seja um lugar onde todos são tratados iguais, não podemos simplesmente sentar e assistir o tempo passando. Temos que agir intencionalmente. Temos que fazer alguma coisa.)

3. Eles disseram que as empresas não têm que chamar a atenção para o fato de serem inclusivas, para que as pessoas percebam o seu apoio às pessoas com deficiência. Na verdade, não fazendo alarde disso, eles estão fazendo um trabalho melhor ao mostrar o seu apoio para à comunidade de pessoas com deficiência.

4. Eles disseram que é importante para o mundo ver pessoas que nascem com deficiência com outros olhos. Que é hora de deixarmos para trás todos os estereótipos incorretos do passado e seguir em frente abraçando o futuro com imagens de pessoas verdadeiras.

5. Eles disseram que você não precisa gastar muito para os seus filhos terem boa aparência! (Quero dizer, poxa, vamos lá, essa camisa custa só cinco dólares!)”

A sinceridade e o bom humor do texto de Rick fez sentido para uma enorme quantidade de pessoas, dentro e fora da comunidade de pessoas com deficiência.

O post se tornou viral. Recebeu mais de 200 comentários no Blog, foi curtido 18 mil vezes no Facebook e Tweetado mais de 3 mil vezes. O sucesso do assunto atraiu a grande mídia. Mais de 20 órgãos da imprensa repercutiram a notícia, entre elas a ABC, e o britânico Daily Mail. No Brasil, o site UOL também traduziu e publicou o conteúdo.

Rick ficou feliz com o sucesso da história e está aproveitando a atenção para divulgar o Blog em que mostra diariamente vídeos de 1 minuto de seu filho Noah. Os vídeos já foram vistos nos quatro continentes. Em vários deles, Noah aparece fazendo sessões de esimulação precoce. Há pais que escrevem contando que, como não há serviços de terapia ocupacional ou fonoaudiologia onde moram, os vídeos servem para aprenderem a estimular seus filhos em casa.

Outro objetivo, diz Rick , é encorajar famílias a receberem crianças com síndrome de Down com naturalidade em suas vidas, especialmente casais que descobrem que o bebê que esperam tem a síndrome. Com a taxa de aborto nos Estados Unidos em caso de resultado positivo a mais de 90% , e a expectativa desse número aumentar ainda mais com a chegada de exames menos invasivos para detecção de síndrome de Down na gravidez, o pai de Noah espera convencer aqueles que entram na internet à procura de informação quando recebem um diagnóstico de síndrome de Down. “Eu não faço piquete na porta de clínicas de aborto. Sou mais criativo. Eu acredito na força de uma boa história. E convido as pessoas a conhecerem a nossa”, conclui.

É… com esse anúncio a Target vai conseguir muito mais do que aumentar a venda de suas camisetas.

Fonte – Noah’s Dad e Inclusive


Jogos Parapan Americanos 2011

Entre os dias 12 e 20 de novembro, atletas brasileiros competirão nos Jogos ParaPan Americanos em Guadalajara, México!

É uma alegria enorme ver estes atletas lutarem contra o preconceito e chegarem a uma competição esportiva internacional, não é?

A competição precisa ser muito divulgada, para mostrar à todos que, independente das “limitações” físicas ou intelectuais, todas as pessoas são capazes realizar as mais diversas tarefas profissionais e práticas esportivas, bastando apenas, em alguns casos, pequenas adaptações (como, por exemplo, no futebol de salão para cegos, onde um guizo colocado dentro da bola, serve para orientar os atletas).

A delegação canarinho é mais uma mostra de que os resultados surgem quando se acredita no potencial humano e investe-se de modo sério na formação de atletas e cidadãos.

A estes brasileiros queridos que estão indo competir no ParaPan 2011: nosso maior abraço e desejo de boa sorte nas competições! Vocês merecem!

Garra, coragem, força e fé!

Espie o site oficial aqui.

 

 


Prioridade de governo

Este texto foi publicado no portal 180 Graus em 28/10/2011. Por opção do blogueiro, para manter-se fiel ao texto original, o termo “portadores de” aplicado errôneamente, foi mantido em detrimento do correto “pessoa com”.

Governo veta o Projeto que obriga exame nos recém nascidos

O governador Wilson Martins vetou totalmente o Projeto de Lei parlamentar

O governador Wilson Martins vetou totalmente o Projeto de Lei de iniciativa parlamentar que dispõe sobre a obrigatoriedade da realização de exame de ecocardiograma nos recém nascidos portadores de síndrome de down no Estado do Piauí.

Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa o parecer do relator deputado Hélio Izaías (PTB), em razão do custeio do exame de ecocardiograma nos recém – nascidos portadores de síndrome de down. Segundo o parlamentar, conforme a Constituição Estadual, é reservada ao Executivo a iniciativa privativa sobre a criação, estruturação e atribuição que acarreta acréscimo de gasto para a administração.

Também o veto total do governandor ao projeto dos parlamentares piauienses referente a obrigatoriedade do exame nos recém nascidos portadores de síndrome de down será colocado em votação no plenário da Assembléia Legislativa, conforme as normas do Regimento Interno da Alepi.

Aqui, no mesmo portal 180 Graus em 29/10/2011, texto do colunista Aquiles Nairó comentando o caso.

Wilsão rejeita projeto de exame em bebês com síndrome de down

O governador Wilson Martins, médico neurologista, vetou totalmente o Projeto de Lei Estadual que obrigava a realização de exame de ecocardiograma nos recém nascidos portadores de síndrome de down no Estado do Piauí. A idéia já foi aprovada em várias partes do país e existe um projeto sobre o assunto tramitando no Congresso Nacional.

De acordo com pesquisas, a incidência de doenças cardíacas congênitas em crianças com síndrome de Down pode chegar a 50%. O exame seria uma forma de prevenir óbitos ou o agravamento de problemas cardíacos.  Os deputados estaduais votarão o veto do governador em breve.

Opinião do blogueiro

“Revoltante” é pouco para descrever o veto aplicado ao projeto pelo governador do Piauí. Causa surpresa maior que alguém oriundo da medicina vete o custeio por parte do Estado de um exame de vital importância a uma criança nascida com síndrome de Down. Principalmente, porque uma das principais obrigações do Estado é cuidar da população.

Como diz, de maneira correta, o colunista Aquiles Nairó, o exame é uma importante forma de prevenir o agravamento de quaisquer cardiopatias (que, segundo estatísticas atualizadas, atingem cerca de 50% dos nascidos com a síndrome de Down) e um modo de se prevenir óbitos.

O veto, pelo que nos dá a entender o texto do Portal 180 Graus, ocorreu, principalmente, por conta do impacto financeiro que isso acarretaria nos cofres públicos. Impacto este infinitamente menor que o causado pelos recentes aumentos salariais de nossos políticos. Infinitamente menor também que os recursos empenhados na construção de estádios de futebol para a Copa do Mundo (e que, em sua maioria, se tornarão “elefantes brancos” ao término dela). Impacto muito, mas muito menor que o causado pelos inúmeros desvios de dinheiro público que são denunciados todos os dias nos principais veículos de imprensa do país. E, não podemos deixar de lembrar, impacto muito menor que o causado pelo dinheiro público mal-administrado que pagou, por exemplo, as tapiocas adquiridas com cartão de crédito corporativo.

A pergunta que fica é: até quando?

O que mais precisa acontecer para nós, pessoas que vivem com um mínimo de decência, criarmos “vergonha na cara” e darmos um basta a tanta falta de respeito vinda de Brasília, do Piauí, de São Paulo, do Rio de Janeiro e de todos os cantos deste país?

Em poucas palavras, o veto do governador piauiense é um veto à vida, pois uma cardiopatia mal-diagnosticada por culpa de um exame que não foi custeado pelo Estado numa situação de necessidade, por conta da inexistência de sua obrigatoriedade, poderá, sim, terminar em óbito. E qual será a explicação oficial quando isto acontecer? Como ficam as famílias que por ventura passem por esta dor por conta de um veto que, nunca, jamais, em hipótese alguma se justificará diante daquilo que é mostrado todos os dias nos telejornais, sites e jornais de todo o país?

E a pergunta se mantém: até quando?


Atuando na profissão que se escolheu

Uma notícia escrita por Marina Pita e veiculada no portal Terra, conta a tragetória de uma professora qualificada e experiente que fez concurso público, passou e para tomar posse do cargo, precisou apelar à Justiça. Motivo? A professora em questão é cega.

Esse fato aconteceu, acontece e acontecerá por muitas vezes mais, até que se crie a consciência de que as pessoas são todas iguais, independente de sua condição física ou sensorial. Não importa se o aluno enxerga e a professora, não. O que deve ser levado em consideração, sempre, é a capacidade profissional da pessoa (que, ainda de acordo com a reportagem, é excepcional). Todo o resto é “chifre em cabeça de cavalo“ que não acrescenta nada ao debate e reforça o preconceito.

No final das contas, todos que estudam, se esforçam e atingem méritos qualificatórios para desempenhar uma atividade distinta, podem e devem recorrer dos seus direitos de participar na sociedade ativamente.

Para ler a reportagem completa no portal Terra, clique aqui.

Portador de deficiência visual

Mais notícias sobre esse assunto:

Professor cego é exemplo de superação em escola de Curitiba

Biblioteca Municipal oferece obras para deficientes visuais


Laboratório Roche começa a fase inicial estudo clínico em pessoas com síndrome de Down

Texto publicado originalmente no site Inclusive, em 10/09/2011

Esta é a primeira terapia potencial para melhorar a cognição e comportamento adaptativo em indivíduos com síndrome de Down. A Down Syndrome Research and Treatment Foundation (DSRTF) vem colaborando com o laboratório neste estudo.

O laboratório Roche anunciou hoje o início de seu primeiro estudo de fase 1 clínica para investigar a segurança e tolerabilidade de uma molécula projetada para atender os déficits cognitivos e comportamentais associados à síndrome de Down.

“Há atualmente uma grande necessidade médica ainda não atendida para o tratamento de problemas cognitivos em indivíduos com síndrome de Down”, comenta Luca Santarelli, diretor global da Roche Área de Neurociência de Doenças Translacionais. ”A estratégia da Roche Neurociências é abordar especificamente essas condições graves que não têm tratamento efetivo ou seguro. É por isso que temos um forte compromisso com questões do desenvolvimento neurológico, incluindo ocorrências genéticas, como síndrome de Down ou X Frágil, assim como transtornos do espectro autista. ”

A melhora das funções cerebrais, tais como cognição e linguagem em indivíduos com síndrome de Down, pode contribuir para que estes indivíduos levem uma vida mais independente. Isto pode ajudar, por exemplo, em habilidades práticas de cada dia, tais como manter uma casa, ou um emprego e ter uma vida social mais gratificante. Estas melhorias podem ter um impacto significativo sobre o funcionamento e a qualidade de vida de indivíduos com síndrome de Down, bem como ajudar a reduzir os encargos para as famílias, cuidadores e a sociedade.

“Este estudo terá como alvo apenas adultos entre 18 e 30 anos, mas acreditamos que uma intervenção mais precoce na síndrome de Down tem o potencial para um maior resultado médico”, diz Paulo Fontoura, chefe de Medicina Translacional na área de Doenças Roche Neurociências Translacional. ”Por enquanto ainda estamos na fase inicial, mas estamos confiantes de que nosso medicamento e mecanismo de ação pode, potencialmente, abrir a porta para novas investigações promissoras nos próximos anos.

“Com base em modelos animais, um desequilíbrio entre neurotransmissores excitatórios e inibitórios foi proposto entre as causas subjacentes da função cerebral alterada em indivíduos com síndrome de Down. O medicamento de investigado pela Roche está sendo avaliado por sua capacidade de lidar com este desequilíbrio, a segmentação do sistema *GABAérgica.

*GABA: gamma-amino ácido butírico

Sobre o estudo

Este estudo, controlado com placebo, irá avaliar a segurança e tolerabilidade do medicamento em estudo em indivíduos com síndrome de Down. Serão recrutados até 33 indivíduos em um ou dois países. A droga experimental já foi testada em voluntários saudáveis ​​e os resultados demonstraram uma boa segurança e tolerabilidade, sem eventos adversos significativos. Para mais informações sobre o estudo, o acesso a Roche clinicaltrials Protocolo de Registro e Banco de Dados Resultados: http://www.roche-trials.com/

Sobre síndrome de Down

A síndrome de Down é a ocorrência genética mais comum de deficiência intelectual e atraso do desenvolvimento, e afeta uma em cada 700-1000 recém-nascidos. Também chamada Trissomia do 21, esta condição ocorre quando um indivíduo tem três, ao invés de duas, cópias do cromossomo 21. Este material adicional genético traz algumas dificuldades de habilidade cognitiva e desenvolvimento físico, e é freqüentemente associado com outras complicações que vão de questões neurológicos e cardíacas a problemas de audição e visão. Pessoas com síndrome de Down são mais propensas a desenvolver doença de Alzheimer à medida que envelhecem.

Para saber mais sobre o estudo e fazer doações para contribuir para esta e outras pesquisas em síndrome de Down, visite o site da DSRTF.

Fonte – Roche e DSRTF


A possível redução do déficit cognitivo

O artigo à seguir foi publicado originalmente no jornal The New York Times, em 29/07/2011 e traduzido pela batalhadora Patricia Almeida e postado no site Inclusive.

Reproduzimos a seguir a íntegra da reportagem que mostra os avanços do pesquisador brasileiro, Alberto Costa, no uso de medicamentos capazes de reduzir o déficit cognitivo das pessoas com síndrome de Down e sua corrida contra o tempo e, principalmente, contra outros pesquisadores que, nas entrelinhas, prometem a possível erradicação da síndrome través de exames pré-natal não invasivos (algo que, na minha opinião pessoal, beira o monstruoso).

Os negritos e subtítulos são do blogueiro e não constam do artigo original.

Um medicamento para Síndrome de Down

por Dan Hurley

tradução de Patricia Almeida

O pesquisador Alberto Costa e sua filha, Tyche

O pesquisador Alberto Costa e sua filha, Tyche

No começo da noite de 25 de junho de 1995, horas após o nascimento de sua primeira e única filha, o curso da vida e do trabalho do Dr. Alberto Costa deu uma guinada abrupta. Ainda se recuperando de um parto traumático que exigiu uma cesariana de emergência, a esposa de Costa, Margarida estava deitada na cama, grogue de sedação. Em seu quarto mal iluminado no Hospital Metodista de Houston entrou um geneticista clínico. Ele chamou Costa de lado para dar uma notícia infeliz. A menina, disse ele, parecia ter síndrome de Down, a causa genética mais comum de deficiência cognitiva, ou o que costumava ser chamado de “retardo mental”.

Costa, ele próprio médico e neurocientista, tinha apenas um conhecimento básico da síndrome. No entanto, lá mesmo no quarto do hospital, ele discutiu o diagnóstico com o geneticista. O coração da bebê não tinha nenhuma das cardiopatias relacionadas ao diagnóstico e seu perímetro encefálico era normal. Ela não parecia uma típica bebê com síndrome de Down. Levaria ainda duas semanas para que um exame definitivo mostrar que ela tinha nascido com três cópias de todos ou a maioria dos genes no cromossomo 21, ao invés das duas usuais.

Costa havia sonhado que um filho seu poderia crescer e se tornar um matemático. Ele tinha até convencido Daisy a dar o nome de Tyche, a deusa grega da fortuna ou azar, e em honra do astrônomo Tycho Brahe Renascimento, a sua filha. Agora, ele perguntou ao geneticista quais eram as chances eram de que Tyche (Tishy pronunciado) realmente tivesse síndrome de Down.

“Na minha experiência”, disse ele, “perto de cem por cento.”

Costa e sua esposa estavam tentando ter um bebê há dois anos. A primeira gravidez de Daisy terminou em aborto, o que eles sabiam que pode ocorrer devido a uma doença genética no feto. Quando Daisy ficou grávida pela segunda vez, Costa insistiu em obter uma biópsia de vilo corial, um exame pré-natal genético invasivo. Mas o procedimento causou um aborto espontâneo (o teste mostrou que o feto era geneticamente normal). Costa prometeu que, se houvesse uma terceira gravidez – esta em questão – que não iriam realizar nenhum teste pré-natal.

Agora, com Tyche empacotada pacificamente em um berço ao pé da cama de Daisy e Daisy dormindo, Costa sentou-se e passou a maior parte da noite chorando. Ele tinha escolhido a área de pesquisas em medicina em parte para evitar cenas como essa – pais devastados por um diagnóstico. Mas pela manhã, ele se viu fazendo o que qualquer pai de um recém-nascido faz: debruçando-se sobre o berço, segurando a mãozinha de sua filha, maravilhado com sua beleza.

“A partir desse dia, nós nos conectamos imediatamente”, ele me disse durante uma de nossas muitas conversas ao longo do ano passado. “Tudo o que eu poderia pensar era: Ela é minha bebê, é uma menina linda. O que eu posso fazer para ajudá-la? Obviamente, eu era um médico e um neurocientista que estuda o cérebro. Aqui estava minha nova vida na minha frente, segurando meu dedo e olhando direto nos meus olhos. Como eu poderia pensar em outra coisa além de ajudar aquela criança? ”

Sem experiência no estudo da síndrome de Down, Costa foi no dia seguinte a uma biblioteca próxima afiliada à Baylor College of Medicine, onde trabalhou como um associado de pesquisa em neurociência. Lendo os últimos estudos, ele descobriu que o prognóstico não era tão terrível como já foi considerado. A expectativa de vida havia crescido, as reformas na educação produziram ganhos acentuados no desenvolvimento e – de particular interesse para Costa – um modelo do rato trissômico havia sido há pouco desenvolvido, abrindo as portas para a experimentação. Ele logo tomou uma decisão: iria se dedicar ao estudo da síndrome de Down.

Em 2006, usando camundongos com o equivalente a síndrome de Down, Costa publicou um dos primeiros estudos a mostrar que uma droga poderia normalizar o crescimento e a sobrevivência de novas células cerebrais no hipocampo, uma estrutura profunda dentro do cérebro que é essencial para a memória e a navegação espacial. Em pessoas com síndrome de Down, o ritmo mais lento de crescimento dos neurônios no hipocampo é provavelmente um dos responsáveis pelos déficits cognitivos. Estudos de acompanhamento feitos por outros pesquisadores alcançaram resultados conflitantes sobre se a droga testada por Costa, o antidepressivo Prozac, poderia produzir ganhos na aprendizagem prática para combinar com sua capacidade de impulsionar o crescimento das células cerebrais. Implacável, Costa mudou para outra estratégia de tratamento. Em 2007 ele publicou um estudo que mostrou que admininistrar a camundongos com síndrome a droga para Alzheimer memantina pode melhorar sua memória.

Agora Costa deu o passo seguinte: está completando o primeiro ensaio clínico duplo-cego usando um medicamento que funcionou em ratos com Down e aplicando-o em seres humanos com a trissomia, um marco na história das pesquisas em síndrome de Down.

“Esta é uma síndrome para a qual acreditava-se que não havia esperança, não havia tratamento. As pessoas pensavam: Por que desperdiçar seu tempo?”, diz Craig C. Garner, professor de psiquiatria e ciências comportamentais e co-diretor do Centro de Pesquisa e Tratamento da Síndrome de Down da Universidade de Stanford. ” Houve uma revolução na neurociência nos últimos 10 anos, de modo que agora percebemos que o cérebro é surpreendente plástico, muito flexível, e os sistemas podem ser reparados”.

UMA VISÃO OPOSTA

Mas os efeitos dessa revolução na pesquisa de Down podem ainda ser abreviados. Um conjunto concorrente aos cientistas estão à ponto de alcançar um tipo totalmente diferente de resposta médica à síndrome de Down: em vez de tratá-los, eles prometem para o impedir que eles nasçam. Os cientistas desenvolveram exames de sangue pré-natal não-invasivos que permitirá testes de rotina para síndrome de Down no primeiro trimestre da gravidez, aumentando a probabilidade de que muitos mais pais interrompam uma gravidez de feto com síndrome de Down (N.T. – Em alguns estados dos EUA o aborto é permitido). Alguns prevêem que um dos novos testes pode estar disponíveis ao público dentro de um ano.

Costa, como os outros trabalhando em tratamentos com drogas, teme que a aprovação iminente dos testes podem minar o apoio à pesquisa, tratamento e até mesmo levanta a possibilidade de que as crianças como Tyche estarão entre as últimas de uma geração a nascer com síndrome de Down.

“É como se estivéssemos em uma corrida contra as pessoas que estão promovendo os métodos de diagnóstico precoce”, diz Costa, de 48 anos. “Estes testes vão ser bastante acessíveis. Seria de esperar uma forte queda no número de nascimentos de bebês com síndrome de Down. Se não formos rápidos o suficiente para oferecer alternativas, pode haver um colapso na área.”

A causa genética da síndrome de Down foi estabelecida tão recentemente que apenas em março deste ano, Costa conheceu a viúva do cientista francês, Jérôme Lejeune, que fez a descoberta em 1959. O cenário do encontro foi uma conferência de Paris, nomeada em homenagem a Lejeune, onde neurocientistas de todo o mundo debateram os progressos em tratamentos para Down e afins. Tal conferência teria sido inconcebível quando Costa começou a atuar há 15 anos.

“Se você pensar sobre a maioria das doenças genéticas, eles são geralmente causadas por um gene, e de fato uma mutação de um aminoácido”, diz Roger Reeves, professor no Instituto de Genética Médica na Universidade Johns Hopkins School of Medicine. “Mas com a síndrome de Down, que você tem uma cópia extra de todos os 500 ou mais genes do cromossomo 21.” Nas duas primeiras décadas após a descoberta de Lejeune, a própria ideia de lidar com as centenas de genes triplicados assustou os cientistas a partir de qualquer esforço sério para encontrar um tratamento para o que eles foram logo chamando de “trissomia 21″. Parecia incrivelmente complexo. “O ponto de virada”, conta Reeves, “veio quando Muriel Davisson fez seu camundongo.”

Ts65Dn

Davisson, uma cientista agora semi-aposentada do Jackson Laboratory, em Bar Harbor, no Maine, passou a década de 1980 trabalhando no desenvolvimento de um rato, conhecido como Ts65Dn, que tinha muitas das características associadas à síndrome de Down, incluindo, por incrível que pareça, as características faciais associadas à síndrome e até mesmo o caminhar meio descoordenado.

Cinco anos depois de publicar notícias de seu ratinho de laboratório, Davisson recebeu um e-mail de um jovem neurocientista chamado Alberto Costa. Seu trabalho, ele disse a ela, abriu a porta para ele para conduzir novas pesquisas com drogas.

“Tive uma epifania, pois este é um campo onde eu poderia aplicar muita coisa que eu aprendi”, diz Costa. “A ciência é geralmente implacável com as pessoas que tentam mudar de carreira, mas foi um risco que eu estava disposto a correr.” Depois de defender seu doutorado estudando a base elétrica e química de comunicação entre as células cerebrais, eu pensei, OK, se há algo que pode ser feito neste campo, deve ser feito a nível de eletrofisiologia neuronal.” Depois de meses de leitura dos mais recentes estudos , Costa sabia que precisava dos ratinhos de Davisson.

“Ele torceu meu braço até que eu o levei para o meu laboratório”, Davisson diz com uma risada. “Eu não tinha patrocínio. Ele escreveu um pedido de financiamento. Ele é muito entusiasmado.” Ela também descobriu que ele era um “perfeccionista, e não muito tolerante com as pessoas que não são perfeccionistas. Ele não faz experimentos sem ter certeza que ele está fazendo certo. Quando ele faz uma descoberta, você sabe que é de verdade. ”

Usando os ratos de Davisson, um estudo de 2006 de Costa com Prozac produziu alterações celulares no cérebro. Em 2007, Craig Garner em Stanford deu o próximo passo, relatando melhorias comportamentais em modelos animais Ts65Dn após semanas de tratamento da tóxico-dependência. (No início deste ano, uma empresa que ele co-fundou para exercer essa estratégia recebeu financiamento de uma empresa de capital de risco.) Quatro meses depois, Costa publicou seu estudo sobre memantina, mostrando que uma única injeção da droga produzida benefícios comportamentais dentro de minutos, permitindo a ratos equivalentes a Down aprender tão bem como os ratos normais.

A hipótese de Costa é que memantina funciona, não impulsionando o crescimento das células do cérebro, mas através da normalização de como as células existentes usam o neurotransmissor glutamato. Porque as pessoas com síndrome de Down têm três cópias de todos ou a maioria dos genes no cromossomo 21 em vez de apenas dois, elas têm cerca de 50 por cento mais de qualquer proteína codificada nesse cromossomo. Um dos resultados que Costa tem mostrado é que os receptores NMDA de modelos animais Ts65Dn são “hiperativos” – eles reagem de forma exagerada a estímulos. Ao responder a muitas coisas, eles aprendem muito pouco, o sinal é perdido em meio ao ruído. Mas administrando a memantina para acalmar os receptores NMDA ruidosos, Costa descobriu, faz com que as células do cérebro reajam quase normalmente.

Outras drogas que funcionam em sistemas diferentes no cérebro também têm demonstrado benefícios no camundongo Ts65Dn. Em 2009, Dr. William C. Mobley, presidente do departamento de neurociências na Universidade da Califórnia em San Diego, e um dos pesquisadores mais ativos e conhecidos no campo, co-escreveu um estudo mostrando que uma combinação de drogas destinadas a aumentar os níveis de noradrenalina no cérebro, normaliza as habilidades de aprendizagem dos camundongos. Mais recentemente, no ano passado o Prêmio Nobel Paul Greengard, da Rockefeller University mostrou que a memória e a aprendizagem podem ser normalizadas em modelos animais Ts65Dn, diminuindo os níveis de beta amilóide, a placa de proteína que há tempos é conhecida por entupir o cérebro de pessoas com doença de Alzheimer.

“Houve uma mudança radical na nossa capacidade de compreender e tratar a síndrome de Down”, diz Mobley. “Há uma explosão de informações. Em 2000, nenhuma empresa de medicamentos teria pensado sobre o desenvolvimento de terapias para a síndrome de Down. Estou agora em contato com nada menos que quatro empresas que estão buscando tratamentos.”

O estudo de Costa com a memantina começou testando a memória e aprendizado espacial em 40 adultos jovens com síndrome de Down. Diariamente, durante 16 semanas, metade recebeu comprimidos memantina, a outra metade um placebo. Neste outono Costa apresentará os resultados preliminares em uma reunião científica em Illinois, revelando se tomar o medicamento fez aqueles com Down mais inteligentes.

TYCHE

A meia hora de seu escritório e laboratório da Universidade de Colorado-Denver School of Medicine, onde é professor associado de medicina e neurociência, Costa estaciona o carro em uma vaga em frente ao seu modesto apartamento de dois quartos. A figura de uma menina vestida de verde vem em direção ao carro – e depois desaparece.

“Tyche”, Costa chama sua filha, “Para onde você foi?”

Nós dois saímos para procurá-la. Encontrei-a em pé em frente de outro carro, um Subaru Forester, esperando para entrar. Vestindo com uma blusa e saia verde musgo, a franja de seu cabelo cor de mogno presa por um arco, Tyche tem menos de 1,50 metros de altura, um rosto redondo, nariz largo e olhos de pálpebras pesadas.

Vendo o meu olhar perplexo, Costa explicou que a família também tinha aquele carro Subaru – que ele normalmente dirigia com Tyche. Ele a levou para o Toyota em que tinha chegado e ela se sentou no banco de trás. Enquanto Costa nos levava ao seu escritório, eu perguntei o que ela achava do trabalho de seu pai.

“Ele é um grande cientista”, disse ela, em uma voz aguda atrapalhada. Depois acrescentou com uma risada: “E ele constrói máquinas mal.”

“Isso é de ver muitos desenhos animados”, disse Costa. “Seu favorito é” Phineas e Ferb “. Claro, há um cientista do mal nela que constrói todos os tipos de máquinas.”

“Como o cheiro-inator”, acrescentou Tyche, que completou 16 anos em junho.

De volta ao escritório de Costa, Tyche mostrou para mim do que as pessoas com Down podem ser capazes de, mesmo sem medicação. (Porque não é maior de idade, Tyche não pode participar no estudo de seu pai). No quadro na frente da sala, Costa escreveu um problema de álgebra para ela resolver: 8×2 – 7 = 505.

“Ela é uma das duas únicas pessoas com síndrome de Down que eu já conheci que é capaz de resolver a álgebra”, disse Costa. “Normalmente nós lhe damos um problema para resolver antes dela ir para a cama.” Quando ela resolveu a equação, tendo seis etapas para concluir que X é igual a 8, ele disse, “É o que fazemos no lugar de uma história de ninar.” No Natal passado, observou orgulhoso, ele deu a ela o programa de linguagem Rosetta Stone para aprender Português, e em março, ela já tinha terminado o Nível 1 e começado o Nível 2.

Acontece que, com educação e apoio vigoroso, muitas pessoas com Down se saem muito melhor do que antes se pensava possível. Cuidados médicos com o coração e outras doenças físicas associadas à síndrome, têm alcançado benefícios significativos, dobrando a expectativa de vida de uma média de 25 para 49 anos, apenas em 14 anos entre 1983 e 1997.

Ainda assim, com um Q.I. que é normalmente cerca de 50 pontos inferior à média – com alguns muito mais baixos e outros, como Tyche, atingindo mais elevado – algo mais do que a educação por si só seria necessário para permitir que a maioria das pessoas com síndrome de Down vivessem de forma independente. Costa disse que espera que a memantina possa aumetar o Q.I. de modo visível, mesmo que modestamente. Para ele, o objetivo é ajudar as pessoas com síndrome de Down a alcançar a autonomia. “Em algum momento, você quer que seus filhos tenham uma vida própria”, disse ele. “A questão é a independência.”

Costa foi criado no Brasil, filho de um oficial da marinha e uma costureira. Quando ele tinha 14 anos, seus pais se divorciaram. Seu pai dava pouco apoio e ele e seus dois irmãos viviam com a mãe na pobreza. Talvez inevitével para alguém que teve que lutar para superar suas carências, ele é consumido pelo seu trabalho inenso e não tira férias desde Tyche tinha 3 anos. Mas também é dedicado à sua filha e esposa, passando a maior parte de cada fim de semana com eles.

“Ela é uma grande garota”, disse ele. “Tem uma personalidade muito forte e as características de uma adolescente normal. Ela não gosta que eu entre em seu quarto. Ama música pop e vampiros.” Seu desempenho relativamente alto, disse, é importante para ele. “Se Tyche fosse severamente afetada, não sei se eu teria energia para continuar com nesse ramo.” Ele também admite ter sentimentos paternais com relação a todos os 40 jovens adultos de seu estudo, cujas habilidades cognitivas variam amplamente. “No final das contas”, disse ele, “os pais sabem que alguém realmente se importa com o seu filho. Não é uma experiência acadêmica para mim. É a minha vida. ”

QUESTÕES COMPLEXAS

Em janeiro, e novamente em março, foi feita uma série de reportagens descrevendo novos estudos dos exames de sangue não-invasivos que permitiriam que as mulheres grávidas verificar a síndrome de Down, sem os riscos eo desconforto associado com biópsia de vilo corial e amniocentese. Alguns dos artigos, no entanto, apontaram um profundo mal-estar entre especialistas sobre os testes e como eles podem levar a uma redução dramática na população com Síndrome de Down, no tocante à ética médica. O fato foi levantado inclusive por aqueles que são ardentemente favoráveis à escolha das mulheres.

“Mesmo as pessoas que são tradicionalmente contra o aborto estão por vezes dispostas a aceitá-lo quando o aborto é de um feto com alguma deficiência”, diz Erik Parens, um bioeticista do Centro Hastings, em Garrison, NY. “Mas é importante reconhecer que há uma enorme gama de doenças genéticas. De sua própria maneira, um inúmeras crianças com síndrome de Down se desenvolvem lindamente, assim como as suas famílias.”

Defensores dos novos testes insistem que a notícia de uma gravidez afetada será dada por geneticistas treinados, que irão apresentar as informações de forma justa e íntegra. Os críticos, incluindo Costa e muitos outros pais de crianças com síndrome de Down, dizem que tais abordagens raramente acontecem na prática, com muitos obstetras e conselheiros genéticos fornecendo informações indevidamente negativas ou enganosas.

Mas Stephen Quake, professor de bioengenharia e física aplicada da Universidade de Stanford e que desenvolveu um dos novos testes, diz: “É uma simplificação grosseira supor que estes testes vão levar à eliminação por atacado de recém-nascidos com síndrome de Down. O primo da minha esposa tem síndrome de Down. Acabamos de comemorar o seu 21 º aniversário. Ele é uma pessoa maravilhosa. Não é uma decisão óbvia interromper a gravidez de um bebê Down. ”

Mas Costa aposta em uma queda no financiamento de pesquisas em síndrome de Down quando os testes de pré-natal estiverem disponíveis. Embora seja difícil comparar os números, a verba do Instituto Nacional de Saúde (nota do blogueiro: NIH, no original) caiu para de $ 23 milhões em 2003 para US $ 16 milhões em 2007, voltando a subir para US $ 22 milhões em 2011. Isso é muito menos do que os US $ 68 milhões previstos para pesquisa em fibrose cística, que afeta um número estimado de 30.000 pessoas nos Estados Unidos, no máximo um décimo dos 300.000 a 400.000 pessoas que têm Down.

“Os geneticistas esperam que a síndrome de Down vá desaparecer”, diz Costa, “então por que investir em tratamentos?”

Alan Guttmacher, diretor do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, nega que esta seja a lógica usada por sua organização. No entanto, ele não deu nenhuma resposta clara quando lhe perguntei sobre os cerca de US $ 3.000 de dólares gastos em pesquisas pelo NIH para cada pessoa com fibrose cística, contra menos de US $ 100 para cada pessoa com Down.

“É justo fazer as contas assim”, disse Guttmacher. Mas, ressaltou, a maioria das decisões de financiamento NIH são baseadas na força das propostas que chegam de pesquisadores. Grupos de defesa de doenças como AIDS, autismo e câncer de mama têm certamente conseguido aumentar o seu financiamento, disse ele. E, talvez, ele especula, a síndrome de Down sofra de um problema de imagem. “Parte do problema é que a síndrome de Down tem estado entre nós há muito tempo”, disse ele.

A Deputada republicana de Washington, Cathy McMorris-Rodgers, que co-fundou a Frente de Síndrome de Down no Congresso americano logo após seu filho de 4 anos, Cole, nasceu com a trissomia, teve pouco sucesso em elevar o investimento para a pesquisa.

“Eu fico me perguntando como NIH realmente define suas prioridades “, ela me disse. “Estou muito preocupada que tantos dos pesquisadores no campo de síndrome de Down, têm dificuldade em obter financiamento.” Ela continuou: “Meu medo é que alguns acreditem que o assunto já está sendo resolvido através do diagnóstico pré-natal.”

Mesmo Costa tem tido que lutar para obter financiamento. Ele vive com Tyche e Daisy em um apartamento alugado, nunca sentiu segurança no emprego suficiente para comprar uma casa. Em seu laboratório, alguns dos equipamentos mais caros e sofisticados para estudar a síndrome de Down ficam guardados, literalmente juntando poeira, por falta de financiamento para usá-los. Uma das fontes de seu dinheiro de pesquisa tem sido a Anna e John J. Sie Foundation, baseada próximo a Denver, e dirigida por Michelle Sie Whitten, que tem uma filha com síndrome de Down de oito anos de idade. Há três anos, a fundação estabeleceu um instituto de pesquisa na Universidade do Colorado, em Denver, onde Costa trabalha.

Claramente, porém, ele não entrou em pesquisa sobre síndrome de Down pelo dinheiro. “Há uma razão pela qual eu estou fazendo o que estou fazendo”, ele me disse, apontando para Tyche.

Nem todos os pais de crianças com síndrome de Down compartilham a visão Costa sobre tratamento médico para inteligência. Em uma recente pesquisa realizada no Canadá, os pais foram convidados a responder o que eles fariam se houvesse uma “cura” da síndrome de Down de seus filhos. Surpreendentemente, 27 por cento disseram que definitivamente não a usariam, e outros 32 por cento disseram que não tinham certeza.

Enquanto isso, importantes grupos de defesa síndrome de Down sem fins lucrativos dedicam a gastam pouco em pesquisa, preferindo fazer lobby e oferecer apoio aos pais. Energia nova veio de dois grupos relativamente novos e determinados a reverter a situação – Research Down Syndrome e a Down Syndrome Research and Treatment Foundation – mas mesmo assim eles até agora conseguiram levantar apenas US $ 1 milhão por ano cada, o que é uma fração do orçamento anual de investigação de muitas outras doenças.

Atrás da ambivalência em relação a tratamentos, alguns pais dizem ter medo que o aumento da inteligência de seus filhos possa mudar muito suas personalidades e suas identidades.

“Ninguém seria contra dar insulina para diabetes”, diz Michael Berube, diretor do Instituto de Artes e Ciências Humanas da Universidade Estadual da Pensilvânia e autor do livro 1996 “Life as We Know It”, publicado cinco anos depois que seu segundo filho, Jamie, nasceu com a ocorrência genética. “Mas a síndrome de Down não é diabetes ou varíola ou cólera. É mais suave, mais variável e mais complicado. Eu ficaria muito desconfiado de mexer com os atributos que o Jamie tem. Ele é fantástico. Ao mesmo tempo, eu não sou doutrinário. Se você está falando sobre um medicamento que permite às pessoas viverem em sociedade e manterem postos de trabalho, como é que você pode ser contra isso? ”

Os pais que conheci cujas crianças participaram no estudo de Costa expressaram um pouco da ambivalência de Berube. Peggy Hinkle me contou sobre as mudanças que ela viu em sua filha de 26 anos de idade. “Quando Christina estava tomando as pílulas, ela me contou um dia sobre um sonho que ela teve. Ela falou cinco frases completas, o que para ela e incrível. Não só isso, ela saiu do quarto e voltou mais tarde e me disse uma outra frase sobre o sonho. E ela começou a fazer palavras cruzadas no jornal. Eu não sei se ela estava tomando o remédio ou o placebo, mas depois de cinco semanas, houve uma mudança. Bum! Foi por isso que participamos: para expandir seus horizontes”

Por sua vez, Costa não tem dúvidas sobre a obra a que dedicou os últimos 15 anos de sua vida. “Se você tem uma doença que está mudando a função de um órgão, que neste caso é o cérebro, e você usar uma medicação para trazer a função desse órgão mais próximo de onde ele estava destinado a ser depois de milhões de anos de evolução, isso é tão justo como tratar qualquer outra doença “, disse. “Eu não vejo como ser diferente”. Se o seu estudo for bem sucedido, o objetivo final de Costa é testá-lo em jovens, como Tyche, durante os anos cruciais iniciais de desenvolvimento. Costa é rápido em afirmar que ele não deu memantina a filha fora do estudo, e ele desestimula outros médicos de fazê-lo até que sua segurança e eficácia seja comprovada. Mas a partir de sua perspectiva como um pesquisador e também como pai, disse: “Quanto mais cedo começar, obviamente, maior será a sua esperança. Tudo o que sei é, o relógio está correndo. ”

Dan Hurley (hurleydan1@gmail.com)
Editor: Ilena Silverman (i.silverman-MagGroup @ nytimes.com)

Fonte: The New York Times e Inclusive

Para fazer doações para pesquisa

Down Syndrome Research and Treatment Foundation

Research Down Syndrome


Campanha Nacional de Vacinação contra a Paralisia Infantil

campanha_polio

Amanhã será realizada a primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Paralisia Infantil. A segunda etapa já está marcada para o dia 13 de agosto.

Ainda amanhã, nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, a vacinação contra o sarampo foi antecipada e as crianças maiores de 1 ano e menores de 7 deverão ser imunizadas.

Maiores informações podem ser obtidas na fanpage do ministério ou clicando neste link.


Mais um golpe no preconceito

O texto abaixo é uma compilação do material publicado no G1 em 26/05/2011 e atualizado em 27/05/2011 e também no Estadão.com.br, em 27/05/2011, com informações adicionais e também em outros sites que podem ser acessados clicando aqui.

Trata-se da decisão da Justiça, em primeira instância, de um processo movido por uma família cuja filha, com  síndrome de Down, foi tratada de forma preconceituosa por funcionários de um parque que loca espaço para brinquedos no referido shopping e também, em contato telefônico, pela gerente de marketing do estabelecimento.

Segue a matéria usando elementos dos dois artigos publicados e que podem ser lidos em sua íntegra aqui e aqui.

Do G1 SP, com informações do VNews

Justiça condena shopping no interior de SP por preconceito a criança

O Taubaté Shopping (grifo nosso), a 120 km de São Paulo, foi condenado a pagar uma indenização de R$ 40 mil a uma família de moradores da cidade. O motivo: impedir uma criança com síndrome de Down de brincar no parquinho. Para a Justiça, a medida foi preconceituosa e discriminatória.

Em maior do ano passado, a  mãe da menina que, como qualquer criança de seis anos, adora brincar em pisicinas de bolinhas, foi aconselhada, ao término do tempo de permanência no brinquedo, por uma funcionária do parque a não retornar com a filha. “A gerente do brinquedo falou que ela não poderia frequentar mais por ter síndrome de Down. Falou que tinha cliente que tinha preconceito”, explicou, de acordo com o publicado no G1, Nadir Aparecida Silva, mãe da criança.

Ela fez uma reclamação por escrito ao shopping. Em seguida, recebeu o telefonema de uma funcionária. “A gerente de marketing ligou no outro dia para mim. Ela falou que ela não poderia freqüentar lá, porque não tem brinquedo especial para ela.”

Indignada, a família acionou a empresa na Justiça e venceu a causa em primeira instância. O shopping terá que pagar-lhes uma indenização por danos morais. Na sentença, o juiz apontou o despreparo dos funcionários e disse que eles agiram com preconceito e discriminação. O shopping não quis comentar o caso.

O promotor da Vara da Infância e da Juventude de Taubaté, Antônio Carlos Ozório, aprovou a pena. “Além de servir como lição, serve como um aviso para que esse tipo de conduta não ocorra. Hoje, nós temos que aceitar a diversidade e temos que incluir essas pessoas na vida social, familiar, na escola, na sociedade, no trabalho, como prevê as Nações Unidas (ONU).”

Ainda cabe recurso, mas o shopping também não comentou se vai recorrer. No processo, a defesa alegou que os funcionários não discriminaram a criança e que apenas advertiram os pais, que teriam passado do horário para ir buscar a menina.

Atualizado com dados de JOÃO CARLOS DE FARIA – Agência Estado

Em nota oficial, a direção destaca que o Taubaté Shopping não agiu, como foi divulgado, como se fosse “agente de discriminação e preconceito contra criança portadora de síndrome de Down, o que efetivamente não ocorreu”. A nota justifica que a “piscina de bolinha”, onde teria ocorrido o fato, é um espaço locado e que as pessoas que ali trabalham não são funcionárias do shopping.


Mais um filme que promete

Artigo publicado no site Itu.com.br, em 10 de maio de 2011 por Tamara Horn

“Colegas”: filme narra sonhos de jovens com síndrome de down

Os atores Rita Pokk, Ariel Goldenberg e Breno Viola são os protagonistas dessa deliciosa comédia e aventura. (foto: divulgação)

Os atores Rita Pokk, Ariel Goldenberg e Breno Viola são os protagonistas dessa deliciosa comédia e aventura. (foto: divulgação)

O longa-metragem “Colegas”, dirigido e roteirizado por Marcelo Galvão, com estréia prevista para o segundo semestre de 2011, trata de uma forma poética coisas simples da vida através dos olhares de três jovens com síndrome de down. Com o elenco composto por Breno Viola, Rita Pokk e Ariel Goldemberg, além dos atores Lima Duarte, Juliana Didone e Amélia Bittencourt o filme promete emocionar a todos.

A trama gira em torno dos amigos Stalone (Ariel Goldemberg), Aninha (Rita Pokk) e Márcio (Breno Violla), colegas que se comunicam basicamente por meio de citações do cinema, resultado dos anos em que trabalharam na videoteca do Instituto Madre Tereza, local onde vivem.

Um dia, inspirados pelo filme Thelma & Louise (dirigido por Ridley Scott) resolvem fugir no carro velho do jardineiro (Lima Duarte) em busca de seus sonhos: Stalone quer ver o mar, Marcio quer voar e Aninha busca um marido pra se casar. Nessa viagem, enquanto experimentam o sabor da liberdade, envolvem-se em inúmeras confusões e aventuras como se a vida não passasse de uma eterna brincadeira.

O filme tem como produtor executivo Marçal Souza que tem em sua filmografia sucessos como “O Beijo da Mulher Aranha”, de Hector Babenco; “Até Que a Vida Nos Separe”, de José Zaragoza; “Rinha” de Marcelo Galvão, entre outros.

“Colegas” na web

Para ficar cada vez mais interativo e ligado ao público, a produção tem investido na divulgação através das mídias sociais como facebook, e também de um blog, mantido pela Diretora de Comunicação e Assessora Estrategista da Produtora Gatacine, Aleksandra Zakartchouk, contando todos os passos e acontecimentos do longa e curiosidades sobre os bastidores e cotidiano da produção.


Dia Internacional da Síndrome de Down 2011

Texto publicado originalmente no site da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down em 11/03/2011

Inclusão Acontecendo – Amplie este Exemplo

O Brasil comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down no próximo 21/3 com extensa programação. Usando o tema “Inclusão Acontecendo – Amplie este Exemplo”, é a sexta vez que a data, criada para celebrar a vida das pessoas com síndrome de Down e chamar atenção da sociedade para a importância da inclusão total, é celebrada no país.

Por quê 21/3?

A data foi instituída pela Down Syndrome International (DSI), entidade que congrega associações de síndrome de Down de todo o mundo em alusão aos 3 cromossomos número 21 que cada pessoa com síndrome de Down carrega (21/3). No Brasil, é a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) quem articula e organiza eventos em todo o país. Com o tema “Iclusão Acontecendo: Amplie este Exemplo”, a FBASD e as associações filiadas estão reunindo a maior programação por país, segundo a DSI, para comemorar a data.

De acordo com Maria de Lourdes Marques Lima, presidente da FBASD, o tema escolhido para 2011 é uma evolução natural do tema de 2010, “Inclusão Social: Vamos fazer Acontecer!”. “A sociedade está vendo cada vez mais pessoas com síndrome de Down nas ruas, na escola, no trabalho, e comece a perceber que a inclusão é possível e depende de cada um de nós. Daí o convite: amplie este exemplo”, diz Lourdes.

“Diversidade” de Lenine na Mídia Social

Como não poderia deixar de ser, o Dia Internacional também vai invadir a mídia social. Ferramenta de inclusão usada mundialmente por milhões de jovens, um clipe preparado para a data está sendo disseminado através do Facebook, Twitter, Orkut, MSN, email… Embalado pela emblemática canção de Lenine “Diversidade”. o clipe traz imagens de crianças, jovens e adultos com síndrome de Down em situações cotidianas, entre elas, das filhas do senador Lindbergh Farias e do Deputado Federal Romario. A letra da música foi traduzida para o inglês e o espanhol e será veiculada para todo o mundo através da Down Syndrome International.

Samuel Sestaro, Relações Públicas da FBASD, aprovou o resultado: “achei o vídeo muito legal e muito interessante”. E deu seu recado para aqueles que, como ele, têm síndrome de Down: “todas as pessoas com (síndrome de Down) podem vencer sobre a vida deles, mesmo com a síndrome. Podem vencer essa luta de escolas particulares perto de suas casas e os pais podem procurar uma escola pros seus filhos ou filhas na Prefeitura de cada cidade do Brasil. Quando eles superarem essas novas experiências, eles ou elas podem se virar sozinhas ou sozinhos para depois, como adultos, estarem superando suas dificuldades”.

Assista o vídeo abaixo:

Programação

A programação inclui sessões solenes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, assim como em várias Câmaras de Vereadores municipais, Assembléias Legislativas estaduais, ressaltando a relevância que a data alcançou junto ao poder público. Nestas oportunidades cidadãos com síndrome de Down representarão a si próprios revelando suas conquistas e expondo suas demandas para que a inclusão em todas as esferas ocorra de forma cada vez mais abrangente no Brasil.

Haverá ainda eventos a nível internacional, como o seminário “Ser Inclusão”, em Itapetinga, Bahia, com a presença do educador José Pacheco, da Escola da Ponte em Lisboa, palestras sobre a evolução da genética, com o geneticista Dr. Francis Maciel Galera em Cuiabá, Mato Grosso, que caminha a passos largos no entendimento da síndrome e possibilidades efetivas de tratamentos que possibilitem a melhoria da qualidade de vida de quem tem um cromossomo a mais.

Mas como a ideia é celebrar, não vai faltar animação na já tradicional colorida e alegre “Caminhadown”, que ocupa a orla carioca e este ano vai acontecer no Leblon, terminando no Baixo Bebê, no Rio de Janeiro. Mais ritmo e animação no Bloco Carnadown, na Downceteria e na apresentação do banda Batalá no Parque da Cidade em Brasília. Exposições de arte e espetáculos de dança completam as comemorações por todo Brasil.

Abaixo segue a programação nacional e para o estado de São Paulo. A programação completa pode ser vista no site da FBASD.

Nacional

14/3 – 10h
Sessão Solene em Homenagem ao Dia Internacional da Síndrome de Down
Proposta da Deputada Erika Kokay
Local: Plenário Ulisses Guimarães (Câmara Federal)

21/3
Celebrações no Senado Federal (Programação a confirmar)

São Paulo – SP

21/3 – 9h
Comemoração do Dia Internacional da Síndrome Down
Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural
Local: Câmara dos Vereadores de São Paulo – Plenário Prestes Maia no 1º andar

Sorocaba – SP

13/3 – 10h às 12h
Encontro matinal de Domingo na Pista de Caminhada do Campolim
Local: Pista de Caminhada do Campolim (Esquina da Av. Antonio Carlos Comitre c/ Av. Domingos Julio)

17/3 – 12h
Sessão na Câmara Municipal de Sorocaba com pauta especial sobre o Dia Internacional das Pessoas com Síndrome de Down
O Vereador José Francisco Martinez fará uma homenagem a todos jovens com Síndrome de Down de Sorocaba que de destacaram em suas atividades nos últimos anos
Local: Câmara Municipal de Sorocaba – Av. Eng. Carlos Reinaldo Mendes, 2945 – Alto da Boa Vista

19/3 – 19h
Evento anual com a presença de pais, familiares, amigos, profissionais da área, empresários, e autoridades
Orientações e explanações gerais sobre a Síndrome de Down, apresentações de jovens e adolescentes, coquetel para integração e convivência de todos os participantes
Local: Instituto Humberto de Campos
Rua Humberto de Campos, 541 – Jd. Zulmira

Campinas – SP

21/3 – 8:30h
Vamos falar de Inclusão: Trabalho, Educação, Família e Sociedade
Com Maria Tereza Egler Mantoan, Guirlanda Maria de Castro Benevides e Maria
Carolina Marques
Local: Fundação Síndrome de Down

Taubaté – SP

25/3 – 19h
1º Encontro em Comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down
Associação para Síndrome de Down de Taubaté – ASSID, em parceria com a Faculdade Anhanguera Educacional de Taubaté.
Mesa redonda com Médicos, Fisioterapeutas, Enfermeiros, Assistentes Sociais, Pedagogos, Psicopedagogos e Psicólogos.
Local: Faculdade Anhanguera Educacional – Auditório